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Um tour esportivo na Irlanda – Parte 4 (FINAL)

NA TERRA DOS ANCESTRAIS DE OBAMA

O interior da Irlanda revela surpresas como a vila dos ancestrais de Barack Obama, o centro cultural Michael Cusack, a experiência de jogar hurling e a bela cidade de Ennis

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No meus dois últimos dias da viagem, cruzei o país até o condado de Clare, na costa oeste – um dos mais bonitos recantos da Irlanda, com seus lagos, rios, planícies verdejantes e penhascos dramáticos de frente para o Atlântico.

Clare também é um lugar de grande importância histórica para os esportes e para a independência da Irlanda.

No caminho para lá, fizemos uma parada no vilarejo de Moneygall. Acredite ou não, o grande ídolo deste lugar perdido no interior da ilha é Barack Obama. Sim, a família da mãe do presidente americano veio de lá, e a cidadezinha se orgulha disso, a ponto de ter criado um museu dedicado ao clã Obama – ou melhor, Kearney. Esse é o sobrenome do ancestral que emigrou para os Estados Unidos em 1850. Aliás, Obama já esteve por lá e, claro, tirou muitas fotos com tacos de hurling nas mãos.

O hurling faz parte da história dos condados da costa oeste da Irlanda. É ali, na vila de Sixmilebridge, que fica a Torpey Hurleymakers – a mais tradicional fábrica de tacos do país.

Você deve estar pensando: o que há de interessante para ver numa linha de produção de tacos? Bem, a Torpey Hurleymakers é mais do que isso. No lugar, funciona um pequeno museu, já que os principais astros do esporte em todos os tempos sempre iam (e vão) até lá para coordenar a fabricação de seus tacos. Porque cada um é personalizado, com um grip diferente, com angulações aos gosto do cliente etc..

É muito bacana ver os donos explicando como se fabricam as peças e toda a tradição milenar envolvida (o hurling é um esporte com 3 mil anos de existência!).

Em seguida, partimos para um dos pontos altos de toda a viagem: a visita ao Michael Cusack Centre, nas imediações da cidade de Carron e bem no meio de uma bonita reserva natural chamada The Burren.

Trata-se de um centro cultural e esportivo construído na pequena fazenda onde nasceu e viveu Michael Cusack (1847-1906), o professor que criou a Associação Atlética Gaélica (GAA), o órgão máximo dos esportes na Irlanda até hoje.

Mais do que um “cartola”, Cusack foi um intelectual que resgatou os esportes tradicionais irlandeses e os promoveu como pilares da identidade nacional, em um momento histórico dramático, em que a Irlanda ensejava sua independência da Inglaterra, mas não tinha diferenciais culturais onde se agarrar.

Vale lembrar que os esportes tradicionais gaélicos, como o hurling, chegaram a ser proibidos pelos dominadores britânicos nos séculos 17, 18 e 19 justamente para sufocar as expressões culturais que afastavam a Irlanda do Reino Unido. Por isso, Cusack repudiava o futebol e o rugby.

Cusack foi uma figura tão importante na Irlanda do final do Século 19 que até mesmo o romancista James Joyce se inspirou nele para construir um personagem de Ulysses – ainda que de forma bastante caricata e exagerada.

No Centro Cultural, há um prédio moderno, onde ficam as exposições e onde acontecem eventos. Mas também algumas construções centenárias, como a casa onde Michael Cusack nasceu e passou a infância, bem no meio da terrível “Grande Fome Irlandesa”, o período de sete anos, entre 1845 e 1853, em que uma praga nas plantações de batatas e a má administração britânica ocasionaram uma mortandade de um milhão de irlandeses e a imigração de outro milhão para os Estados Unidos, sobretudo.

A parada seguinte na viagem foi uma das mais divertidas: o Go Gaelic Experience. Esse é um clube que oferece aos turistas estrangeiros a oportunidade de aprender as jogar os esportes nacionais, sobretudo hurling e futebol gaélico. Não precisa ter físico de atleta nem nada. É mais diversão do que outra coisa.

Todos os anos, milhares de estrangeiros (principalmente americanos) se juntam ali para aprender as manhas e disputar partidas contra outros times. É para todas as idades e os organizadores fornecem todos os equipamentos: tacos, uniformes, capacetes etc..

No final, todos vão confraternizar nas tabernas das cidades próximas, como Galway e Ennis.

Eu passei meu último dia nessa última, no espetacular  Old Ground Hotel – lugar preferido por políticos, esportistas e, principalmente, por noivos, que ali realizam seus casamentos, em um cenário digno de filme.

Ennis tem apenas 25 mil habitantes, mas é um lugar turístico, sempre com gente passeando nas suas ruas bucólicas, repletas de lojas, pubs e restaurantes. Foi um importante entreposto de produtos agrícolas nos séculos passados e hoje é famosa por  seus festivais de música tradicional irlandesa, além dos esportes, claro.

É delicioso vagar sem rumo por construções históricas como a Catedral de Saint Peter and Saint Paul ou a Ennis Friary – um mosteiro franciscano que remonta ao ano de 1242.

Sem falar no agradável Cusack Park, no calçadão charmoso da Parnell Street e na caprichada orla do Rio Fergus, que cruza toda a área urbana. Ou, ainda, no delicioso restaurante The Rowan Tree, com vista panorâmica para o rio.

Por sinal, a cidade de Ennis também é citada no romance Ulysses, de James Joyce.

Terminar minha jornada pela Irlanda nesse lugar foi um privilégio. Em 2012 e 2013, a cidade ganhou um troféu chamado Irish Tidy Towns, concedido pelo governo à cidade mais limpa, organizada e agradável do país naquele ano.

Preciso dizer algo mais?


Saiba mais: Ireland Tourism

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Um tour esportivo na Irlanda – Parte 3

CAVALOS, GLAMOUR E AREIA

Nesta parte, as agradáveis vilas litorâneas de Laytown, com suas corridas de cavalos na praia, e Malahide, com sua vida náutica inigualável

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No meu terceiro dia na Irlanda, fui levado a um dos mais belos recantos do país, a costa nordeste.

Nessa região fica a pacata Laytown, uma vilazinha praiana de apenas 2 mil habitantes, a 50 km de Dublin. É um lugar especial, com diversos sítios arqueológicos e pequenos hotéis e casas de veraneio. Tudo num ambiente de extrema tranquilidade.

No entanto, desde 1868, a população quadruplica por um fim de semana no mês de setembro. Isso graças às Laytown Races.

Trata-se de inusitadas corridas de cavalos na praia. Sim, a disputa não acontece num jockey club, mas sim nas areias do singelo município.

Gente do país todo – e de fora dele – vem assistir às corridas. É muito divertido ver homens de terno e mulheres de vestidos de gala muitas vezes descalços nas areias.

E o jogo rola solto: barracas de apostas com luminosos e tudo mais são improvisadas na orla. Até um mega-telão é montado, na área onde os cavalos são apresentados ao público antes dos páreos.

E, como não poderia deixar de ser, não faltam food trucks e mesmo restaurantes improvisados em grandes tendas, servindo petiscos típicos, como o Irish Corned Beef (carne desfiada com repolho) e o Colcannon (uma espécie de purê de batata com vegetais). Tudo regado a Guinness, claro.

Malahide – No caminho de volta de Laytown, hospedei-me no Grand Hotel de Malahide, outra cidade litorânea, a menos de 20 km de Dublin.

Se você é fã do U2, talvez já tenha ouvido falar desse pitoresco vilarejo: é a cidade natal dos músicos Adam Clayton e The Edge.

Malahide, apesar de diminuta (tem apenas 16 mil habitantes), é um lugar onde florescem atividades esportivas. Ali há clubes famosos de futebol gaélico, hurling, rugby, futebol, basquete, tênis, cricket, golfe e iatismo.

Trata-se de um cenário pleno de beleza e bucolismo, com ruas floridas, casinhas coloridas, um castelo na paisagem, além do Grand Hotel, com seu restaurante de frente para o estuário de Broadmeadow.

E uma curiosidade: aqui foi um dos mais importantes pontos de apoio dos vikings durante a ocupação da Irlanda no Século 9.

O que mais me fascinou, no entanto, foi a quantidade de veleiros e lanchas na paisagem. Não admira que neste local fique uma das mais tradicionais escolas de iatismo do país, a DMG SailSports.

Além do maior clube de escotismo oceânico da Europa, o Malahide Sea Scouts, fundado em 1908 e que hoje conta com nada menos que 600 membros, que diariamente se dedicam a tarefas ligadas à natureza e à preservação da vida marinha.


(Veja as outras partes da reportagem)

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Um tour esportivo na Irlanda – Parte 2

UM MONUMENTO EM FORMA DE ESTÁDIO

O Croke Park é mais que um estádio. Palco de fatos históricos, tornou-se um monumento à independência da Irlanda e uma atração em Dublin

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No meu primeiro dia na Irlanda, fui levado para conhecer o Croke Park – o terceiro maior estádio da Europa, com capacidade para 83 mil pessoas (só perde para o Camp Nou e Wembley). Também é o maior estádio do mundo usado para esportes que não sejam o futebol.

O Croke Park é ainda um dos mais antigos campos de jogo do mundo – construído em 1884. Tornou-se uma espécie de monumento à independência da Irlanda e um ícone turístico de Dublin.

Foi lá que ocorreu, em 1920, um dos mais importantes fatos da história da Irlanda: o Bloody Sunday.

Bem no meio de uma partida de futebol gaélico, a polícia comandada pelos ingleses invadiu o estádio para reprimir as frequentes demonstrações separatistas que ocorriam nos eventos esportivos.

Na confusão, os policiais abriram fogo contra torcedores e jogadores, matando 14 pessoas – entre elas o capitão do time de Tipperary, Michael Hogan.

Hogan virou um herói para os irlandeses depois que o país conseguiu sua independência, em 1921.

O estádio tem tour guiado e um belo museu dos esportes gaélicos. Durante a visita, a emoção era evidente nas palavras de minha guia, Tanya Jordan. Um momento inesquecível de união do esporte com o civismo.

Um detalhe para os fãs de futebol americano que seguem este blog: por todo o seu significado cultural, o Croke Park tem regras rígidas quanto ao uso de seu campo. Por exemplo, partidas de futebol ou rugby nunca são permitidas ali.Mas há uma exceção: o futebol americano.

Sim, é isso mesmo. A verdade é que os irlandeses parecem muito mais voltados à cultura dos Estados Unidos que à do Reino Unido. E para desagrado dos vizinhos britânicos, eles só deixam os ianques pisarem no seu gramado sagrado.

Chicago Bears e Pittsburgh Steelers fizeram uma partida de pré-temporada da NFL ali, em 1997. E vários jogos de college football da NCAA também foram disputados como exibição no Croke Park ao longo dos tempos (veja painéis de fotos).

A TRADIÇÃO ESPORTIVA DE DUBLIN – O mesmo civismo que testemunhei no Croke Park eu pude ver clube Na Fianna, onde é oferecido o programa Experience Gaelic Games, uma experiência muito divertida, para turistas vindos de todo o mundo.

Antes de explicá-la, é preciso entender como funciona a estrutura de times esportivos na Irlanda. Porque é algo muito, muito especial.

Os clubes são, na verdade, “seleções regionais”, que representam os 32 condados da Irlanda. Detalhe: há um 33º condado: o de Nova York (EUA), que agrega jogadores norte-americanos descendentes de irlandeses.

Em outras palavras, os grandes torneios envolvem cidades (ou condados) e toda rivalidade que isso pode produzir.

Outra coisa impressionante: o esporte é amador. Ninguém recebe salário ou prêmios para jogar, mas a estrutura é profissionalíssima, de dar inveja até ao nosso futebol. Eu presenciei equipes infantis com treinando em campos perfeitos, com vestiário, uniformes, vários treinadores…

Quer mais uma surpresa? Os atletas nunca trocam de time. Sim, é isso mesmo. Os jogadores defendem seu condado de nascimento, eternamente. Mesmo que se mudem e vivam em outro lugar do país (ou do mundo).

Por isso, existe uma obsessão pelas categorias de base, tanto no futebol gaélico quanto no hurling. Tanto no masculino, quanto no feminino. Em tempo: o hurling feminino tem nome próprio: camogie.

Meu guia no clube Na Fianna, o treinador Cormac O’Donnchú, é um dos idealizadores do Experience Gaelic Games, um programa de entretenimento e familiarização para estrangeiros, geralmente turistas. Ou seja, uma espécie de clínica esportiva para iniciantes em hurling, futebol gaélico e outros esportes irlandeses.

Cormac me contou com grande orgulho sobre a origem antiquíssima do hurling, que tem seus primeiros registros – acredite – no século 11 antes de Cristo. Um esporte de mais de 3 mil anos.

Ele também me levou para ver um treino infantil e me contou diversas histórias da relação entre a identidade nacional e a GAA – a associação atlética gaélica, a maior entidade de esportes amadores de todo o planeta, com 2.300 clubes afiliados nos 32 condados.

DUBLIN, ALÉM DOS ESPORTES – Com o olhar aguçado, logo percebi que não faltam clubes esportivos em Dublin.

A capital, por sinal, é um recanto que une o melhor de dois mundos: oferece todos os confortos e opções culturais de uma legítima metrópole. Mas tem jeitão de vila do interior, com bairros residenciais muito tranquilos, diversos parques e quase nada de barulho, congestionamentos ou grandes edifícios fazendo sombra na paisagem.

Seus 500 mil habitantes desfrutam de uma qualidade de vida invejável. Fundada pelos vikings ainda na Idade Média, ela se tornou a principal cidade da Ilha após a invasão dos Normandos. Depois, já nos Séculos 18 e 19, tornou-se a segunda maior cidade do Império Britânico e a quinta maior da Europa.

Com a independência do país, em 1922, cresceu rapidamente e hoje é um importante centro de negócios, cultura e lazer.


Geralmente, os brasileiros sabem apenas de seus famosos pubs. Sim, não faltam bares dess tipo (onde a cidade respira hurling e futebol gaélico, vale dizer!).

Mas os museus e pontos históricos me chamaram mais a atenção. Como a casa de Oscar Wilde, a famosa farmácia Sweny, do romance Ulisses, de James Joyce, e a Trinity College, universidade onde se encontram alguns dos manuscritos históricos mais antigos da Europa.

Foi nesse lugar, inclusive, que o cineasta americano George Lucas quis filmar cenas de Star Wars – a Guerra dos Clones. Diante da negativa dos diretores em permitir a entrada de toda uma equipe de produção naquela biblioteca “sagrada”, Lucas não teve dúvidas: fotografou o lugar e construiu uma réplica nos Estados Unidos.


(Veja as outras partes da reportagem)

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Um tour esportivo na Irlanda – Parte 1

ONDE O JOGO É PARTE DA HISTÓRIA

A Irlanda tem esportes  incomuns no resto do mundo – e eles são pilares da identidade nacional, assim como parte fundamental da cultura e do turismo 

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Quando o convite para visitar a Irlanda chegou à minha caixa de e-mails, fiquei feliz, mas também intrigado. O órgão oficial de turismo do país – Failte Ireland – havia programado uma viagem em que um pequeno grupo de modalidades esportivas eram as grandes vedetes.

Eu já havia estado em press trips focadas em história, gastronomia, compras, religião… Mas nunca em algo desse gênero. Afinal, o que o esporte poderia ter de tão especial na Irlanda para virar atração turística?

Nos quatro dias em que fiquei no país, tive minha resposta. E ela foi surpreendente. A começar pelo fato de as modalidades preferidas dos irlandeses não serem nem o futebol, nem o rugby ou qualquer outra familiar a nós, brasileiros.

O que leva dezenas de milhares de pessoas aos estádios todos os fins de semana são esportes praticamente desconhecidos do resto do mundo.

Os irlandeses não veem esses esportes apenas como um passatempo. Hurling, camogie e futebol gaélico fazem parte dos chamados “três pilares da identidade nacional

Ou seja, as três coisas que diferenciam os irlandeses de seus vizinhos britânicos: a língua gaélica, a religião católica e os esportes nacionais.

Esse tripé de características foi, no início do Século 20, a base da luta contra a dominação inglesa e pela independência do país. Por isso, a história da nação se confunde com a dos seus esportes, alguns deles milenares, como o hurling, que surgiu – acredite – há cerca de 3 mil anos.

E um detalhe: dos três pilares da identidade nacional, os esportes nacionais são aquele que hoje em dia tem mais força e relevância no dia a dia dos irlandeses.

Isso porque, apesar de muito orgulhosos de sua língua-mãe, os irlandeses falam inglês quase o tempo todo. A mesma coisa acontece com a religião: no dia a dia, estão longe de ser um povo afeito aos cultos e à devoção, por mais que façam questão sempre de dizer que são católicos.

Mas no caso dos esportes, a coisa é diferente. Discurso e prática se encontram.

As finais dos campeonatos de futebol gaélico e hurling são festas que param o país. Estão para a Irlanda como o Super Bowl para os EUA ou uma final de Copa do Mundo para nós, brasileiros.

Costumam lotar os 83 mil lugares do icônico Croke Park (falarei dele na parte 2 da reportagem), em Dublin.

Os jogos decisivos, vale dizer, estão intimamente ligados ao turismo interno, já que gente de todo o país vem a capital Dublin.

Só para ter ideia da força desses esportes para nós desconhecidos, a média de público nos jogos do futebol gaélico superior à do Campeonato Brasileiro de Futebol – cerca de 20 mil pagantes por partida.

Um número ainda mais surpreendente se considerarmos que se trata de um esporte amador e que o campeonato é disputado por nada menos que 33 clubes na sua divisão principal, a maioria deles de cidades minúsculas.

Se você está curioso sobre como são esses esportes, veja os vídeos abaixo. E confira na parte 2 da reportagem mais sobre Dublin e suas atrações turísticas e esportivas.


Hurling

Esporte milenar dos Celtas, jogado com um taco (o hurley) num campo de grama. Mistura habilidades do hockey na grama, do lacrosse e do beisebol. É um esporte incrivelmente rápido e técnico. O sistema de pontuação é igual ao do futebol gaélico: Um tiro bem sucedido no gol vale 3 pontos. Um tiro bem sucedido no meio das traves altas vale 1 ponto.

(CLIQUE NO VÍDEO PARA VER COMO É O JOGO)


Futebol Gaélico

Lembra o futebol, mas nele se pode carregar a bola com as mãos. A cada 4 passos é obrigatório pingar a bola no chão ou no próprio pé (chutando de volta para as mãos). Faz-se isso alternadamente (pingar e chutar). Para passar a bola, não é permitido simplesmente jogá-la, mas sim dar um soco nela. Um chute bem sucedido no gol vale 3 pontos. Um chute bem sucedido no meio das traves altas vale 1 ponto. 

(CLIQUE NO VÍDEO PARA VER COMO É O JOGO)


(Veja as outras partes da reportagem)

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Jordânia: oásis de paz, encantos e belezas no Oriente Médio

Um país apaixonante. Assim é essa nação repleta de atrativos naturais, históricos e religiosos – e quase dempre alheia às turbulências de seus vizinhos

Adaptação da reportagem publicada na revista Viajar pelo Mundo  – Fotos: VisitJordan.com 

“É sua primeira vez na Jordânia? Então se prepare para mudar seu conceitos…” A frase do guia Mahfouz AlHafize começou a fazer sentido ainda no caminho do aeroporto para o hotel, na capital Amã. Avenidas modernas, bairros elegantes, vida noturna… E, sobretudo, um ar despreocupado, uma descontração que nem de longe lembra o conturbado Oriente Médio.

A Jordânia é assim: uma ilha de paz, que não se envolve numa guerra há quatro décadas, livre de atos terroristas, famosa pelas boas relações com Israel e com um governo liberal – pelo menos se comparado aos vizinhos.

Quem imaginaria, por exemplo, que o monarca Abdullah II já fez uma ponta no seriado Jornada nas Estrelas? Aconteceu quando ele era estudante, na Califórnia. E quem poderia conceber que a rainha de um país muçulmano andasse sem o tradicional véu na cabeça e se vestisse na melhor moda ocidental? É assim que se comporta a Rainha Rania, uma ex-administradora de empresas que estudou na Universidade Americana do Cairo e roda o mundo participando de causas humanitárias.

Não é de admirar que uma nação com essas características faça os turistas estrangeiros se sentirem bem. Por isso mesmo, o país de 6 milhões de habitantes, que pode ser cruzado de norte a sul em apenas cinco horas de carro, tornou-se um destino obrigatório para quem deseja conhecer o Oriente Médio – sem sobressaltos e com muito conforto.

Amã – encontro de eras

Com 2 milhões de habitantes, a capital da Jordânia representa o encontro de dois mundos. Ou melhor, de duas eras. Ela tem construções de quase dois mil anos bem-preservadas, ao lado de shopping centers e hotéis de luxo recém-inaugurados.

Em menos de dez minutos, fui do elegante bairro de Abdoun – onde estão os centros comerciais mais chiques, cafés e lojas de grife – até o Anfiteatro Romano, perto do humilde bairro palestino. De um lado, mulheres vestidas à moda ocidental, gastando seus dinares no suntuoso Amman Mall, além de executivos e bons vivants fumando o narguilé tranquilamente em mesinhas nas calçadas. Do outro, gente simples trajando o hijab – a vestimenta típica, que inclui o véu na cabeça – e atendendo rigorosamente ao chamado dos alto-falantes para as orações nas mesquitas. No meio, as ruínas, testemunhando o encontro de passado e presente.

O restos do Anfiteatro, vale dizer, são o ponto alto de uma visita a Amã, assim como a Cidadela, logo ao lado. Isso porque, bem no centro da metrópole, você se depara com uma montanha e, no topo dela, um templo erguido para o herói grego Hércules há 2 mil anos, assim como uma igreja cristã bizantina do século 5. Tudo muito bem-conservado e valorizado por um povo que não crê nem no mito helênico, nem nos dogmas cristãos.

Esse pluralismo é uma característica de Amã. A cidade cresceu graças à imigração de palestinos (depois da criação do Estado de Israel), circassianos (fugidos da União Soviética), armênios cristãos e iraquianos refugiados. Para o visitante, isso se traduz numa agradável “flexibilidade” de costumes. Durante minha jornada, por diversas vezes, garçons e vendedores me ofereciam cervejas locais e outros drinques – que eles próprios não bebem, já que os preceitos islâmicos proíbem o álcool.

Assim, há excelentes cartas de vinhos nos restaurantes, incluindo o célebre Mount Nebo, tinto feito no exato lugar onde, segundo a crença, Moisés subiu aos céus após conduzir o povo hebreu até a Palestina.

Um desses restaurantes memoráveis é o Fakhr al Din, famoso pelo seu kebab halabi – cubos de carne picada, grelhados lentamente sobre carvão vegetal e servidos com cebolas caramelizadas, especiarias e pasta de gergelim. No final, ainda servem o arak, licor alcoólico feito de tâmaras e anis.

Mas nenhuma visita a Amã é completa sem uma boa caminhada pelos souks e zonas comerciais. Se você quer produtos autênticos, deixe de lado os shoppings de Abdoun e vá ao Balada, o bairro central da cidade, coalhado de lojinhas de bijuterias, doceiras e banquinhas que vendem artesanato. Perder-se por ali é uma experiência digna das melhores memórias de viagem.

Jerash e Ajloun – passado de glórias

Conforme o carro cruzava as impecáveis estradas jordanianas rumo a Jerash, no norte do país, o guia Mahfouz me dizia: “Nem 40% das construções romanas foram exploradas até hoje. Muita coisa ainda está sob as areias”.

Essa é apenas uma das inúmeras surpresas que os sítios arqueológicos da Jordânia revelam. A região foi amplamente povoada pelo Império Romano, na Antiguidade, e pelos bizantinos depois. Junte a isso os desertos que se movem devido ao vento durante séculos e você terá milhares de construções, templos, palácios e cidades parcialmente encobertos.

“Dois anos atrás, os alemães acharam um túnel de 100 km”, empolgava-se o ex-jogador de futebol que hoje leva visitantes por todo o país, vestindo roupas à la Indiana Jones e o inconfundível lenço palestino vermelho e branco no pescoço.

O túnel a que ele se referia fica na fronteira com a Síria e, aparentemente, era um aqueduto – uma das dádivas tecnológicas dos romanos. Em Jerash, até hoje se visualiza o intrincado sistema de canais subterrâneos que trouxe vida a um lugar tão árido. Conhecida na Antiguidade como Gerasa, é a mais bem-preservada cidade romana do Oriente Médio e um dos mais importantes pontos turísticos do país.

Ali ainda estão de pé um templo dedicado à deusa Artêmis, outro para Zeus, um arco monumental erguido para homenagear o Imperador Adriano, um fórum com mais de 200 colunas em mármore, dois anfiteatros e um impressionante hipódromo.

Diariamente, este último recebe exibições que remontam à vida de dois milênios atrás: há corridas de bigas (espécie de charrete de duas rodas levada por cavalos) e simulações de batalhas.

Igualmente estonteante é o panorama oferecido por outra construção histórica, a meia hora de carro dali. É o Castelo de Aijloun, no alto do Monte Jabal Auf. Erguido em 1214, a imponente fortaleza serviu para defender a região dos invasores franceses durante as Cruzadas. “Foi usado pelos guerreiros de Saladino”, orgulha-se o guia Mahfouz. Fácil entender: ele se refere a Salaḥad-Din Yusuf ibn Ayyub, possivelmente o maior herói de todos os tempos dentre os árabes da Jordânia.

Não bastasse a beleza da construção em si, há a paisagem. Está 800 metros acima dos vales ao redor, permitindo uma visão magnífica dos quatro pontos cardeais – da Síria, ao norte, ao Vale do Jordão, ao sul; da Terra Santa, ao oeste, aos desertos do leste, em direção ao Iraque.

Tudo isso muito fácil de alcançar, já que há estradas asfaltadas até o topo, com direito aos simpáticos vendedores de café e artesanato no caminho.

Aqaba – diversão e compras

Uma das características mais bacanas da Jordânia é a facilidade de cruzar o país de um extremo a outro. Principalmente nos últimos dez anos, quando o rei Abdullah II – fanático por motos Harley Davidson e afins – determinou a transformação das antigas estradas em rodovias de primeiro mundo. Assim, de Jerash, no norte, a Aqaba, no sul, é possível ir em menos de cinco horas, apreciando o deserto no caminho.

Graças a isso, a cidade-balneário do Mar Vermelho tornou-se destino de fim de semana da classe média-alta da capital, Amã, assim como de viajantes estrangeiros. Trata-se de um dos melhores lugares do mundo para praticar o mergulho autônomo (com cilindros de ar comprimido), devido à intensa vida marinha de suas águas tépidas.

E com a crise política no vizinho Egito, que espantou os turistas da famosa Sharm El Sheik, o recanto jordaniano ganhou ainda mais importância e renome.

“Aqui, tudo acaba em festa; você, do Brasil, vai adorar”, previa o guia Mahfouz AlHafize. De fato, é a cidade mais “ocidental” do país, com avenidas arborizadas à beira-mar inspiradas nas vilazinhas da Riviera Francesa e alguns trechos de orla que lembram até mesmo Copacabana.

A areia é escura, é verdade, e biquínis são permitidos somente nas praias dos resorts, como o Movenpick e o Radisson. Ainda assim, o clima é de descontração. Aliás, uma descontração intrigante: a cidade se situa num dos pontos mais estratégicos e críticos do Oriente Médio, a fronteira marinha quádrupla de Jordânia, Egito, Israel e Arábia Saudita.

Os turistas que se bronzeiam na praia podem ver no horizonte, por exemplo, a vizinha cidade de Eilat, no lado israelense. No passado, sua localização ensejou a construção de marcos como o Forte de Aqaba, erguido no século 14 e até hoje o maior ponto de visitação da cidade. Também rendeu célebres batalhas, como na revolta árabe de 1916 contra a dominação turca, mostrada no clássico de Hollywood Lawrence da Arábia.

Alheios às implicações geopolíticas, habitantes e turistas aproveitam não apenas as praias, mas a gastronomia, a vida noturna e as compras do balneário – que, vale dizer, é uma zona franca de impostos e, portanto, repleto de bons preços nas vitrines. Há ruas inteiras tomadas por lojas de ouro e joias, assim como outras onde se encontram sedas, tapetes de todos os tipos e roupas.

Comer bem é marca registrada do lugar. E ninguém precisa ir a restaurantes caros para isso. No Ali Baba, bem na zona turística do balneário, é possível degustar pescados do Mar Vermelho preparados com o excelente azeite de oliva local. É o chamado Sayadieh, prato que vem acompanhado de arroz frito misturado a amêndoas. Ou, ainda, as tradicionais porções de hommus (pasta de grão de bico) e berinjela assada. Tudo pelo equivalente a R$ 30 por pessoa.

Para não falar nas guloseimas vendidas em banquinhas de rua, como a shwarma (carne de carneiro desfiada, servida no pão sírio) ou as frutas secas. O melhor lugar para achar tudo isso é o Souk by the Sea, um mercado a céu aberto na rua Al-Nahda, bem no centro. Não admire se vir o rei parar sua moto por ali para comprar um colar de ouro e degustar um sanduíche…

Petra e Wadi Rum – prodígios do deserto

“Os estrangeiros muitas vezes pensam que a Jordânia se resume a Petra. Apesar de errado, dá para entender a razão, já que o lugar é fora do comum mesmo.” A afirmação pode soar prepotente quando transcrita, mas foi feita sem qualquer arrogância, caro leitor.

Mais uma vez, veio de meu guia Mahfouz, durante a jornada pelo país. E ele tem toda razão. Petra é algo de outro planeta. Um gigantesco complexo de construções esculpidas há 1.900 anos na pedra das encostas, absolutamente escondidas no fundo de um vale.

Para se ter ideia de quão especial é esse lugar, basta dizer que, após ter sido abandonado pelo povo que o criou, os nabateus, e pelos bizantinos, no ano 1106, o complexo desapareceu dos mapas – ficou esquecido, foi encoberto pela areia e muitos passaram a achar que era somente uma lenda. Até ser “redescoberto” em 1812 e trazido à tona a partir de 1949, quando as escavações começaram a retirar milhões de toneladas de areia e revelar suas maravilhas.

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a “cidade de pedra” fica no meio do deserto e só pode ser alcançada a pé, após uma caminhada de meia hora por um estreito cânion, cheio de curvas e desvios que parecem dar em becos sem saída.

No final da trilha, ergue-se o “Tesouro”, nome pelo qual é conhecido o maior e mais famoso nicho esculpido nas pedras. E pasme: não se trata de um palácio ou templo. Os nabateus moravam em casas comuns e usavam as rochas como túmulos. O mais suntuoso cemitério que se tem notícia desde a construção das pirâmides do Egito.

Visitar Petra não exige grande esforço físico, apesar das distâncias – até porque os beduínos da região ganharam do governo permissão para levar os turistas em charretes, o modo mais pitoresco (e cômodo) de conhecer o enorme sítio arqueológico. Sem contar que há bons hotéis nas imediações, como o Movenpick Resort.

Aventura maior é ir até Wadi Rum. Esse nome designa um conjunto de formações rochosas absolutamente intrigantes, bem no meio do deserto do sul da Jordânia. As visitas ali são feitas de jipe, partindo de Aqaba, Amã ou Petra, num passeio sujeito a tempestades de areias e dunas que se movem.

É chamado por muitos de “um pedaço de Marte na Terra”, devido à semelhança que guarda com as fotos enviadas pelas sondas espaciais da NASA. “Para mim, é apenas o Céu na Terra”, diz com ar poético o guia Mahfouz – que em seu currículo tem diversas vidas de viajantes perdidos no deserto salvas ao longo dos anos (é a ele que o governo recorre sempre que alguém some). Ao contrário dos europeus e americanos, ali ele está em casa.

Mar Morto – da guerra ao luxo

Você certamente já ouviu falar do Mar Morto. Seja na Bíblia, seja nas aulas de ciência da escola, esse lago, formado pelo represamento do Rio Jordão, bem no meio da Palestina, sempre ganhou destaque. Não faltam motivos. A começar pelos geográficos. Ele fica 423 metros abaixo do nível do mar. Ou seja, numa enorme depressão, como existem poucas mundo afora.

Depois, há razões científicas para sua notoriedade. O Mar Morto tem salinidade oito vezes maior que os oceanos, fato que impede a vida em suas águas e causa fenômenos bizarros, como a superflutuação (pode-se tranquilamente tirar um cochilo enquanto se boia na água – é virtualmente impossível se afogar ali).

Mas são os motivos históricos e religiosos que botaram esse rincão perdido no deserto no mapa turístico internacional recentemente. Encravado na fronteira entre Jordânia e Israel, o Mar Morto fazia jus ao nome até 1992.

“Aqui só havia bases militares”, lembra Mahfouz, que mesmo orgulhoso de sua ascendência palestina, faz questão de repudiar a violência. Exatamente como pensava o então rei Hussein, ao assinar um tratado de paz com Israel, que mudou os rumos da região. Sem a perspectiva de uma guerra iminente, os tanques e soldados deram lugar a resorts de luxo e turistas europeus, americanos e asiáticos.

Ganharam os muçulmanos, com a afluência de dólares e euros; ganharam os judeus israelenses, que também puderam estabelecer seus resorts na margem oposta; ganharam os cristãos, que passaram a ter acesso a dezenas de pontos de interesse religioso citados na Bíblia.

Atualmente, há cinco grandes resorts ao longo dos 50 km da orla do lado jordaniano. São hotéis de estirpe, como o Movenpick, o Marriot e o Kempinski. Hospedar-se num deles é garantia de deslumbrar-se com o cenário de águas azuis e encostas rochosas caprichosamente delineadas pelo tempo. E também de aproveitar mimos e confortos extremados.

No Kempinski, por exemplo, as diárias incluem laptop, iPod, engraxate e alfaiate. Pode-se relaxar em uma de suas quatro imponentes piscinas, desfrutar dos tratamentos com lama do Mar Morto no spa temático ou simplesmente ver o pôr do sol fumando a shisha (versão local do narguilé), que vem com um cardápio de fumos tão exóticos quanto era de se esperar num lugar assim: de flores de tamarindo a limão com mel, os sabores agradam até mesmo aos antitabagistas.

Há vida também fora dos resorts. Os mais aventureiros podem explorar a Caverna de Ló – o personagem bíblico salvo da destruição de Sodoma e Gomorra – ou desbravar a reserva Mujib – um profundo cânion onde operadores locais de turismo de aventura levam os visitantes para excitantes expedições de rafting e rapel.

“Não há lugar mais cheio de vida que o Mar Morto”, disparou Mahfouz, meu guia, rindo-se do próprio trocadilho. Não dá para discordar.

Betânia e Madaba – orgulho cristão

“Está aqui: leve para sua mãe”, disse gentilmente o guia muçulmano ao me entregar uma garrafinha d’água. “Se ela é católica, vai gostar!” Afinal, não era uma água qualquer, e sim aquela que corre num riacho pela região de Betânia-Além-Jordão.

Segundo arqueólogos e historiadores, foi nesse recanto desértico que João Batista realizou seus batismos dois mil anos atrás. E, portanto, nesse ponto exato Jesus Cristo teria sido imerso em águas sagradas.

Obviamente, é um local de significado especial para os cristãos. Milhares o visitam semanalmente e mais de dez pequenas igrejas foram erguidas à margem do rio, para que os peregrinos possam orar. Algo que demonstra ainda mais o caráter pluralista e tolerante dos jordanianos – na sua maioria islâmicos.

Perto de Betânia, fica outro ponto de romaria dos cristãos: o Monte Nebo. Segundo a crença, foi no alto dessa colina que Moisés ascendeu aos céus no fim de sua vida.

Hoje, há um templo cristão moderno ao lado das ruínas de uma igreja bizantina da Idade Média, além de um memorial dedicado a Moisés e um mirante com vista para toda a região, coalhada de oliveiras e vinhedos.

E se essa porção do território jordaniano apela tanto à religiosidade cristã, não é surpresa ver que existe uma cidade com milhares de católicos, ortodoxos e protestantes. Trata-se de Madaba, onde quase 45% dos habitantes são cristãos.

A atração mais conhecida por ali é o mapa-mosaico da Igreja de São Jorge. Esse templo ortodoxo foi erguido sobre as ruínas de uma capela dos tempos em que os bizantinos dominavam o lugar, no século 6 depois de Cristo.

Descoberto durante a construção da nova igreja, em 1896, o mapa milenar aponta os principais locais bíblicos, desde o Líbano até o Egito. São 16 metros de comprimento e mais de 2,5 milhões de ladrilhos coloridos, formando uma das mais belas obras de arte bizantina já encontradas.

Em Madaba, a gastronomia também é sagrada. A união de duas culturas deu origem a restaurantes que deliciam os turistas, como o Haret Jdoudna – o mais disputado da região. Ele serve a mezza – uma infinidade de petiscos de origem árabe, grega e turca, indo da salada tabule à kafta (espetos assados de carne moída temperada com hortelã e outras especiarias).

Tudo isso numa construção centenária, com paredes de pedra e mesas dispostas entre objetos de arte e artesanato à venda. Na sobremesa, os garçons coroam a refeição com o mohalabieh, um manjar com calda de damascos e figo, servido com licor ou arak.

“O maior pecado que se pode cometer em Madaba é recusar essa sobremesa, não?”, disse eu ao atencioso guia Mahfouz AlHafize, após dias e mais dias de visitas a lugares religiosos e conversas sobre islamismo, cristianismo e outros “ismos”. Ele, na sua sabedoria beduína, apenas sorriu e continuou degustando a doce iguaria jordaniana.

O jornalista Paulo D’Amaro viajou a convite do Jordan Tourist Board (visitjordan.com)