Um tour esportivo na Irlanda – Parte 2

UM MONUMENTO EM FORMA DE ESTÁDIO

O Croke Park é mais que um estádio. Palco de fatos históricos, tornou-se um monumento à independência da Irlanda e uma atração em Dublin

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No meu primeiro dia na Irlanda, fui levado para conhecer o Croke Park – o terceiro maior estádio da Europa, com capacidade para 83 mil pessoas (só perde para o Camp Nou e Wembley). Também é o maior estádio do mundo usado para esportes que não sejam o futebol.

O Croke Park é ainda um dos mais antigos campos de jogo do mundo – construído em 1884. Tornou-se uma espécie de monumento à independência da Irlanda e um ícone turístico de Dublin.

Foi lá que ocorreu, em 1920, um dos mais importantes fatos da história da Irlanda: o Bloody Sunday.

Bem no meio de uma partida de futebol gaélico, a polícia comandada pelos ingleses invadiu o estádio para reprimir as frequentes demonstrações separatistas que ocorriam nos eventos esportivos.

Na confusão, os policiais abriram fogo contra torcedores e jogadores, matando 14 pessoas – entre elas o capitão do time de Tipperary, Michael Hogan.

Hogan virou um herói para os irlandeses depois que o país conseguiu sua independência, em 1921.

O estádio tem tour guiado e um belo museu dos esportes gaélicos. Durante a visita, a emoção era evidente nas palavras de minha guia, Tanya Jordan. Um momento inesquecível de união do esporte com o civismo.

Um detalhe para os fãs de futebol americano que seguem este blog: por todo o seu significado cultural, o Croke Park tem regras rígidas quanto ao uso de seu campo. Por exemplo, partidas de futebol ou rugby nunca são permitidas ali.Mas há uma exceção: o futebol americano.

Sim, é isso mesmo. A verdade é que os irlandeses parecem muito mais voltados à cultura dos Estados Unidos que à do Reino Unido. E para desagrado dos vizinhos britânicos, eles só deixam os ianques pisarem no seu gramado sagrado.

Chicago Bears e Pittsburgh Steelers fizeram uma partida de pré-temporada da NFL ali, em 1997. E vários jogos de college football da NCAA também foram disputados como exibição no Croke Park ao longo dos tempos (veja painéis de fotos).

A TRADIÇÃO ESPORTIVA DE DUBLIN – O mesmo civismo que testemunhei no Croke Park eu pude ver clube Na Fianna, onde é oferecido o programa Experience Gaelic Games, uma experiência muito divertida, para turistas vindos de todo o mundo.

Antes de explicá-la, é preciso entender como funciona a estrutura de times esportivos na Irlanda. Porque é algo muito, muito especial.

Os clubes são, na verdade, “seleções regionais”, que representam os 32 condados da Irlanda. Detalhe: há um 33º condado: o de Nova York (EUA), que agrega jogadores norte-americanos descendentes de irlandeses.

Em outras palavras, os grandes torneios envolvem cidades (ou condados) e toda rivalidade que isso pode produzir.

Outra coisa impressionante: o esporte é amador. Ninguém recebe salário ou prêmios para jogar, mas a estrutura é profissionalíssima, de dar inveja até ao nosso futebol. Eu presenciei equipes infantis com treinando em campos perfeitos, com vestiário, uniformes, vários treinadores…

Quer mais uma surpresa? Os atletas nunca trocam de time. Sim, é isso mesmo. Os jogadores defendem seu condado de nascimento, eternamente. Mesmo que se mudem e vivam em outro lugar do país (ou do mundo).

Por isso, existe uma obsessão pelas categorias de base, tanto no futebol gaélico quanto no hurling. Tanto no masculino, quanto no feminino. Em tempo: o hurling feminino tem nome próprio: camogie.

Meu guia no clube Na Fianna, o treinador Cormac O’Donnchú, é um dos idealizadores do Experience Gaelic Games, um programa de entretenimento e familiarização para estrangeiros, geralmente turistas. Ou seja, uma espécie de clínica esportiva para iniciantes em hurling, futebol gaélico e outros esportes irlandeses.

Cormac me contou com grande orgulho sobre a origem antiquíssima do hurling, que tem seus primeiros registros – acredite – no século 11 antes de Cristo. Um esporte de mais de 3 mil anos.

Ele também me levou para ver um treino infantil e me contou diversas histórias da relação entre a identidade nacional e a GAA – a associação atlética gaélica, a maior entidade de esportes amadores de todo o planeta, com 2.300 clubes afiliados nos 32 condados.

DUBLIN, ALÉM DOS ESPORTES – Com o olhar aguçado, logo percebi que não faltam clubes esportivos em Dublin.

A capital, por sinal, é um recanto que une o melhor de dois mundos: oferece todos os confortos e opções culturais de uma legítima metrópole. Mas tem jeitão de vila do interior, com bairros residenciais muito tranquilos, diversos parques e quase nada de barulho, congestionamentos ou grandes edifícios fazendo sombra na paisagem.

Seus 500 mil habitantes desfrutam de uma qualidade de vida invejável. Fundada pelos vikings ainda na Idade Média, ela se tornou a principal cidade da Ilha após a invasão dos Normandos. Depois, já nos Séculos 18 e 19, tornou-se a segunda maior cidade do Império Britânico e a quinta maior da Europa.

Com a independência do país, em 1922, cresceu rapidamente e hoje é um importante centro de negócios, cultura e lazer.


Geralmente, os brasileiros sabem apenas de seus famosos pubs. Sim, não faltam bares dess tipo (onde a cidade respira hurling e futebol gaélico, vale dizer!).

Mas os museus e pontos históricos me chamaram mais a atenção. Como a casa de Oscar Wilde, a famosa farmácia Sweny, do romance Ulisses, de James Joyce, e a Trinity College, universidade onde se encontram alguns dos manuscritos históricos mais antigos da Europa.

Foi nesse lugar, inclusive, que o cineasta americano George Lucas quis filmar cenas de Star Wars – a Guerra dos Clones. Diante da negativa dos diretores em permitir a entrada de toda uma equipe de produção naquela biblioteca “sagrada”, Lucas não teve dúvidas: fotografou o lugar e construiu uma réplica nos Estados Unidos.


(Veja as outras partes da reportagem)

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