Um tour esportivo na Irlanda – Parte 4 (FINAL)

NA TERRA DOS ANCESTRAIS DE OBAMA

O interior da Irlanda revela surpresas como a vila dos ancestrais de Barack Obama, o centro cultural Michael Cusack, a experiência de jogar hurling e a bela cidade de Ennis

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No meus dois últimos dias da viagem, cruzei o país até o condado de Clare, na costa oeste – um dos mais bonitos recantos da Irlanda, com seus lagos, rios, planícies verdejantes e penhascos dramáticos de frente para o Atlântico.

Clare também é um lugar de grande importância histórica para os esportes e para a independência da Irlanda.

No caminho para lá, fizemos uma parada no vilarejo de Moneygall. Acredite ou não, o grande ídolo deste lugar perdido no interior da ilha é Barack Obama. Sim, a família da mãe do presidente americano veio de lá, e a cidadezinha se orgulha disso, a ponto de ter criado um museu dedicado ao clã Obama – ou melhor, Kearney. Esse é o sobrenome do ancestral que emigrou para os Estados Unidos em 1850. Aliás, Obama já esteve por lá e, claro, tirou muitas fotos com tacos de hurling nas mãos.

O hurling faz parte da história dos condados da costa oeste da Irlanda. É ali, na vila de Sixmilebridge, que fica a Torpey Hurleymakers – a mais tradicional fábrica de tacos do país.

Você deve estar pensando: o que há de interessante para ver numa linha de produção de tacos? Bem, a Torpey Hurleymakers é mais do que isso. No lugar, funciona um pequeno museu, já que os principais astros do esporte em todos os tempos sempre iam (e vão) até lá para coordenar a fabricação de seus tacos. Porque cada um é personalizado, com um grip diferente, com angulações aos gosto do cliente etc..

É muito bacana ver os donos explicando como se fabricam as peças e toda a tradição milenar envolvida (o hurling é um esporte com 3 mil anos de existência!).

Em seguida, partimos para um dos pontos altos de toda a viagem: a visita ao Michael Cusack Centre, nas imediações da cidade de Carron e bem no meio de uma bonita reserva natural chamada The Burren.

Trata-se de um centro cultural e esportivo construído na pequena fazenda onde nasceu e viveu Michael Cusack (1847-1906), o professor que criou a Associação Atlética Gaélica (GAA), o órgão máximo dos esportes na Irlanda até hoje.

Mais do que um “cartola”, Cusack foi um intelectual que resgatou os esportes tradicionais irlandeses e os promoveu como pilares da identidade nacional, em um momento histórico dramático, em que a Irlanda ensejava sua independência da Inglaterra, mas não tinha diferenciais culturais onde se agarrar.

Vale lembrar que os esportes tradicionais gaélicos, como o hurling, chegaram a ser proibidos pelos dominadores britânicos nos séculos 17, 18 e 19 justamente para sufocar as expressões culturais que afastavam a Irlanda do Reino Unido. Por isso, Cusack repudiava o futebol e o rugby.

Cusack foi uma figura tão importante na Irlanda do final do Século 19 que até mesmo o romancista James Joyce se inspirou nele para construir um personagem de Ulysses – ainda que de forma bastante caricata e exagerada.

No Centro Cultural, há um prédio moderno, onde ficam as exposições e onde acontecem eventos. Mas também algumas construções centenárias, como a casa onde Michael Cusack nasceu e passou a infância, bem no meio da terrível “Grande Fome Irlandesa”, o período de sete anos, entre 1845 e 1853, em que uma praga nas plantações de batatas e a má administração britânica ocasionaram uma mortandade de um milhão de irlandeses e a imigração de outro milhão para os Estados Unidos, sobretudo.

A parada seguinte na viagem foi uma das mais divertidas: o Go Gaelic Experience. Esse é um clube que oferece aos turistas estrangeiros a oportunidade de aprender as jogar os esportes nacionais, sobretudo hurling e futebol gaélico. Não precisa ter físico de atleta nem nada. É mais diversão do que outra coisa.

Todos os anos, milhares de estrangeiros (principalmente americanos) se juntam ali para aprender as manhas e disputar partidas contra outros times. É para todas as idades e os organizadores fornecem todos os equipamentos: tacos, uniformes, capacetes etc..

No final, todos vão confraternizar nas tabernas das cidades próximas, como Galway e Ennis.

Eu passei meu último dia nessa última, no espetacular  Old Ground Hotel – lugar preferido por políticos, esportistas e, principalmente, por noivos, que ali realizam seus casamentos, em um cenário digno de filme.

Ennis tem apenas 25 mil habitantes, mas é um lugar turístico, sempre com gente passeando nas suas ruas bucólicas, repletas de lojas, pubs e restaurantes. Foi um importante entreposto de produtos agrícolas nos séculos passados e hoje é famosa por  seus festivais de música tradicional irlandesa, além dos esportes, claro.

É delicioso vagar sem rumo por construções históricas como a Catedral de Saint Peter and Saint Paul ou a Ennis Friary – um mosteiro franciscano que remonta ao ano de 1242.

Sem falar no agradável Cusack Park, no calçadão charmoso da Parnell Street e na caprichada orla do Rio Fergus, que cruza toda a área urbana. Ou, ainda, no delicioso restaurante The Rowan Tree, com vista panorâmica para o rio.

Por sinal, a cidade de Ennis também é citada no romance Ulysses, de James Joyce.

Terminar minha jornada pela Irlanda nesse lugar foi um privilégio. Em 2012 e 2013, a cidade ganhou um troféu chamado Irish Tidy Towns, concedido pelo governo à cidade mais limpa, organizada e agradável do país naquele ano.

Preciso dizer algo mais?


Saiba mais: Ireland Tourism

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