Especial Chile – 7: Patagônia Norte

Ainda pouco explorada pelos viajantes brasileiros, a região de Aysén garante paisagens andinas, glaciares, passeios de barco e a melhor pescaria do país

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Adaptação da reportagem que fiz para a revista Seu Próximo Destino

Você certamente já ouviu falar muito da Patagônia – o conjunto de terras tão inóspitas quanto belas, localizado na porção mais austral da América do Sul. Não é novidade que nessa região de nosso continente encontram-se algumas das mais inspiradoras paisagens do planeta, destino certo de turistas de todos os continentes. O que nem todos sabem é que existem várias patagônias. Ou melhor, a Patagônia se divide em diversas partes, cada qual com sua peculiaridade.

Cerca de 75% de seu um milhão de quilômetros quadrados estão na Argentina, e 25% no Chile. Neste último, ela ainda se divide em Patagônia Sul e Norte. A porção do sul, famosa pelo Parque Torres del Paine, já entrou faz tempo para o rol de destinos turísticos internacionais. A região norte, por sua vez, muito mais difícil de alcançar, permanece menos conhecida e, por isso mesmo, mais desafiadora. Com cenários que parecem tirados de um filme de ficção científica, a Patagônia Norte, no Chile, será certamente um must entre os viajantes que amam natureza nos próximos anos.

O isolamento garante a preservação das paisagens mais belas: só é possível chegar à Patagônia Norte de avião, no diminuto aeroporto de Balmaceda, na região de Aysén. Mas isso não quer dizer que só exista mato por ali. Há uma cidade com mais de 60 mil habitantes, comércio variado, bons restaurantes, opções de hospedagem e até cassino. E mesmo no meio da natureza, é corriqueiro se deparar com excelentes lodges e hotéis de natureza.

 

O espetáculo do gelo

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A atração mais espantosa desse recanto chileno é o glaciar que se descortina na Laguna San Rafael. Trata-se de uma gigantesca porção do Campo de Gelo Norte que invade uma lagoa em meio aos fiordes típicos da região. Vale lembrar que o Campo de Gelo Norte é a segunda maior calota gelada do mundo fora das regiões polares, assentada por entre os picos da Cordilheira dos Andes, com 120 km de comprimento e 70 km de largura.

Chega-se até o glaciar após um passeio de 5 horas em um agradável catamarã motorizado, o Chaitén, que abriga 100 pessoas e parte da pequena vila de Puerto Chacabuco. O barco cruza fiordes e termina onde um belíssimo fenômeno da natureza acontece: a queda dos gelos milenares do glaciar.

Os espetaculares desprendimentos são acompanhados pelos turistas em botes alçados ao mar desde o catamarã. Por cerca de uma hora pode-se navegar pela borda do glaciar e fotografar a paisagem inconfundível. Depois, no caminho de volta, o staff do hotel serve aos passageiros o “whisky 1012 anos” – 12 da bebida e mil do gelo.

 

Hospedagem de primeira

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Pelos fiordes, pode-se apreciar a vida selvagem na forma de santuários de aves, toninhas (um parente do nosso boto) e muitos lobos marinhos preguiçosos, tomando sol nas margens.

Por sinal, esses simpáticos animais deram nome ao principal hotel da região, o Loberias del Sur. É dali que partem os passeios de catamarã para a Laguna San Rafael, assim como diversas outras excursões, como as caminhadas pelo Parque Aysén, uma reserva natural onde se pode conhecer boa parte das espécies vegetais exclusivas da região.

O hotel está a duas horas do pequeno aeroporto de Balmaceda. São 60 quartos duplos e mais 60 individuais, todos amplos, com banheiras, wi-fi gratuito e decorados com madeira nativa da região. Para quem viaja em família, muitos são conectados, sem contar os preparados para portadores de deficiência física.

A gastronomia se destaca, nessa região adorada por pescadores do mundo todo graças aos rios repletos de trutas enormes e braços de mar com outros peixes desafiadores. O Hotel conta com um restaurante de comida internacional, o Chucao, que prepara bons pratos da cozinha patagônica, como cordeiro, peixes e carnes. Sem falar nos frutos do mar (a região de Aysén fica relativamente perto da famosa Ilha de Chiloé) e, claro, da boa carta de vinhos chilenos. Quem está hospedado tem à disposição ainda loja de artesanato, uma ampla academia de ginástica, sauna seca e uma piscina indoor aquecida, com nichos de hidromassagem.

Mas, a despeito do conforto interno, ninguém vai ao Loberias del Sur para ficar dentro de suas instalações. O hotel oferece atividades como visitas à reserva eco-turística Aikén Del Sur, passeios a cavalo, excursões de pesca, rafting, trekking, city tour em Coyhaique e Puerto Aysén, entre outros.

 

Capelas de mármore

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Se o glaciar encanta, há, por outro lado, atrações que intrigam. É o caso das Capillas de Mármol (Capelas de Mármore). Essas formações rochosas absolutamente incomuns ficam nas margens do Lago General Carrera – o segundo maior da América do Sul.

Chega-se pela água também a essa atração, mas agora em pequenos barcos a motor que partem das imediações de Puerto Rio Tranquilo. Uma vez nas “capelas”, a sensação é de estar em cavernas caprichosamente esculpidas em mármore claro, formando um cenário de ficção científica, conforme elas se despenham pelas entranhas das encostas. Formaram-se durante milhões de anos, devido à erosão glacial e das águas do lago.

Não muito longe dali fica um dos mais agradáveis vilarejos para quem quer relaxar. É Puerto Guadal, nas margens do mesmo Lago General Carrera. Ponto de partida para expedições de pesca e trekking, essa comunidade de 600 habitantes tem restaurantes e bons hotéis, como o Terra Luna Lodge, conduzido por Philippe Reuter, um alpinista francês que se apaixonou pela região e decidiu se estabelecer por ali.

Do Terra Luna partem expedições cheias de adrenalina em lanchas de alta velocidade. Os jet boats, como são chamados, percorrem corredeiras e canais a até 70 km/h, levando os visitantes a pontos de onde se tem visão privilegiada das montanhas que cercam o Campo de Gelo Norte.

 

Pesca privilegiada

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A Patagônia Norte se tornou na última década um destino top para os fãs da pesca esportiva. É comum se deparar com americanos e europeus pelos rios da região, em busca de trutas, salmões e outras espécies de peixes – sempre enormes.

Na parte mais austral desse território, próxima ao Rio Baker (o maior do Chile em volume d’água) proliferam os lodges com toda a estrutura para quem deseja pescar – dos equipamentos para alugar e vender aos barcos que levam aos melhores pontos.

Mas não pense que se trata somente de alojamentos simplórios a exemplo do que se vê no Brasil. Há opções mais rústicas, mas também outras luxuosas, em que o eventual pescador pode, sem peso na consciência, deixar sua família relaxando junto à natureza.

É o caso do Green Baker, às margens do Rio Baker. Todas as suas cabanas, além de confortáveis e amplas (para famílias), possuem TV por satélite, internet wi-fi, aquecimento a gás e varandas voltadas para o rio.

Para os familiares que não forem nas sessões de pesca, há opções de lazer como passeios de caiaque, jet boat, mountain bike, cavalos, rafting, trekking e tirolesa.

 

Coyhaique e suas delícias

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Apesar de boa parte das atrações estarem atreladas aos lagos e braços de mar, há boas estradas locais – inclusive a famosa Carretera Austral –  que permitem viajar entre os principais pontos turísticos.

Imperdível, por exemplo, trilhar a Rota 7 ao sul de Balmaceda, de onde se avista o imponente Cerro Castillo. Ele nem é tão alto: seu cume atinge 2600 metros acima no nível do mar. Mas seus contornos são absolutamente únicos, lembrando um castelo medieval.

É possível alugar carro e desvendar por conta própria todos os recantos da Patagônia Norte. Mas a forma mais confortável e segura, contudo, é contratar uma das operadoras locais – já que nem sempre as atrações são fáceis de achar e ficam muito longe umas das outras. Agências como a Tehuelche Patagônia Tour dispõem de vans confortáveis, que levam os turistas e ainda garantem petiscos e bebidas no caminho – sem contar, claro, o trabalho dos bons guias turísticos. Há, inclusive, passeios específicos para viajantes da terceira idade ou para pescadores experientes.

A base de partida de todos os tours é a cidade de Coyhaique. Com seus 60 mil habitantes, é a principal área urbana da Patagônia Norte. E se trata de um lugarejo surpreendente: bons hotéis, comércio variado, ótimos restaurantes. Até cassino tem: o da rede Dreams, anexo ao hotel de mesmo nome, onde, além de jogar, o turista pode ver shows variados.

O centrinho muito bem arrumado e asseado é repleto de lojinhas de produtos que vão de artesanato indígena a roupas para esqui e equipamentos de pesca – passando por doceiras, cafés charmosos e butiques. E a gastronomia merece ser experimentada. Há restaurantes como o La Casona, de aparência familiar, mas com cozinha de primeira linha. Ele serve delícias como a Palta Cardenal – uma entrada feita com lagostins e molho de abacate. Sem falar nos filés com quase 3 centímetros de espessura, acompanhados de legumes e do famoso molho apimentado chileno aji.

Quanto à hospedagem, há 17 opções, que vão desde hostels simples (mas limpos e charmosos) até o luxuoso Dreams, com seu cassino. Para quem, no entanto, quer ter o conforto da cidade, mas de cara para a natureza, a pedida são as pequenas guesthouses e hospedarias da Carretera Austral, a estrada que leva aos pontos turísticos. Uma dica é o hotel Tehuelche, à beira de um desfiladeiro e com visão inigualável do vale que envolve a cidade. Quase todos os quartos têm vista panorâmica e o ambiente caseiro cria um clima pra lá de hospitaleiro – como, aliás, é regra nesta região tão privilegiada do sul do Chile.

Crédito das fotos: Paulo Mancha / Divulgação- Hotéis

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Saiba mais: http://chile.travel/pt-br/

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