Raramente faço um post “polêmico”. Hoje, decidi abrir uma exceção e falar da indigência cultural que vigora em nosso turismo interno.
Ou… chega de “praia, cerveja e balada”!

Algum tempo atrás, fiz uma enquete no Facebook. A pergunta era: “Você sabe o que é a Coluna Capitolina?”
Dentre os 100 primeiros a responder, apenas 3 sabiam. E 97 pessoas ignoravam completamente.
Agora, se você perguntar: “Você sabe o que é o Carnatal?“, certamente uns 90% responderão corretamente.
Calma, caro leitor, eu não vou escrever aqui um textão sobre as mazelas educacionais do Brasil que levam a essa lamentável distorção, a essa desanimadora pobreza cultural.
Mas quero, sim, usar este espaço para criticar a indústria do turismo, principalmente as secretarias de turismo e também as chamadas agências de receptivo.
E o mais importante: convencer VOCÊ a cobrar de ambas um trabalho melhor e menos óbvio.
A questão toda é essa: o Brasil está cheio de atrações históricas e culturais praticamente desconhecidas, em boa parte porque nosso turismo só pensa em praia, cerveja e balada.
Vide o exemplo que dei aí no começo: ambas as atrações ficam em Natal (RN). Mas uma todo mundo conhece: a micareta Carnatal. Enquanto a outra, quase ninguém ouviu falar: a Coluna Capitolina.
Me desculpem, mas ter um pedaço da Roma Antiga no seu país e não saber é muito surreal.
Desde 2007, quando comecei a me interessar pelo tema do turismo histórico-cultural, passei a cobrar das agências de turismo receptivo informações e passeios desse tipo.
Infelizmente, a grande maioria dos guias que acompanham viajantes brasileiros não sabe quase nada de História.
Às vezes, decoram algumas coisas para recitar no city tour, mas, se você inquiri-los a fundo, verá que é só decoreba mesmo. Os tours sempre giram em torno de praia, cerveja e balada. E umas comprinhas.

Lembro-me de, involuntariamente, dar uma “aula” sobre a história da presença dos americanos em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial, para a guia de turismo que acompanhava um grupo num ônibus de uma grande operadora nacional.
Era constrangedor o (baixo) nível de conhecimento que a moça tinha da história de sua própria cidade.
Enquanto isso, o ônibus seguia para a praia disso, praia daquilo, praia num sei o que e, finalmente, para o bar do fulano ou para a lojinha da sicrana!
Praia, cerveja, balada… Praia, cerveja, balada… E umas comprinhas.
Sério, eu conheço Natal e o Rio Grande do Norte. O lugar é muito mais do que isso.
E esse é só um exemplo. A mesma coisa acontece em maior ou menor grau em São Paulo, Rio, Bahia, Goiás, Paraná…
As secretarias de turismo estaduais e municipais também não colaboram. Atrações históricas e culturais são tratadas como elementos de segunda categoria, relegadas a textinhos burocráticos e minúsculos nos seus sites.
E, o que é pior, deixadas ao abandono e à degradação na prática.
Isto precisa mudar.
Talvez este post mexa com os brios das agências de turismo receptivo. Ótimo! Prefiro que me xinguem, desde que, lá no fundo, fique plantada uma semente de dúvida.
E que essa semente germine e promova alguma melhora no nível cultural dos city tours e excursões oferecidos.
Quanto aos órgãos de estados e prefeituras, eles só vão dar valor ao patrimônio na medida em que a sociedade pressionar. E por “sociedade”, entenda-se “turistas + agências de receptivo + jornalistas do meio” .
É o que faço neste momento. Quem me acompanha nessa?
No próximo post, algumas atrações brasileiras que poderiam ser muito exploradas, devido à sua riqueza histórico-cultural. Inclusive a tal “Coluna Capitolina“. Aguarde!






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