MITOS DE VIAGEM – PARTE 2

Nesta semana, escrevo sobre coisas que os brasileiros “aprenderam” sobre viagens ao exterior, mas que nem sempre são verdades. Dividi o post em 4 partes.  Aqui a segunda parte!

6) Tenho um amigo lá, ele vai me guiar pra todo lado!

annoying-guyVerdade? Imagine o contrário: seu amigo estrangeiro vem para sua cidade com a ideia de que você ficará à disposição para levá-lo a todos os cantos. E o seu trabalho, como fica? E a sua escola? E o dinheiro que você gastará com coisas e lugares que já conhece? E se tiver que viajar para outros cantos do país? E a sua liberdade de fazer o que bem entender? Pois é… Se você acha que seu amigo pretende se submeter a tudo isso, saiba que, com raras exceções, os estrangeiros são mais assertivos que nós, brazucas, na hora de dizer um “não” ou um “vire-se”. Isso não quer dizer que seu amigo não possa ir a um ou outro lugar com você.  Mas, se você quer um guia, contrate um profissional. Eu aprendi isso “na marra”, numa viagem para o Canadá, em que fui abandonado por uma amiga local e fiquei ali na cidade dela sem saber muito bem o que fazer. Isso me chateou na época, mas hoje vejo que ela tinha toda razão. Agora, o que você pode e deve fazer é pedir recomendações ao seu amigo estrangeiro. Provavelmente ele lhe montará um roteiro dos melhores.


7) Vou comprar lá porque é bem mais barato!

shoppingEssa é uma questão muito complexa. Se você vai viajar a lazer, para fazer turismo, talvez realmente valha a pena comprar algumas coisas que são mais baratas no exterior do que aqui. Mas isso só se a loja estiver no seu caminho. Porque eu vejo gente viajando aos EUA só para fazer compras. Ou mudando roteiros e incluindo cidades ou bairros distantes apenas por causa de outlets e afins. Será que a economia compensa a passagem aérea? O deslocamento interno? Os taxis e ônibus? A trabalheira? E o mais importante: e se a alfândega brasileira te flagrar com mais do que os parcos US$ 500 de limite? Um exemplo meu: certa vez um conhecido pediu que eu comprasse um produto que custava o equivalente a R$ 100 nos EUA, enquanto no Brasil era o dobro – R$ 200. Acontece que a loja ficava muito longe de meu hotel, eu não tinha tempo nem disposição para pegar três ônibus. Acabei indo de táxi. Gastei o equivalente a R$ 150 nessa brincadeira. Ou seja, no cômputo total, ainda rolou um prejuízo de R$ 50. Fique atento a isso.


8) Sou brasileiro, todo mundo me ama…

brazilHummm… não é bem assim. De fato, muita gente nos adora. Diga a um taxista na Espanha que é “brasileño” e baterá um longo e animado papo sobre futebol. Em Miami, porém, sua experiência pode ser bem diferente… Isso porque o brasileiro não está acostumado a dar gorjetas. Na Espanha, isso não é problema. Já nos EUA, é uma ofensa… E não é só a questão da gorjeta para taxistas, bartenders e carregadores. Há outras questões. Em hotéis e restaurantes de Orlando, brasileiros são muitas vezes vistos como bagunceiros e indisciplinados. Em cruzeiros então, mais ainda. Sem contar aqueles locais que receberam muitos imigrantes humildes nos anos 70, 80 e 90 e que, por isso, costumam nos encarar como “invasores”. Boston e Paris, por exemplo. Num shopping estiloso da Flórida, certa vez, uma vendedora (possivelmente cubana, pois falava em espanhol) perguntou se podia me ajudar e eu respondi que só estava dando uma olhadinha. A tréplica dela foi desconcertante: “Vocês brasileiros só olham mesmo. Na hora de comprar, vão naqueles outlets de segunda categoria…”


9) Viajar sozinho é deprimente…

happyMe desculpe, mas se você pensa assim, precisa resolver seus problemas internos… O navegador e aventureiro Amyr Klink disse uma frase que eu considero genial: “Eu me sentia mais solitário cercado de 50 colegas nas aulas da faculdade do que quando estava na Antárctica, a uns mil quilômetros do ser humano mais próximo”. Solidão não tem nada a ver com companhia. Algumas das experiências de viagem mais deliciosas que tive foram sem ninguém do lado. E algumas das mais terríveis foram com um grupo de pessoas a tiracolo. Viajar sozinho garante a liberdade de fazer o que você quiser, na hora em que quiser, onde quiser e por quanto tempo quiser. Deu vontade de acordar mais tarde? Ninguém vai te perturbar. Quer fazer um programa maluco? Não precisa ficar convencendo ninguém. Se encheu do lugar onde está? Pode ir embora sem brigar com os amigos. Sem contar que, na vida estressante dos dias de hoje, ficar sozinho pode ser uma bênção. Eu consigo formular e reformular muitos conceitos, valores e planos nas minhas viagens solo – coisa impossível quando há alguém roubando sua atenção. Uma boa companhia é sempre bem-vinda. Mas nunca esqueça que o foco de qualquer viagem é o lugar e as pessoas que vivem lá, não quem vai com você.


10) Balada é balada em todo lugar

clip-art-disco-819340Não. Definitivamente, não. Na minha primeira viagem à Suécia – um dos países mais liberais do mundo -, fui chamado pela minha guia brasileira para um canto antes de ir a uma balada de Estocolmo. Ela me disse o seguinte: “Aqui não existe paquera à moda brasileira. Se você chamar uma garota para dançar e ela aceitar, ótimo. Se ela continuar dançando com você, é provável que ela te leve para casa ou para o seu hotel e vocês acabem passando a noite na cama. Mas se ela disser ‘não’, isso significa ‘não’ e pronto. Não é charminho. Se você insistir ou tocar nela, ela vai chamar o segurança”. Outra experiência bizarra que tive foi no Canadá. Logo na minha primeira noite em Halifax, fui a uma discoteca. Lá pelas tantas, cansado da viagem, sentei no balcão do bar e cochilei. Não deu outra: fui educadamente convidado a me retirar. A explicação é que, se eu dormi, é porque estava bêbado. Não adiantou eu argumentar que não havia tomado nada alcoólico (e não havia mesmo!). Regras da casa: cochilou? Rua! Fui imediatamente escoltado para a calçada… Por isso, pesquise bem os costumes do lugar aonde você pretende ir. E evite chateações.


Veja as outras partes:

MITOS DE VIAGEM – PARTE 1

MITOS DE VIAGEM – PARTE 3

MITOS DE VIAGEM – PARTE 4

3 opiniões sobre “MITOS DE VIAGEM – PARTE 2”

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