Todos os posts de Paulo Mancha

Jornalista especializado em turismo, foi editor chefe da Revista Viajar pelo Mundo e repórter das revistas Terra e Próxima Viagem. Desde 2003, fez mais de 50 reportagens internacionais e, em 2012 e 2014, foi agraciado com o Prêmio de Melhor Reportagem da Comissão Europeia de Turismo. Comentarista esportivo do canal ESPN, Paulo decidiu unir neste blog as duas paixões: viagens e esportes.

Orlando: um lugar para fãs de aviões

Fantasy of Flight fica em Polk City, a apenas 40 minutos de carro da Disney, e é obrigatório para quem curte máquinas voadoras!

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Vou falar a verdade: eu adoro Orlando, sobretudo as atrações que vão além dos parques de diversões.

É uma pena que nossos turistas não percebam isso. Quer um exemplo de atração totalmente desconhecida dos viajantes tupiniquins? A apenas quarenta minutos de carro de Downtown Disney World, fica o incrível Fantasy of Flight, na cidadezinha de Polk City.

O Fantasy of Flight é um dos mais lúdicos e divertidos museus de aviação do mundo. No seu interior, há mais de 100 aeronaves históricas – das traquitanas esquisitas inventadas pelos contemporâneos de Santos Dumont aos caças da Segunda Guerra Mundial, como o  North American P-51D.

Sem falar nos jatos que mudaram a história do mundo, como o Lockheed Constellation – avião que esvaziou a indústria dos transatlânticos, deixando-a a ver navios…

Não bastassem os aviões de verdade, há réplicas em miniatura, dioramas, reconstituições de guerra, lanchonete temática, sala de cinema, brinquedos e uma lojinha que deixa a criançada maluca (e os pais mais pobres…).

Confira as fotos que tirei no Fantasy of Flight:

Onde fica: 1400 Broadway Blvd SE  Polk City, Flórida (a 40 minutos da Disney)

Ingresso: US$ 29

Saiba mais: Fantasy of Flight

Tour para ver NFL e NCAA em outubro

Cada vez mais as agências especializadas em esportes levam brasileiros para ver jogos de futebol americano nos Estados Unidos

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Quem acompanha o blog sabe que eu sempre cito as empresas especializadas em levar brasileiros para ver jogos da NFL.

Hoje, a dica vem lá dos Estados Unidos. Falo da 10 Jardas, um misto de site de esportes e agência de turismo que todo ano promove uma “football tour”.

Apesar de sediada em Orlando, nos Estados Unidos, a 10 Jardas é dirigida por um casal de brasileiros, a Francine e o JP. Por isso, uma viagem com eles tem a conveniência do português como língua oficial.

Este ano, eles estão organizando uma viagem de 11 dias e 9 noites, incluindo 3 jogos da NFL e um da NCAA:  Tampa Bay Buccaneers x Baltimore Ravens (em Tampa), New England Patriots x New York Jets (Foxborough), Jacksonville Jaguars x Cleveland Browns (Jacksonville) e  UCF Knights x Tulane Green (Orlando).

O preço (sem passagem aérea) é de US$ 2.680 (ou 10 Parcelas de US$ 306 no cartão de crédito) e inclui diversas hospedagens, ingressos para os jogos, transporte, seguro viagem e algumas refeições.

 

Saiba mais: Tour 10 Jardas 2014

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Grã-Bretanha para quem ama futebol

Pensando em ir à Terra da Rainha? Conheça as opções para quem ama futebol – dos jogos da Premier League aos museus dos times

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Eu já havia postado sobre isto, mas decidi repetir a dose, a pedidos! O Visit Britain – entidade oficial de turismo da Grã-Bretanha – divulgou algum tempo atrás programas bem legais para os fãs do esporte na terra natal do futebol. As atividades abrangem desde assistir a uma partida da Premier League, até percorrer o túnel dos jogadores em uma excursão por um estádio. Ou, ainda, cobrar um pênalti no Museu Nacional do Futebol, em Manchester. Confira:

Premier League – As partidas ocorrem de agosto a maio. A Thomas Cook Sport vende ingressos de nove clubes da Premier League para visitantes do exterior, incluindo Thomas Cook Sport Manchester United, Chelsea (em Londres), Everton (em Liverpool) e West Bromwich Albion (em Birmingham), entre outros.

Mas vale a pena ficar de olho também nas partidas da segunda ou terceira divisão, ou até mesmo de outras ligas como Scottish Premier League. É mais fácil conseguir ingressos e a maioria dos estádios fica no centro das cidades, portanto é fácil chegar de trem. Se você ficar em cidades como Sheffield, Glasgow, Newcastle, Manchester ou Liverpool, é possível reconstituir a história de rivalidade e intriga que gira em torno dos clubes separados por poucos quilômetros de distância.

Saiba mais: www.thomascooksport.com

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Visita aos clubes – Se não der para assistir a um jogo, sempre há a opção de visitar algum estádio em excursões a clubes como Tottenham Hotspurs ou Arsenal em Londres, que podem ser reservadas na loja online do VisitBritain.

No Arsenal, por exemplo, é possível conhecer os bastidores com guia em áudio (disponível em vários idiomas, inclusive português), ver onde os seus astros favoritos penduram o uniforme no vestiário, dar uma olhada no campo através do túnel, imaginar os brados da multidão de torcedores e visitar o museu. Ainda melhor é participar das excursões com lendas do futebol, nas quais o guia pode ser Charlie George (membro do time vencedor da Copa da Inglaterra de 1971) ou o capitão Kenny Sansom, vencedor da Copa da Liga de 1987.

Muitos fãs também visitam o histórico estádio de Wembley, onde, além do futebol, há concertos de música transmitidos para o mundo todo. Você pode subir os 107 degraus e fazer de conta que está recebendo o troféu do time vencedor das mãos do primeiro-ministro, sentar-se no camarote real ou na frente da mesa do técnico, para uma entrevista coletiva, como acontece no final de cada partida.

Há vários outros clubes que oferecem excursões aos estádios, como Manchester United, Bolton Wanderers, Middlesbrough, Celtic em Glasgow e o estádio Liberty em Swansea (País de Gales), sede do Swansea City FC, que acaba de entrar na Premier League. Se visitar o Celtic, confira o Museu do Futebol escocês em Hampden, cujas 14 galerias apresentam a tradição única que alimenta a paixão dos fãs ao norte da fronteira.

E, claro, há o Liverpool, que já abordamos aqui no blog.

Museu do Futebol – Se você for para Manchester, vale a pena visitar o Museu Nacional do Futebol, que se tornou um sucesso desde sua abertura no ano passado, até mesmo entre os que não são fãs de futebol.

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O melhor de tudo é que a entrada é gratuita, com exceção de algumas atrações interativas. Depois de passar pelas catracas, a exposição revela a história do esporte e o motivo pelo qual o futebol tem raízes profundas na alma britânica. A Galeria da Fama celebra os maiores clubes, times e jogadores. Você pode tentar marcar um gol de pênalti e depois compartilhar seu placar com os amigos pela internet, descobrir como a mídia relata o que acontece dentro e fora do campo, assim como explorar a relação entre futebol e moda.

Saiba mais:

www.visitbritainshop.com
www.nationalfootballmuseum.com
www.scottishfootballmuseum.org.uk
www.wembleystadium.com

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Acesse www.visitbritain.com/football para obter mais informações sobre como apreciar o futebol na Grã-Bretanha.

 

Glamour desde 1852

MONT CERVIN PALACE – Zermat (Suíça)

Situado em Zermatt, um dos mais idílicos pontos turísticos dos Alpes, este hotel esbanja conforto e charme, de frente para o Monte Matterhorn

 

Na minha visita à célebre cidadezinha de Zermatt, nos Alpes Suíços, fiquei hospedado em um hotel que, por si só, é uma atração turística. Inaugurado em 1852, o Mont Cervin Palace é uma testemunha da história turística dos Alpes. Nesse tempo todo, passou de uma hospedaria de 14 quartos para um imponente resort com 165 habitações

Além disso, tem restaurantes premiados, estrutura completa para esquiadores e serviço ultracorreto. Para não falar nos atuais proprietários, o casal Karin e Kevin Kunz, que faz questão de bater papo com os hóspedes, conhece-los a ponto de chamar pelo primeiro nome e até esquiar com eles.

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Uma piscina fora de série – Mas o que mais me impressionou foi a piscina. Ampla, bonita e com água a 36 graus, ela tem uma parte indoor e outra ao ar livre, no meio da neve. Ambas são ligadas por um pequeno túnel e dos dois lados há jatos de hidromassagem e iluminação subaquática. Nada mais exótico e delicioso que curtir um banho quentinho à noite, sob o céu alpino estrelado, com temperatura de 5 graus abaixo de zero.

Há 3 tipos de acomodação: alpine, chalet e chalet family. Os quartos alpine são modernos e superaconchegantes, com detalhes como cafeteira nespresso, varanda e sala de estar, além de banheira. Os da categoria chalet são de estilo rústico, em madeira, e com todos os “mimos” que você acha no alpine. E o chalet family é bem maior, para famílias, como diz o nome. Por isso, tem até cozinha e copa.

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Restaurantes premiados – Quanto à gastronomia, o Mont Cervin Palace oferece três restaurantes simplesmente fantásticos. O Le Restaurant tem jantares de gala semanais. O Grill Le Cervin é especializado em carnes e fica em um salão que lembra os grandes banquetes dos filmes de Hollywood. Já o Capri, de cozinha mediterrânea, ganhou 16 pontos do renomado guia Gault Milau (o máximo é 20) e foi agraciado com uma estrela pelo guia Michelin. Precisa dizer mais?

IMG_4045E, claro, não é preciso dizer que o hotel tem toda a estrutura para os esquiadores – dos locais para guardar equipamentos ao transporte até os pontos de acesso às pistas de esqui.

 

Mont Cervin Palace Bahnhofstrasse 31, Zermatt, Suíça – visitado em janeiro de 2014

  • Diárias: a partir de 361 francos suíços (baixa estação)
  • Para crianças? Sim, para aprender a esquiar
  • Romântico? Sim, muito.
  • Natureza? Sim, numa das mais belas regiões alpinas
  • Vistas panorâmicas? Sim, para o Monte Matterhorn
  • Esporte? Esqui, snowboard, bike, trekking
  • Conforto (de 1 a 10): 10
  • Gastronomia (de 1 a 10): 10
  • Spa (de 1 a 10): 8
  • Hospitalidade (de 1 a 10): 10
  • Passeios (de 1 a 10): 10

Saiba maiswww.montcervinpalace.ch

Wimbledon: para fugir da Copa

Em pleno mês de Copa do Mundo acontece o tradicional torneio de tênis de Wimbledon. Uma opção para quem quer fugir da bagunça no Brasil

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Se você é fanático por tênis ou simplesmente quer uma boa opção de viagem com esporte para fugira um pouco do clima de Copa do Mundo, lembre-se: de 26/6 a 6/7 tem Wimbledon.

Justamente por conta da Copa, este ano está mais fácil conseguir ingressos para o evento. Detalhe: a final feminina cai no sábado, dia 5 de julho, mesmo dia das quartas de final da Copa. Mas a final masculina, no dia seguinte, não coincide com nenhum jogo do Mundial.

Duas agências brasileiras têm pacotes para Londres. A Faberg Tennis Tours oferece três opções, respectivamente, para as rodadas iniciais, intermediárias e finais. Os pacotes incluem duas sessões de ingressos, acesso à melhor área de hospitalidade VIP do complexo, 5 noites e 6 dias de hospedagem com café da manhã e taxas inclusas, transfers exclusivos, seguro viagem e entrega dos ingressos no Brasil. Os preços são a partir de 3985 libras.

Já a Mundo Tênis oferece pacotes completos ou sob medida, conforme preferência do viajante. Os lugares no complexo são sempre nas alas Vip, nas fileiras mais baixas das quadras Central e Court 1, onde acontecem os principais jogo. A agência só fornece preços e mais detalhes sob consulta.

Saiba mais:

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A maratona do Aconcágua

 Que tal visitar a capital dos vinhos na Argentina e ainda participar de uma corrida por uma das mais belas regiões montanhosas do mundo?

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Você certamente já ouviu falar do Monte Aconcágua, a mais alta montanha das Américas, com 6.962 metros de altitude. O que nem todo mundo sabe é que, ao redor dele, á um parque nacional argentino repleto de cenários belíssimos e totalmente accessíveis aos pobres mortais que não sabem escalar montanhas. Eu já escrevi um pouco sobre essa região nesta matéria.

Pois bem, os argentinos decidiram unir a vocação turística do Aconcágua com o esporte. Em novembro, ele será cenário da Ultra Maratona. Serão duas modalidades esportivas:  uma prova de 25 quilômetros (para atletas com pouca experiência) e um percurso de 50 quilômetros (voltado a corredores de elite ou com experiência em montanha).

Mesmo que você não seja lá de correr, vale pena visitar o  Parque Provincial Aconcágua, que fica a apenas 2 horas de carro de Mendoza – a deliciosa capital dos vinhos na Argentina.

Uma agência brasileira, a Turismo sob Medida, já tem pacotes de viagem que mesclam turismo e atividade física. Os programas custam a partir de US$ 722 e incluem estadia, traslados e apoio (este preço não inclui passagem aérea). A organização da corrida ainda garante um kit de produtos para os corredores, palestra técnica, jantar de carboidratos (especial para atletas) e uma festa na montanha.

Uma bela oportunidade de correr em um cenário único e ainda aproveitar um dos lugares turísticos mais bacanas da Argentina.

Saiba mais:

Kilimanjaro: viagem ao teto da África

O empresário Roberto Nedelciu, da Raidho Tour Operator, conta sua impressionante jornada ao topo do Monte Kilimanjaro, norte da Tanzânia

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Texto e fotos: Roberto Nedelciu*

O Monte Kilimanjaro é o ponto mais alto do continente africano. O nome vem de Kilima Njaro, que significa “montanha brilhante”, no idioma kiswahili.

Com uma altitude de 5.895 metros no Pico Uhuru, não tem nada de “monte”. É um vulcão extinto, com o topo coberto de neves, que se ergue no meio da savana ao norte da Tanzânia, junto à fronteira com o Quênia.

Minha fascinação por este ícone imortalizado pelo escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961) começou em 2008. Após anos admirando e planejando uma viagem ao local, consegui realizá-la em outubro de 2011.

A viagem começou, na realidade, um ano antes, com diversas pesquisas da melhor rota e orçamentos. Aproveitei também para convidar alguns amigos.

O interessante é que, ao ouvirem os meus planos de realizar o trekking até o topo do Kilimanjaro, as pessoas tinham duas reações. A primeira era: “Muito legal, mas não é para mim”. A outra, “Você é louco, vai morrer”.

Mas nada que pudesse me desencorajar. Eu estava decidido e, no final, conseguimos um grupo de 11 pessoas, sendo sete homens e quatro mulheres, todos entre 35 e 54 anos.

MAPAKILIA viagem é feita via Johanesburgo, na África do Sul. Após 8 horas de voo, pegamos uma conexão de mais cinco horas até Nairóbi, no Quênia, e, em seguida, outra de apenas uma hora até Moshi, já na Tanzânia.

Depois de um rápido descanso em Moshi, no dia seguinte cedo conhecemos nosso guia, Emmanuel, e sua equipe, com mais quatro pessoas, que iriam subir conosco.

Após carregarmos o ônibus com todo nosso equipamento, partimos em direção ao inicio da rota Rongai. Não é um caminho muito popular. Trata-se de uma rota mais selvagem, a única do lado norte da montanha, com algumas cavernas muito interessantes pelo percurso.

O momento tinha chegado e todos estavam ansiosos pelo início. Em Rongai, uma aldeia que fica a 1.950 m de altitude, perto da fronteira do Quênia, a temperatura era de 34oC, mas vista da planície Maasai era espetacular.

Ajudantes africanos – Em Moru Nale, pequena aldeia próxima a Rongai, os guias contrataram trinta e dois carregadores, que ficaram responsáveis por levar todos os nossos equipamentos, incluindo barracas, panelas, mantimentos e até fogão para o alto da montanha. Eles também preparariam as refeições.

A caminhada até o topo é dividida em cinco partes e cada uma tem características diferentes de vegetação, geografia e temperatura.

Começamos em meio algumas lavouras e logo a paisagem mudou para uma floresta tropical com muitos animais selvagens, a maioria macacos.

Começo suave – Nesta etapa, a trilha era suave, não muito íngreme. Durante todo o caminho víamos os carregadores, inclusive mulheres, levando bagagens enormes e pesadas, mas eles nos ultrapassavam com muita rapidez.

O acampamento da primeira noite foi no lugar próximo à primeira caverna, a cerca de 2.600 metros. Quando chegamos, foi uma surpresa: as tendas estavam prontas, com todos nossos equipamentos distribuídos. Havia inclusive um banheiro e uma barraca refeitório, com mesa de madeira, bancos, toalha e todas as louças para nosso jantar. Uma infraestrutura incrível e inesperada para as condições selvagens do local.

A refeição tinha salada, prato principal e sobremesa. Nossa primeira noite no Kilimanjaro estava magnifica, com a lua cheia refletindo no alto da montanha e um céu forrado de estrelas como eu nunca havia visto antes.

No dia seguinte acordamos com o nascer do sol e, infelizmente, sem a possibilidade de um banho. Cada um de nós recebeu uma bacia com água aquecida, originária de uma fonte de degelo das neves um pouco abaixo do acampamento. Com esta água também abastecemos os cantis.

No inicio do segundo dia, após receber as instruções sobre o material necessário, iniciamos a caminhada rumo a Kikelewa. Vimos uma vegetação típica de lugares áridos, com diversas a colinas rochosas.

Foi uma subida gradual, com excelente vista das planícies verdes e enormes do Quênia. Em contraste, acima estava o espetacular Tarn Mawensi e uma espessa camada de nuvens, que certamente iriamos atravessar.

“Rei Leão” – Apesar do exercício físico exigido, os guias nos distraiam ensinando algumas músicas e palavras em kiswahili. Por exemplo, leão é “simba”; javali é “pumba” e tudo bem é “hakunamatata” – exatamente como no filme da Disney Rei Leão.

Almoçamos perto de Kibo, segunda caverna a 3.450 m. Quando chegamos, novamente já havia a tenda-restaurante armada, com uma refeição completa.

Partimos para a terceira caverna, a Kikelwa Cave, a 3.600 metros acima do nível do mar, e os sintomas da altitude começaram a aparecer. Finalmente me dei conta que estava em uma montanha muito grande e alta, pois estava me cansando mais facilmente e com dificuldade de respirar.

Chegamos ao acampamento, desta vez já bem diferente, uma vez que o terreno era todo rochoso e não havia nenhuma planta ou animal no local.

Nesse dia estava chovendo e infelizmente não dava para ter uma visão do topo. Foi quando nosso guia informou que apenas quatro de cada dez pessoas que tentam subir ao topo do Kilimanjaro conseguem chegar.

O mal da altitude – Apesar de cinco pessoas do nosso grupo já estarem com leves sintomas do mal de altitude, todos estavam animados e ansiosos. Dormimos bem e, no dia seguinte, uma grande expectativa pairava sobre o grupo, pois a próxima parada era o campo base, de onde iniciaríamos o ataque ao cume.

Após o café da manhã, passamos por paisagens que lembravam um deserto alienígena. A região foi coberta por lava que saiu das crateras laterais do Kilimanjaro (hoje os picos dos vulcões Mawensi e Kibo).

No meio da tarde, chegamos à Kibo Hut, o campo base, que fica a 4700 metros de altitude. Fizemos uma refeição reforçada de carboidratos, aproveitamos para verificar todo equipamento e descansamos nas tendas.

A temperatura nesta etapa já havia caído consideravelmente e estava em torno de 3oC. Descansamos até o horário do jantar e fomos dormir cedo, mas a ansiedade era grande e poucas pessoas do grupo tiveram um sono tranquilo.

Eu fiquei revisando o equipamento, principalmente a câmera fotográfica, pois sabia que as baterias descarregam mais rapidamente em temperaturas extremas. Eu planejava colocá-las junto ao meu corpo para mantê-las aquecidas

As instruções dos guias eram de levar pouca coisa para cume – no máximo algumas barras de cereais e um cantil de ponta cabeça, para evitar o congelamento, pois a água congela de cima para baixo, na mochila.

Por volta de 23h30 estávamos prontos para iniciar o ataque ao cume, com uma temperatura de 2º C negativos. Nesta noite tínhamos lua cheia, porém o céu estava com algumas nuvens.

Usamos lanternas da cabeça, mas mal enxergávamos dois metros a nossa frente quando a lua estava encoberta. O esforço para a caminhada era tremendo no caminho em zig-zag, bastante íngreme e com ar rarefeito.

Cansaço extremo – A cada 5 metros tínhamos que parar para respirar. Para completar o cenário, a temperatura caía assustadoramente a cada metro subido. Durante a madrugada chegou a fazer 25 oC Negativos.

Quando chegamos a 5.000 metros, uma das participantes perdeu a coordenação motora devido à falta de oxigênio e teve que descer de volta ao campo base com um guia.

Cerca de uma hora depois, a 5200 metros, outro participante desistiu. Reunimo-nos e fizemos um pacto que todos iriam subir. Esta parte da caminhada era muito íngreme com muitas pedras soltas e amontoadas, exigindo um grande esforço físico e concentração.

Foi provavelmente a parte que mais exigiu atenção de todo o percurso. A partir desse ponto, estávamos literalmente arrastando os pés, movendo-nos lentamente, com gelo se formando nas sobrancelhas – única parte do corpo exposta. Todos em silencio absoluto. Sentíamos que falar seria um esforço imensurável.

Eu e os outros oito integrantes chegamos por volta de 6h30 ao Gilmans Point, a 5.690 metros de altitude. Foi maravilhoso ver o amanhecer à beira do vulcão, uma paisagem de tirar o folego, ou melhor, dizendo de recuperar o folego.

Após um breve descanso e um chá de gengibre, decidimos seguir em direção à cratera do pico Uhuru. Caminhávamos pela borda da cratera do vulcão com uma esplêndida vista dos glaciares que nos rodeavam. Mas era preciso muito cuidado, pois havia gelo e pedras soltas – o menor deslize poderia nos fazer cair na cratera, com ferimentos certeiros.

A conquista do cume – Por volta das 8h30 chegamos ao Uhuru Point que fica a 5.895 metros. Foi uma emoção única. Emoção de ter superado todos os obstáculos. A paisagem era fascinante e a energia era tanta que nos abraçávamos, pulávamos, riamos e chorávamos. Era uma mistura de exaustão e sensação de objetivo alcançado.

Após 15 minutos de fotos no Uhuru e comemorações começamos a descida. Na realidade nós tínhamos chegado à metade do caminho, pois tínhamos que retornar.

Gastamos cerca de duas horas até Gilmans Point. Deste ponto em diante, normalmente um guia da o braço para dois alpinistas e descem quase que escorregando pela encosta da montanha.

O esforço era muito grande e nos desorientava. Começaram as alucinações devido ao cansaço e ao ar rarefeito. Em uma das paradas, um membro do grupo pediu que eu pegasse uma garrafa de água dentro do frigobar em que eu estava sentado. Foi difícil convencê-lo que era uma pedra e não um frigobar.

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Alguns minutos mais tarde, outro amigo queria ir até um lago próximo para pegar água, mas na realidade não havia lago algum. Depois, foi minha vez de alucinar. Tive certeza de ver um ônibus que faria nosso transfer ao acampamento.

Chegamos ao acampamento base as 14h30, após 15 horas de caminhada, praticamente sem comer, pois as barras de cereais que levei congelaram no meu bolso.

Fomos recepcionados pela equipe com músicas locais e tratados como verdadeiros heróis – realmente emocionante.

Após um pequeno descanso, alimentação e hidratação, saímos em baixo de uma chuva fina em direção ao campo Horombo (3.720 m) agora pela rota Marangu, que é mais fácil. Foram 3 horas de caminhada para uma distancia de 10 km.

Depois, uma noite de sono e mais 12 horas até Marangu Gate, onde todos ganharam o “Golden Diplom” – o certificado para quem atinge o cume do Kilimanjaro.

Era uma mistura de alegria e exaustão. Graças a minha esposa e filhas, todos os integrantes do grupo receberam “cartinhas” dos familiares parabenizando-os pela conquista. Nesta noite, já no hotel, passei por outro momento emocionante, ao receber parabéns por meu aniversário do chefe da cozinha e sua equipe com um bolo e todos cantando parabéns a você em kiswahili.

Realmente foi um aniversario muito especial, comemorado “nas alturas”, literalmente. Tão especial que decidi repetir a “dose” e ir comemorar o próximo no Everest.

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Roberto Haro Nedelciu é diretor-executivo da Raidho Tour Operator, operadora de turismo fundada em 1990, especializada em viagens a lugares exóticos e diferenciados, com enfoque na cultura, filosofia e costumes de cada povo.

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Desafio da Semana: que lugar é este?

Responda o quiz baseado em fotos tiradas por mim mundo afora…
… e ganhe um brinde se for o primeiro a acertar!

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Estamos de volta com o Desafio da Semana! Estas fotos foram tiradas por mim em uma ilha considerada um importante santuário animal do mundo. Ela fica em um país com tradição no rugby – ainda que nela nenhum esporte possa ser praticado, por lei. Algumas das fotos foram tiradas em um hotel cuja diária é de apenas 9oo dólares…

Agora responda as perguntas abaixo na área de comentários!

livropaulo1. Que país é este?

2. Como se chama a ilha?

3. Qual o nome do hotel?

O primeiro a acertar as
respostas ganha um
exemplar do meu livro
A Evolução Humana!

Adventure Sports Fair 2014

Maior feira de esportes de aventura da América Latina começa quinta-feira (dia 15) em São Paulo, com várias opções para viajantes!

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Acontece em São Paulo esta semana a 16ª edição da Adventure Sports Fair – o maior evento de esportes e turismo de aventura da América Latina. A feira vai de 15 a 18 de maio no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Ao passado eu visitei a feira e valeu a pena. Havia diversos estandes com atrações para quem gosta de viajar e praticar atividades esportivas ou de natureza.

Este ano, estarão presentes representantes de destinos como Barbados, Seychelles e Noruega. A Adventure Sports Fair terá ainda forte divulgação da Argentina Travel, com um estande oficial do país e outros dedicados exclusivamente às regiões de Cuyo, Mendoza, San Luiz e San Juan.

Não conhece esses lugares? Veja aqui e  nas fotos abaixo um pouco sobre a região de Mendoza.  Aliás, os argentinos terão ainda uma área apenas para os amantes de esqui.

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Entre as atrações brasileiras, o público poderá conferir os destaques e opções de viagens para a Amazônia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, além dos municípios de Salvador (BA), Paraty (RJ), Socorro e Mogi das Cruzes (SP).

Adrenalina pura – Os visitantes poderão experimentar um simulador de queda livre, parede de escalada, tanque de mergulho, tanque de remada (para caiaque e standup paddle), pista de test drive de veículo 4×4, circuito de skate, arvorismo, tirolesa, pista de snowboard e esqui, slackline e highline, além de um espaço kids, com áreas de recreação e educação ambiental.

 

Adventure Sports Fair

  • Data: 15 a 18 de maio
  • Local: Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, São Paulo (SP)
  • Horários: Quinta e sexta-feira, das 14h às 21h. Sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 19h.
  • Ingresso: R$ 10,00 para o primeiro dia e R$ 20 para os demais.
  • Informaçõeswww.adventurefair.com.br

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Valle Nevado: esqui em ritmo de Copa

Pistas maiores, novo restaurante e jogos das Copa do Mundo nos bares vão agitar a estação de esqui chilena na temporada, a partir de 27/6

O Valle Nevado Ski Resort, a maior estação de esqui da América Latina, a 60 km de Santiago, traz diversas novidades para a temporada de neve, que vai de 27 de junho a 26 de setembro.

A estação tem três hotéis, seis prédios de apartamentos, 45 pistas, 15 teleféricos e mais de 10 bares e restaurantes. Em 2013, recebeu 182 mil turistas brasileiros, 150% mais que 2012. Para este ano, a expectativa é superar os 200 mil.

Dentre as novidades, estão a Escola de Neve, que agora oferece agora aulas para adultos e crianças através do método desenvolvido pela marca americana Burton. Para as crianças de três a nove anos, foi criado o Riglet Park, espaço projetado para facilitar o aprendizado infantil.

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Já o famoso Snowpark The Gap estará maior nesta temporada, com pistas até a base do teleférico Prado, duplicando de tamanho e ampliando o espaço para novas zonas de salto e áreas de freestyle. Por sinal, a pista mais disputada do complexo, La Diablada, foi aumentada em  em 30%.

Os amantes da gastronomia terão uma opção a mais: o La Leñera, de estilo rústico e culinária sofisticada. Ele conta com música ao vivo e menu americano-chileno, que inclui steaks, saladas, sopas, sanduíches gourmet e petiscos para o apres-ski.

Copa do Mundo na neve – Valle Nevado preparou uma estrutura especial para a Copa do Mundo. Com televisores espalhados pelos bares Lounge, Zero, Puerta del Sol, Tres Puntas e Piscina, o visitante poderá acompanhar o Mundial todos os dias. E terá direito a festa e decoração especial nos dias de jogos das seleções de Brasil, Chile, Argentina e Estados Unidos. O resort promoverá distribuição de souvenirs, concursos e animação no intervalo das partidas.

Fotos: divulgação

Saiba mais: http://www.vallenevado.com/pt

Roland Garros: ainda dá tempo!

Poucos programas são tão agradáveis quanto ver o grand slam jogado na França. Além do tênis de alto nível, há nada menos que Paris para curtir

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Você nem precisa ser um fanático por tênis para querer ver o torneio de Roland Garros, que se realiza de 25 de maio a 8 de junho. Afinal, quem precisa de motivo para ir a Paris?

Várias operadoras de turismo tiveram essa sacada e criaram pacotes que misturam city tours e jogos de tênis. Confira algumas delas:

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fabegrg-iocneFaberg Tennis Tours – Tem três programas: para a primeira semana, para os jogos intermediários e para as finais. Incluem ingressos, acesso à área de hospitalidade VIP com comidas leves e open bar, 6 noites e 7 dias de hospedagem em três opções de hotéis com café da manhã e taxas inclusas, “Tennis Day” com participação de profissionais (exceto no programa rodadas iniciais), e entrega dos ingressos no Brasil, entre outras coisas. Preços a partir de 2150 euros (sem aéreo). 

Clique aqui para saber mais

 

mundo-tenis-iconeMundo Tênis – O Hotel escolhido fica a apenas 2 minutos a pé da Torre Eiffel e está pertinho do Trocadéro, da Champs-Elysées e do Arco do Triunfo. Seu restaurante, o Harmonies Mets & Vins, serve jantar tradicional francês e vinhos cuidadosamente selecionados. São 5 diárias e o programa inclui ingressos para 2 dias de Jogos, acompanhamento especializado e serviço de concierge para reservas de shows, espetáculos e restaurantes. Valor do pacote completo por pessoa: R$ 10.677 (em 5x sem juros no cartão ou com 7% de desconto a vista.

Clique aqui para saber mais

 

truistar-iconeTristar operadora – São dois roteiros de 6 dias e 5 noites, cobrindo a primeira ou segunda semana do torneio, com ingressos garantidos para alguns dias na quadra central. Não inclui passeios, mas as opções de hospedagem ficam em Montparnasse, no aminado Quartier Latin, ou ao lado do Arco do Triunfo e da Champs-Elysées. A partir de 1406 euros (sem aéreo). 

Clique aqui para saber mais

 

anatenis-iconeANA Tênis – São dois pacotes. O primeiro abrange a primeira e a segunda rodada. O outro inclui oitavas e quartas de final. Além de dois jogos, inclui visitas guiadas ao Arco do Triúnfo, Champs Elysées, Torre Eiffel, Jardim des Tuleries, Museu Do Louvre, Palais Royal, Place Vendome, Ópera Garnier e Galerias Lafayette, entre outros. Preço sob consulta.

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biarritz-iconeBiarritz Turismo – Oferece quatro pacotes com opções diversas de datas e de jogos a serem vistos (incluindo finais). Alguns pacotes oferecem a oportunidade única de se hospedar no mesmo hotel de Rafael Nadal e do finalista de 2013, David Ferrer.

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Saiba mais: Torneio de Tênis de Roland Garros

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Especial Chile – 7: Patagônia Norte

Ainda pouco explorada pelos viajantes brasileiros, a região de Aysén garante paisagens andinas, glaciares, passeios de barco e a melhor pescaria do país

Glaciar San Rafael
Glaciar San Rafael

Você certamente já ouviu falar muito da Patagônia – o conjunto de terras tão inóspitas quanto belas, localizado na porção mais austral da América do Sul. Não é novidade que nessa região de nosso continente encontram-se algumas das mais inspiradoras paisagens do planeta, destino certo de turistas de todos os continentes. O que nem todos sabem é que existem várias patagônias. Ou melhor, a Patagônia se divide em diversas partes, cada qual com sua peculiaridade.

Cerca de 75% de seu um milhão de quilômetros quadrados estão na Argentina, e 25% no Chile. Neste último, ela ainda se divide em Patagônia Sul e Norte. A porção do sul, famosa pelo Parque Torres del Paine, já entrou faz tempo para o rol de destinos turísticos internacionais. A região norte, por sua vez, muito mais difícil de alcançar, permanece menos conhecida e, por isso mesmo, mais desafiadora. Com cenários que parecem tirados de um filme de ficção científica, a Patagônia Norte, no Chile, será certamente um must entre os viajantes que amam natureza nos próximos anos.

O isolamento garante a preservação das paisagens mais belas: só é possível chegar à Patagônia Norte de avião, no diminuto aeroporto de Balmaceda, na região de Aysén. Mas isso não quer dizer que só exista mato por ali. Há uma cidade com mais de 60 mil habitantes, comércio variado, bons restaurantes, opções de hospedagem e até cassino. E mesmo no meio da natureza, é corriqueiro se deparar com excelentes lodges e hotéis de natureza.

 

O espetáculo do gelo

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Glaciar San Rafael
Glaciar San Rafael

A atração mais espantosa desse recanto chileno é o glaciar que se descortina na Laguna San Rafael. Trata-se de uma gigantesca porção do Campo de Gelo Norte que invade uma lagoa em meio aos fiordes típicos da região. Vale lembrar que o Campo de Gelo Norte é a segunda maior calota gelada do mundo fora das regiões polares, assentada por entre os picos da Cordilheira dos Andes, com 120 km de comprimento e 70 km de largura.

Chega-se até o glaciar após um passeio de 5 horas em um agradável catamarã motorizado, o Chaitén, que abriga 100 pessoas e parte da pequena vila de Puerto Chacabuco. O barco cruza fiordes e termina onde um belíssimo fenômeno da natureza acontece: a queda dos gelos milenares do glaciar.

Os espetaculares desprendimentos são acompanhados pelos turistas em botes alçados ao mar desde o catamarã. Por cerca de uma hora pode-se navegar pela borda do glaciar e fotografar a paisagem inconfundível. Depois, no caminho de volta, o staff do hotel serve aos passageiros o “whisky 1012 anos” – 12 da bebida e mil do gelo.

 

Hospedagem de primeira

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Hotel Loberias del Sur
Hotel Loberias del Sur

Pelos fiordes, pode-se apreciar a vida selvagem na forma de santuários de aves, toninhas (um parente do nosso boto) e muitos lobos marinhos preguiçosos, tomando sol nas margens.

Por sinal, esses simpáticos animais deram nome ao principal hotel da região, o Loberias del Sur. É dali que partem os passeios de catamarã para a Laguna San Rafael, assim como diversas outras excursões, como as caminhadas pelo Parque Aysén, uma reserva natural onde se pode conhecer boa parte das espécies vegetais exclusivas da região.

O hotel está a duas horas do pequeno aeroporto de Balmaceda. São 60 quartos duplos e mais 60 individuais, todos amplos, com banheiras, wi-fi gratuito e decorados com madeira nativa da região. Para quem viaja em família, muitos são conectados, sem contar os preparados para portadores de deficiência física.

A gastronomia se destaca, nessa região adorada por pescadores do mundo todo graças aos rios repletos de trutas enormes e braços de mar com outros peixes desafiadores. O Hotel conta com um restaurante de comida internacional, o Chucao, que prepara bons pratos da cozinha patagônica, como cordeiro, peixes e carnes. Sem falar nos frutos do mar (a região de Aysén fica relativamente perto da famosa Ilha de Chiloé) e, claro, da boa carta de vinhos chilenos. Quem está hospedado tem à disposição ainda loja de artesanato, uma ampla academia de ginástica, sauna seca e uma piscina indoor aquecida, com nichos de hidromassagem.

Mas, a despeito do conforto interno, ninguém vai ao Loberias del Sur para ficar dentro de suas instalações. O hotel oferece atividades como visitas à reserva eco-turística Aikén Del Sur, passeios a cavalo, excursões de pesca, rafting, trekking, city tour em Coyhaique e Puerto Aysén, entre outros.

 

Capelas de mármore

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Puerto Guadal
Puerto Guadal

Se o glaciar encanta, há, por outro lado, atrações que intrigam. É o caso das Capillas de Mármol (Capelas de Mármore). Essas formações rochosas absolutamente incomuns ficam nas margens do Lago General Carrera – o segundo maior da América do Sul.

Chega-se pela água também a essa atração, mas agora em pequenos barcos a motor que partem das imediações de Puerto Rio Tranquilo. Uma vez nas “capelas”, a sensação é de estar em cavernas caprichosamente esculpidas em mármore claro, formando um cenário de ficção científica, conforme elas se despenham pelas entranhas das encostas. Formaram-se durante milhões de anos, devido à erosão glacial e das águas do lago.

Não muito longe dali fica um dos mais agradáveis vilarejos para quem quer relaxar. É Puerto Guadal, nas margens do mesmo Lago General Carrera. Ponto de partida para expedições de pesca e trekking, essa comunidade de 600 habitantes tem restaurantes e bons hotéis, como o Terra Luna Lodge, conduzido por Philippe Reuter, um alpinista francês que se apaixonou pela região e decidiu se estabelecer por ali.

Do Terra Luna partem expedições cheias de adrenalina em lanchas de alta velocidade. Os jet boats, como são chamados, percorrem corredeiras e canais a até 70 km/h, levando os visitantes a pontos de onde se tem visão privilegiada das montanhas que cercam o Campo de Gelo Norte.

 

Pesca privilegiada

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Lodge no Rio Baker
Lodge no Rio Baker

A Patagônia Norte se tornou na última década um destino top para os fãs da pesca esportiva. É comum se deparar com americanos e europeus pelos rios da região, em busca de trutas, salmões e outras espécies de peixes – sempre enormes.

Na parte mais austral desse território, próxima ao Rio Baker (o maior do Chile em volume d’água) proliferam os lodges com toda a estrutura para quem deseja pescar – dos equipamentos para alugar e vender aos barcos que levam aos melhores pontos.

Mas não pense que se trata somente de alojamentos simplórios a exemplo do que se vê no Brasil. Há opções mais rústicas, mas também outras luxuosas, em que o eventual pescador pode, sem peso na consciência, deixar sua família relaxando junto à natureza.

É o caso do Green Baker, às margens do Rio Baker. Todas as suas cabanas, além de confortáveis e amplas (para famílias), possuem TV por satélite, internet wi-fi, aquecimento a gás e varandas voltadas para o rio.

Para os familiares que não forem nas sessões de pesca, há opções de lazer como passeios de caiaque, jet boat, mountain bike, cavalos, rafting, trekking e tirolesa.

 

Coyhaique e suas delícias

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Apesar de boa parte das atrações estarem atreladas aos lagos e braços de mar, há boas estradas locais – inclusive a famosa Carretera Austral –  que permitem viajar entre os principais pontos turísticos.

Imperdível, por exemplo, trilhar a Rota 7 ao sul de Balmaceda, de onde se avista o imponente Cerro Castillo. Ele nem é tão alto: seu cume atinge 2600 metros acima no nível do mar. Mas seus contornos são absolutamente únicos, lembrando um castelo medieval.

É possível alugar carro e desvendar por conta própria todos os recantos da Patagônia Norte. Mas a forma mais confortável e segura, contudo, é contratar uma das operadoras locais – já que nem sempre as atrações são fáceis de achar e ficam muito longe umas das outras. Agências como a Tehuelche Patagônia Tour dispõem de vans confortáveis, que levam os turistas e ainda garantem petiscos e bebidas no caminho – sem contar, claro, o trabalho dos bons guias turísticos. Há, inclusive, passeios específicos para viajantes da terceira idade ou para pescadores experientes.

A base de partida de todos os tours é a cidade de Coyhaique. Com seus 60 mil habitantes, é a principal área urbana da Patagônia Norte. E se trata de um lugarejo surpreendente: bons hotéis, comércio variado, ótimos restaurantes. Até cassino tem: o da rede Dreams, anexo ao hotel de mesmo nome, onde, além de jogar, o turista pode ver shows variados.

O centrinho muito bem arrumado e asseado é repleto de lojinhas de produtos que vão de artesanato indígena a roupas para esqui e equipamentos de pesca – passando por doceiras, cafés charmosos e butiques. E a gastronomia merece ser experimentada. Há restaurantes como o La Casona, de aparência familiar, mas com cozinha de primeira linha. Ele serve delícias como a Palta Cardenal – uma entrada feita com lagostins e molho de abacate. Sem falar nos filés com quase 3 centímetros de espessura, acompanhados de legumes e do famoso molho apimentado chileno aji.

Quanto à hospedagem, há 17 opções, que vão desde hostels simples (mas limpos e charmosos) até o luxuoso Dreams, com seu cassino. Para quem, no entanto, quer ter o conforto da cidade, mas de cara para a natureza, a pedida são as pequenas guesthouses e hospedarias da Carretera Austral, a estrada que leva aos pontos turísticos. Uma dica é o hotel Tehuelche, à beira de um desfiladeiro e com visão inigualável do vale que envolve a cidade. Quase todos os quartos têm vista panorâmica e o ambiente caseiro cria um clima pra lá de hospitaleiro – como, aliás, é regra nesta região tão privilegiada do sul do Chile.

Crédito das fotos: Paulo Mancha / Divulgação- Hotéis

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Confira as demais reportagens do Especial Chile:

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Especial Chile – 6: Patagônia Sul

Ela é um dos mais isolados e belos redutos naturais do mundo com suas montanhas, campos e cidades peculiares. Conheça a Patagônia Sul

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Adaptado da reportagem que fiz para a Revista Viajar pelo Mundo – ed.23

O nome é igual, mas o cenário, bem diverso. Se você acha que não precisa ir à Patagônia chilena porque já conhece a parte argentina, está equivocado. Ambas têm mais diferenças que similaridades. E mais: dentro do próprio Chile, ela se divide em Patagônia Norte e Patagônia Sul – também diferentes.

Começo esta parte do Especial Chile com a mais conhecida: a Patagônia Sul. Ali, em vez das estepes a perder de vista do lado argentino, despontam montanhas, fiordes (os braços de mar que adentram a terra por vales estreitos), geleiras e fazendas.

Patagônia Sul – Ela é a região mais remota do continente sul-americano. Um lugar onde animais raros vivem em função da Cordilheira dos Andes e dos mais impressionantes glaciares do mundo.

O distanciamento geográfico, no entanto, não impediu que essa região se tornasse um dos principais destinos turísticos do Chile. Desde o século 19, navios que trafegavam do Oceano Atlântico para o Pacífico sempre passaram por ela, sobretudo antes da construção do Canal do Panamá, em 1914.

Dessa forma, enriqueceram-se as poucas cidades portuárias e surgiram muitas fazendas de criação de ovelhas, conduzidas por imigrantes, na maior parte alemães. Quando essas atividades perderam o fôlego, na segunda metade do século 20, o turismo entrou com força em seu lugar.

Torres del Paine – O centro das atenções de quem viaja para lá é, indiscutivelmente, o Parque Nacional Torres Del Paine. Declarado reserva da Biosfera pela Unesco, em 2009, ele foi eleito o 6º lugar mais bonito do mundo e o mais belo da América do Sul numa enquete realizada com 400 jornalistas de turismo.

A razão está no cenário incomum, que parece tirado de um quadro surrealista. Torres del Paine abriga glaciares, lagos e formações montanhosas raras, com mais de 3 mil metros de altitude, em alguns casos.

Não são simplesmente picos nevados, como se vê na Cordilheira dos Andes. No Paine, um fenômeno geológico exclusivo coloriu as rochas de uma forma que não se vê no resto do planeta. A lava vulcânica que subiu das camadas internas da Terra há 12 milhões de anos não conseguiu transpassar as rochas da superfície e acabou empurrando-as para o alto gradualmente.

Assim, em lugar dos vulcões (tão comuns no Chile), o que existe ali são picos agudos, com forma e cor muito incomuns. Cada camada de montanha tem uma tonalidade diferente, conforme a época em que surgiu, indo do preto ao laranja. Isso tudo permeado por bosques e lagos.

Hotéis inimagináveis – Quem vai ao parque tem a opção de apreciar a paisagem a partir dos vários hotéis e lodges ali instalados. O mais conhecido, o Explora, foi inaugurado nos anos 90 e desde então virou referência para quem busca hospedagem confortável, mas sem excessos e totalmente voltada para a contemplação da natureza.

O Explora não tem salas de jogos, discotecas ou um restaurante muito luxuoso, em contrapartida, sobram atividades como safáris fotográficos, navegações pelos agitados rios patagônicos e caminhadas monitoradas.

Sistema semelhante tem o novíssimo Tierra Patagonia. De frente para o Lago Sarmiento, ele é um convite à contemplação, com todos os seus quartos voltados às paisagens da região.

O Tierra Patagonia tem um spa caprichado e até mesmo jacuzzis externas, em meio à natureza. Mas que ninguém se engane: a ideia ali não é ficar nas suas dependências, e sim aproveitar as excursões oferecidas, que podem ser a pé, a cavalo, de van ou jipe.

Para os aventureiros – As excursões levam aos prodígios naturais do parque. O maior deles é o Paine Grande, com 3.050 metros de altitude. Apesar de não sertão alto (o monte Aconcágua, por exemplo, tem mais do que o dobro), ele é tão difícil de escalar que até hoje seu cume foi visitado por menos de 15 pessoas.

Ao seu lado, estão as “Torres” propriamente ditas. Elas formam um conjunto de montanhas de granito que contrasta com as outras formações célebres da região, os Cuernos – picos tortuosos, na forma de chifres, moldados pelo movimento das geleiras em épocas imemoriais. As cores impressionam, variando conforme a altura, do rosa ao preto.

Em Torres Del Paine,  as montanhas seduzem. Mas elas não estão sozinhas. Animais simpáticos como os guanacos (um primo da lhama) fazem a alegria das crianças e dos que curtem fotografar. Outros dão mais trabalho para quem quer vê-los, como os pumas e condores – pássaro símbolo dos Andes. Seja como for, ninguém sai sem uma boa imagem na câmera.

As cidades da Patagônia – Há mais do que o Parque Torres Del Paine na Patagônia chilena. Duas cidades e seus arredores merecem uma visita. A primeira é a pequena Puerto Natales,  distante 150 quilômetros do parque.

Com apenas 20 mil habitantes e 100 anos de idade, este antigo centro produtor de carne de carneiro e lã tem cassino, um museu caprichado sobre a herança indígena do sul do Chile, muitas lojinhas de artesanato e hotéis de estirpe.

Um deles, inaugurado em 2011, ocupa as antigas instalações de um frigorífico. Sim, é isso mesmo. O luxuoso The Singular Patagonia foi construído dentro do Puerto Bories, um gigantesco prédio de 1915, declarado Monumento Histórico Nacional pelo governo do Chile.

Com 56 apartamentos, spa, bar e restaurante de primeira linha, ele inclui, claro, um museu privado com máquinas do começo do século passado. Também apresenta aos que por ali se instalam um menu de 20 expedições exclusivas, que combinam caminhadas e navegações aos fiordes e aos incríveis glaciares Balmaceda e Serrano –distantes uma hora de barco.

Gastronomia singular – A sofisticação de Puerto Natales aparece também nos restaurantes. O Angélica’s, por exemplo, figura como “imperdível” nos guias de viagem chilenos, graças a sua proprietária, Angélica Muñoz – ex-chef de grandes resorts na África e no próprio Chile.

Quem vai a Puerto Natales, convém dizer, não pode deixar de explorar as fazendas centenárias da região, todas elas nos sopés dos Andes. Um exemplo é Porto Consuelo, comandada pelos netos do pioneiro Herman Eberhard, um dos primeiros produtores rurais da Patagonia chilena, no fim do século19.

Além dos rebanhos de ovelhas, o que lhes garante hoje a subsistência (e um bom lucro) são os almoços típicos oferecidos aos turistas. Eles também podem desvendar cânions e colinas a cavalo ou remar em caiaque pelo inspirador fiorde Eberhard.

Animais pré-históricos – Outro programa obrigatório é ir à Cova do Milodon, a 30 minutos de carro de Puerto Natales. Trata-se de uma gruta na base do Monte Benitez, com 200 metros de profundidade, 30 metros de altura e 80 metros de largura.

Nesse refúgio natural moraram durante milênios os milodons, uma espécie animal extinta que, segundo dizem os cientistas, lembrava um bicho-preguiça gigante, com mais de 3 metros. Até algumas décadas atrás, os fósseis desses mamíferos podiam ser achados às centenas, ao nível do solo. Ainda hoje, basta cavar um pouco para encontrar pelos e unhas, preservados há 10 mil anos.

A capital patagônica – Com 125.000 habitantes, Punta Arenas é a maior e mais desenvolvida cidade da Região de Magalhães e Antártica Chilena – nome oficial da província patagônica. É também a última escala dos aviões e navios que rumam à Antártica e o ponto de partida para quem deseja conhecer as insólitas colônias de pinguins de Seno Otway e Ilha Magdalena.

Por isso, nessa cidade se sente um clima mais agitado que em qualquer outro ponto da Patagônia chilena. A cada dia, milhares de turistas e aventureiros ali desembarcam, sem imaginar que vão encontrar uma área urbana tão repleta de monumentos e construções históricas.

Marcos do passado, como o Palácio Sarah Brown e o Hotel José Nogueira, foram tombados pelo patrimônio histórico chileno e transformados em restaurante e hotel cinco estrelas, respectivamente.

Um afago pata o paladar – Dezenas de restaurantes de todas as vertentes e preços fazem da capital um agradável destino para fãs da gastronomia apurada e da enologia.

Se a patagônia chilena é um isolado reduto natural, nada como terminar sua jornada selvagem degustando um salmão grelhado em manteiga de alcaparrado Puerto Viejo, considerado por muitos o melhor lugar para comer na província toda.

Ou, ainda, relaxando e se divertindo no mais moderno hotel do extremo sul do Chile, o Dreams. Erguido há três anos na antiga zona portuária, hoje renovada, ele prevalece no cenário a beira mar e enche os olhos com sua arquitetura arrojada. Tem 88 suítes espaçosas, spa, um restaurante de alta gastronomia, boate e o Dreams Casino, que lota aos fins de semana, com gente de todo mundo tentando ganhar nas mesas de carteado, roleta e caça-níqueis.

Hospedar-se por ali e curtir o que esse delicioso fim de mundo tem a oferecer serve tanto de inspiração para quem está chegando à Patagônia quanto de final glorioso para os que estão concluindo a jornada.

 

Crédito das fotos: Paulo Mancha / Divulgação- Hotéis / Wikicommons

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