Cinco restaurantes imperdíveis mundo afora

Mais um post da série “cinco dicas”, desta vez com os restaurantes internacionais que eu recomendo (calma que ainda vai ter do Brasil🙂)

O povo do Instagram pediu e eu atendo. Hoje, o tema é “cinco restaurantes imperdíveis mundo afora”. Mas veja bem: eu não disse “os cinco melhores restaurantes do mundo”. Nem os guias especializados, que passam o ano todo visitando estabelecimentos em todos os continentes, conseguem chegar a um consenso. Não é o Mancha que vai fazer isso!

Novamente, minha lista é algo de cunho pessoal e subjetivo. Recantos em que eu me senti fora do normal e que eu tenho certeza de que você amaria.

Outra ressalva: há redutos de gastronomia fantástica, como a Itália, por exemplo, que não entraram nessa lista. O motivo é simples: faz muito tempo que não vou a um restaurante de lá e não acho correto indicar lugares que eu conheci mais de dez anos atrás… Então, me ative aos que visitei nos últimos tempos.

Por último, uma palavrinha sobre os “preço$“. É óbvio que os restaurantes abaixo não são baratos. Assim como é óbvio que não são locais para você ir todo dia. Sempre digo que, em uma viagem, você pode economizar o quanto quiser em comida, mas precisa reservar pelo menos um dia para “aquela” refeição especial. Porque gastronomia é parte da experiência. O que eu chamo de “aquela” refeição especial? Esses restaurantes abaixo!

Bom apetite!


  1. ICE Q RESTAURANT

Sölden (Áustria)

Esse é o restaurante com a mais fantástica vista panorâmica que já visitei. E um dos mais destacados em termos gastronômicos.

Inaugurado no final de 2013, o Ice-Q fica a 3.048 metros acima do nível do mar, no cume de uma das 250 montanhas nevadas que cercam o vilarejo de Sölden, no Alpes Austríacos. É comandado de forma moderna e ousada pelo Chef Klaus Holzer e foi premiado em 2020 pelo célebre guia Gault Millau.

Chega-se a ele pela agradável gôndola Gaislachkogl, no centro da cidadezinha. Um lugar tão especial que os produtores de cinema o escolheram para ser cenário de “007 contra Spectre”, filme da saga James Bond.

Na minha visita, experimentei um beef tar tar e o tradicional wiener schnitzel. Ambos perfeitos em todos os sentidos e acompanhados de pães, azeites e manteigas artesanais. Se quiser ver o cardápio, clique aqui.

Outra coisa que me empolgou: os vinhos. Nem todos sabem, mas a Áustria produz grandes brancos e tintos – só que em pequena quantidade. Daí serem tão desconhecidos aqui no Brasil.

Ice Q tem seu próprio pinot noir, o Pino 3000, que amadurece ali ao lado do salão, em barris de carvalho no cume do Gaislachkogl, a 3.048 metros de altitude.

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2. THE WINERY AT PELLER ESTATES

Niagara-on-the-Lake (Canadá)

Nunca ouviu falar dos vinhos canadenses? Tudo bem, a culpa é da produção módica, totalmente consumida ali mesmo, com raríssimas garrafas sobrando para cruzar fronteiras.

Os vinhos canadenses são feitos em Niagara-on-the-Lake, cidadezinha de 17 mil habitantes que fica na mesmíssima latitude de Bordeaux, na França.

Com nada menos que 27 vinícolas, o lugar se transformou em destino certo de quem busca paz, cultura, história e gastronomia. Raríssimas vezes vi um lugar tão florido e arborizado – e com culinária tão refinada.

Na visita que fiz à Peller Estates Winery, fui surpreendido por uma incursão pela “10 Below”, nome da sala de degustação mantida a 10 graus abaixo de zero, onde você prova um dos mais célebres ice wines do mundo. Caso não conheça, ice wine é o vinho de sobremesa produzido a partir de uvas propositalmente congeladas ainda nos vinhedos.

Esse vinho muito especial está também na comida. No restaurante da propriedade, o chef Jason Parsons prepara iguarias como o Icewine Chicken Liver Parfait, uma entrada feita com fígado de galinha e ice wine, servida como se fosse um sorvete. Parece estranho, mas é sublime.

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3. LE COUVENT DES MINIMES

Mane (França)

Nem todos sabem, mas a marca de cosméticos L’Occitane tem seu próprio hotel, na cidade de Mane, na Provença, França. É o espetacular Le Couvent des Minimes Hotel et SPA, instalado em um antigo convento, erguido em 1613.

Hospedei-me ali em 2017, em um quarto bem ao lado do spa onde homens e mulheres submetem-se a tratamentos relaxantes dos mais diversos com produtos da marca.

Mas o Le Couvent des Minimes incorpora também dois restaurantes absolutamente magníficos. Um deles é “estrelado” no Guia Michelin, o Le Cloître. O outro, Le bistrot Le Pesquier, fica de cara para os campos da Provença. Só os ambientes já valem a visita.

E a comida? Se tem estrela no Guia Michelin, você pode imaginar… O menu é repleto de ervas, temperos e frutas endêmicas da Reserva Natural de Luberon, uma floresta de contos de fadas que envolve a cidade.

Para você ter uma ideia, o chef Gatien Demczyna foi pesquisar as obras do botânico Louis Feuillée, que a mando do Rei Luís 14 catalogou todas as espécies vegetais da região no Século 18…

Dica de prato: espalda de cordeiro confitada, batata a provençal, com tomilho e suco de azeitona.

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4. FAMILIA ZUCCARDI

Mendoza (Argentina)

Sou suspeito para falar porque Mendoza, a terra dos vinhos argentinos, é uma das minhas paixões de viagem. Um oásis em meio a um dos mais inóspitos rincões da América do Sul, onde somente 8% do território possuem vegetação.

A cidade de um milhão de habitantes teve um boom da vinicultura desde o começo dos anos 1990 e entrou para o mapa da gastronomia internacional. Existem cerca de 420 vinícolas num raio de 50 quilômetros – todas produzindo as melhores uvas malbec do mundo.

Essas fazendas viraram atração turística. Bom exemplo é a bodega (assim são chamadas as vinícolas) Família Zuccardi. A 20 minutos de carro do centro, ela oferece visitas guiadas de dia todo. Isso inclui desde degustações e cursos de enologia até atividades inusitadas: você mesmo pode colher as uvas (de fevereiro a maio), fazer piquenique nos vinhedos, passear de bike, quadriciclo ou balão.

Sem falar no restaurante Piedra Infinita, comandado pessoalmente pelos membros da tradicional família. Num ambiente caprichosamente decorado à moda das antigas estancias (como os argentinos chamam as fazendas de criação de gado), eles servem as carnes mais tenras do planeta, harmonizando os pratos com os devidos tintos e brancos.

A quantidade de brasileiros que visitam essa vinícola e seu restaurantes é tão grande que já existem guias que falam português.

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5. OTTEPEL

Moscou (Rússia)

Quase ao lado do Museu da Cosmonáutica, no gigantesco Parque VDNKh, fica um pequeno restaurante escondido no meio das árvores. O nome: “Ottepel”. Que lugar delicioso…

É um estabelecimento várias vezes premiado. O menu (com versões em inglês) tem muita coisa internacional, como bruschetas, gaspacho e até guacamole. Mas também pratos simples dos países da antiga União Soviética, transformados em alta cozinha internacional.

São misturas criativas como a galinha com batatas e adjika – um molho picante e com sabor muito peculiar, originário da região da Abcásia. Ou, ainda, a okroshka, uma sopa fria à base de caldo de pão fermentado, que neste restaurante é servida com pastrami.

Eu iniciei com o pelmeni, uma espécie de “capelletti russo”, com ervas e smetana (o sour cream russo), acompanhado de frutas vermelhas. Depois, fui no prato mais tradicional de todos: o estrogonofe.

Não tem nada a ver com a receita usada no Brasil. O molho é feito à base de creme de leite, mostarda e cogumelos selvagens macerados (nem pense em colocar ketchup!). E serve-se com puré de batatas temperado e bem consistente, para contrastar.

Para beber, o Ottepel tem uma honesta carta de vinhos, com uma raridade: os vinhos russos Kuban. Trata-se de uma vinícola fundada em 1956 na árida Península de Taman, perto da Crimeia. Seus tintos, brancos, rosés e espumantes eram presença certa nos banquetes da elite soviética nos tempos da Guerra Fria.

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