Sharm El Sheikh: Beleza ameaçada no Egito

A tragédia do Voo Metrojet 9268 ameaça o turismo de um dos lugares mais belos do Oriente Médio

Ano passado, visitei o Egito. Praticamente o país todo. Você pode ler a reportagem que fiz na Revista Seu Próximo Destino.

Pois bem, um dos recantos mais bonitos da terra dos faraós é o balneário de Sharm El Sheikh, na Península do Sinai. Sim, o mesmo lugar que rodou a mídia internacional esta semana devido ao acidente do voo 9268 da companhia aérea russa Metrojet.

De cara para o Mar Vermelho, Sharm El Sheikh é a Cancun do Oriente Médio. Longas avenidas, coalhadas de resorts, parques temáticos e até mesmo baladas.

Para os europeus que buscam calor e areias clarinhas, é um paraíso próximo. Milhares de alemães, escandinavos e, principalmente, russos fizeram desse lugar seu destino certeiro de férias (há voos diretos para Moscou e São Petersburgo, de tão grande que é a demanda).

Reduto ocidentalizado – Aliás, vale ressaltar:  o Egito é um país de maioria muçulmana. Por isso, na maior parte do território, mulheres não devem usar roupas que deixem o corpo muito à mostra, como tops, decotes, shorts ou saias curtas. A exceção é justamente Sharm El Sheikh.

Os que praticam mergulho encontram ali um dos mais sedutores points do planeta, com águas incrivelmente límpidas e flora e fauna subaquáticas de rara beleza.

De dia, você pode ir às diversas praias ou visitar os mercadinhos de artesanato e fotografar a bela mesquita Al Mustafa. Todas elas são experiências, digamos, incomuns. Isso porque há sempre uma legião de ambulantes nos lugares turísticos. E eles são muito insistentes.

Quem quiser comprar algo tem que pechinchar bastante. Se não quiser, as palavras mágicas são “Lá lá lá, shucram!” (“Não, não, não! Obrigado!”).

Longas e agitadas noites – À noite, é imperdível a experiência de curtir Nama Bay, como é chamado o bairro dos agitos e da boemia. Há um calçadão cercado por baladas como Hard Rock Café e Pachá.

Ao longo dele, os bares estendem tapetes, almofadões e palcos improvisados, permitindo aos visitantes a deliciosa experiência de papear ao ar livre, ao som de dance music, tomando seu drinque preferido e fumando a “shisha”, como eles chamam o narguilé por lá.

A diversão segue até o amanhecer, por mais incrível que isso possa parecer em um país islâmico.

Também não faltam grandes resorts. Eu me hospedei no Renaissance , um cinco estrelas à beira do Mar Vermelho, com 5 piscinas, bares, restaurante, spa e estrutura de praia (diárias a partir de US$ 106 – uma pechincha!)

Restaurantes? Há diversos, muitos de estirpe, como o Blue Fountain  (1 Market Square, Sharm El Sheikh), destino certo da galera mais jovem antes das baladas na cidade praiana.

Futuro em dúvida – Será uma pena se essa última tragédia macular de vez a reputação de Sharm El Sheikh. Eu, Paulo Mancha, sou contra o sensacionalismo barato. Para quem vive nas metrópoles brasileiras, a violência encontrada em outros lugares do mundo raramente faz jus ao pânico que a mídia vende.

Acho mais arriscado cruzar as imediações de Paraisópolis, em São Paulo, do que viajar pelo interior do Egito – mesmo com todas as “notícias” de ameaças terroristas.

Que a trágica queda do voo 9268 não acabe com a reputação e o turismo do balneário. O povo egípcio do Sinai, empobrecido pela corrupção e pelas mazelas política de seu país, precisa – e muito – disso para sobrevier.

E o mundo não merece perder um de seus lugares mais inspiradores.


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Eu, de boas, fumando shisha (narguilê) num dos quiosques de Nama Bay (Sharm El Sheikh)

Publicado por Paulo Mancha

Jornalista especializado em turismo, foi editor chefe da Revista Viajar pelo Mundo e repórter das revistas Terra e Próxima Viagem. Desde 2003, fez mais de 50 reportagens internacionais e, em 2012 e 2014, foi agraciado com o Prêmio de Melhor Reportagem da Comissão Europeia de Turismo. Comentarista esportivo do canal ESPN, Paulo decidiu unir neste blog as duas paixões: viagens e esportes.

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