Wimbledon: para fugir da Copa

Em pleno mês de Copa do Mundo acontece o tradicional torneio de tênis de Wimbledon. Uma opção para quem quer fugir da bagunça no Brasil

Este slideshow necessita de JavaScript.

Se você é fanático por tênis ou simplesmente quer uma boa opção de viagem com esporte para fugira um pouco do clima de Copa do Mundo, lembre-se: de 26/6 a 6/7 tem Wimbledon.

Justamente por conta da Copa, este ano está mais fácil conseguir ingressos para o evento. Detalhe: a final feminina cai no sábado, dia 5 de julho, mesmo dia das quartas de final da Copa. Mas a final masculina, no dia seguinte, não coincide com nenhum jogo do Mundial.

Duas agências brasileiras têm pacotes para Londres. A Faberg Tennis Tours oferece três opções, respectivamente, para as rodadas iniciais, intermediárias e finais. Os pacotes incluem duas sessões de ingressos, acesso à melhor área de hospitalidade VIP do complexo, 5 noites e 6 dias de hospedagem com café da manhã e taxas inclusas, transfers exclusivos, seguro viagem e entrega dos ingressos no Brasil. Os preços são a partir de 3985 libras.

Já a Mundo Tênis oferece pacotes completos ou sob medida, conforme preferência do viajante. Os lugares no complexo são sempre nas alas Vip, nas fileiras mais baixas das quadras Central e Court 1, onde acontecem os principais jogo. A agência só fornece preços e mais detalhes sob consulta.

Saiba mais:

.

.

A maratona do Aconcágua

 Que tal visitar a capital dos vinhos na Argentina e ainda participar de uma corrida por uma das mais belas regiões montanhosas do mundo?

Este slideshow necessita de JavaScript.

Você certamente já ouviu falar do Monte Aconcágua, a mais alta montanha das Américas, com 6.962 metros de altitude. O que nem todo mundo sabe é que, ao redor dele, á um parque nacional argentino repleto de cenários belíssimos e totalmente accessíveis aos pobres mortais que não sabem escalar montanhas. Eu já escrevi um pouco sobre essa região nesta matéria.

Pois bem, os argentinos decidiram unir a vocação turística do Aconcágua com o esporte. Em novembro, ele será cenário da Ultra Maratona. Serão duas modalidades esportivas:  uma prova de 25 quilômetros (para atletas com pouca experiência) e um percurso de 50 quilômetros (voltado a corredores de elite ou com experiência em montanha).

Mesmo que você não seja lá de correr, vale pena visitar o  Parque Provincial Aconcágua, que fica a apenas 2 horas de carro de Mendoza – a deliciosa capital dos vinhos na Argentina.

Uma agência brasileira, a Turismo sob Medida, já tem pacotes de viagem que mesclam turismo e atividade física. Os programas custam a partir de US$ 722 e incluem estadia, traslados e apoio (este preço não inclui passagem aérea). A organização da corrida ainda garante um kit de produtos para os corredores, palestra técnica, jantar de carboidratos (especial para atletas) e uma festa na montanha.

Uma bela oportunidade de correr em um cenário único e ainda aproveitar um dos lugares turísticos mais bacanas da Argentina.

Saiba mais:

Kilimanjaro: viagem ao teto da África

O empresário Roberto Nedelciu, da Raidho Tour Operator, conta sua impressionante jornada ao topo do Monte Kilimanjaro, norte da Tanzânia

Este slideshow necessita de JavaScript.

Texto e fotos: Roberto Nedelciu*

O Monte Kilimanjaro é o ponto mais alto do continente africano. O nome vem de Kilima Njaro, que significa “montanha brilhante”, no idioma kiswahili.

Com uma altitude de 5.895 metros no Pico Uhuru, não tem nada de “monte”. É um vulcão extinto, com o topo coberto de neves, que se ergue no meio da savana ao norte da Tanzânia, junto à fronteira com o Quênia.

Minha fascinação por este ícone imortalizado pelo escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961) começou em 2008. Após anos admirando e planejando uma viagem ao local, consegui realizá-la em outubro de 2011.

A viagem começou, na realidade, um ano antes, com diversas pesquisas da melhor rota e orçamentos. Aproveitei também para convidar alguns amigos.

O interessante é que, ao ouvirem os meus planos de realizar o trekking até o topo do Kilimanjaro, as pessoas tinham duas reações. A primeira era: “Muito legal, mas não é para mim”. A outra, “Você é louco, vai morrer”.

Mas nada que pudesse me desencorajar. Eu estava decidido e, no final, conseguimos um grupo de 11 pessoas, sendo sete homens e quatro mulheres, todos entre 35 e 54 anos.

MAPAKILIA viagem é feita via Johanesburgo, na África do Sul. Após 8 horas de voo, pegamos uma conexão de mais cinco horas até Nairóbi, no Quênia, e, em seguida, outra de apenas uma hora até Moshi, já na Tanzânia.

Depois de um rápido descanso em Moshi, no dia seguinte cedo conhecemos nosso guia, Emmanuel, e sua equipe, com mais quatro pessoas, que iriam subir conosco.

Após carregarmos o ônibus com todo nosso equipamento, partimos em direção ao inicio da rota Rongai. Não é um caminho muito popular. Trata-se de uma rota mais selvagem, a única do lado norte da montanha, com algumas cavernas muito interessantes pelo percurso.

O momento tinha chegado e todos estavam ansiosos pelo início. Em Rongai, uma aldeia que fica a 1.950 m de altitude, perto da fronteira do Quênia, a temperatura era de 34oC, mas vista da planície Maasai era espetacular.

Ajudantes africanos – Em Moru Nale, pequena aldeia próxima a Rongai, os guias contrataram trinta e dois carregadores, que ficaram responsáveis por levar todos os nossos equipamentos, incluindo barracas, panelas, mantimentos e até fogão para o alto da montanha. Eles também preparariam as refeições.

A caminhada até o topo é dividida em cinco partes e cada uma tem características diferentes de vegetação, geografia e temperatura.

Começamos em meio algumas lavouras e logo a paisagem mudou para uma floresta tropical com muitos animais selvagens, a maioria macacos.

Começo suave – Nesta etapa, a trilha era suave, não muito íngreme. Durante todo o caminho víamos os carregadores, inclusive mulheres, levando bagagens enormes e pesadas, mas eles nos ultrapassavam com muita rapidez.

O acampamento da primeira noite foi no lugar próximo à primeira caverna, a cerca de 2.600 metros. Quando chegamos, foi uma surpresa: as tendas estavam prontas, com todos nossos equipamentos distribuídos. Havia inclusive um banheiro e uma barraca refeitório, com mesa de madeira, bancos, toalha e todas as louças para nosso jantar. Uma infraestrutura incrível e inesperada para as condições selvagens do local.

A refeição tinha salada, prato principal e sobremesa. Nossa primeira noite no Kilimanjaro estava magnifica, com a lua cheia refletindo no alto da montanha e um céu forrado de estrelas como eu nunca havia visto antes.

No dia seguinte acordamos com o nascer do sol e, infelizmente, sem a possibilidade de um banho. Cada um de nós recebeu uma bacia com água aquecida, originária de uma fonte de degelo das neves um pouco abaixo do acampamento. Com esta água também abastecemos os cantis.

No inicio do segundo dia, após receber as instruções sobre o material necessário, iniciamos a caminhada rumo a Kikelewa. Vimos uma vegetação típica de lugares áridos, com diversas a colinas rochosas.

Foi uma subida gradual, com excelente vista das planícies verdes e enormes do Quênia. Em contraste, acima estava o espetacular Tarn Mawensi e uma espessa camada de nuvens, que certamente iriamos atravessar.

“Rei Leão” – Apesar do exercício físico exigido, os guias nos distraiam ensinando algumas músicas e palavras em kiswahili. Por exemplo, leão é “simba”; javali é “pumba” e tudo bem é “hakunamatata” – exatamente como no filme da Disney Rei Leão.

Almoçamos perto de Kibo, segunda caverna a 3.450 m. Quando chegamos, novamente já havia a tenda-restaurante armada, com uma refeição completa.

Partimos para a terceira caverna, a Kikelwa Cave, a 3.600 metros acima do nível do mar, e os sintomas da altitude começaram a aparecer. Finalmente me dei conta que estava em uma montanha muito grande e alta, pois estava me cansando mais facilmente e com dificuldade de respirar.

Chegamos ao acampamento, desta vez já bem diferente, uma vez que o terreno era todo rochoso e não havia nenhuma planta ou animal no local.

Nesse dia estava chovendo e infelizmente não dava para ter uma visão do topo. Foi quando nosso guia informou que apenas quatro de cada dez pessoas que tentam subir ao topo do Kilimanjaro conseguem chegar.

O mal da altitude – Apesar de cinco pessoas do nosso grupo já estarem com leves sintomas do mal de altitude, todos estavam animados e ansiosos. Dormimos bem e, no dia seguinte, uma grande expectativa pairava sobre o grupo, pois a próxima parada era o campo base, de onde iniciaríamos o ataque ao cume.

Após o café da manhã, passamos por paisagens que lembravam um deserto alienígena. A região foi coberta por lava que saiu das crateras laterais do Kilimanjaro (hoje os picos dos vulcões Mawensi e Kibo).

No meio da tarde, chegamos à Kibo Hut, o campo base, que fica a 4700 metros de altitude. Fizemos uma refeição reforçada de carboidratos, aproveitamos para verificar todo equipamento e descansamos nas tendas.

A temperatura nesta etapa já havia caído consideravelmente e estava em torno de 3oC. Descansamos até o horário do jantar e fomos dormir cedo, mas a ansiedade era grande e poucas pessoas do grupo tiveram um sono tranquilo.

Eu fiquei revisando o equipamento, principalmente a câmera fotográfica, pois sabia que as baterias descarregam mais rapidamente em temperaturas extremas. Eu planejava colocá-las junto ao meu corpo para mantê-las aquecidas

As instruções dos guias eram de levar pouca coisa para cume – no máximo algumas barras de cereais e um cantil de ponta cabeça, para evitar o congelamento, pois a água congela de cima para baixo, na mochila.

Por volta de 23h30 estávamos prontos para iniciar o ataque ao cume, com uma temperatura de 2º C negativos. Nesta noite tínhamos lua cheia, porém o céu estava com algumas nuvens.

Usamos lanternas da cabeça, mas mal enxergávamos dois metros a nossa frente quando a lua estava encoberta. O esforço para a caminhada era tremendo no caminho em zig-zag, bastante íngreme e com ar rarefeito.

Cansaço extremo – A cada 5 metros tínhamos que parar para respirar. Para completar o cenário, a temperatura caía assustadoramente a cada metro subido. Durante a madrugada chegou a fazer 25 oC Negativos.

Quando chegamos a 5.000 metros, uma das participantes perdeu a coordenação motora devido à falta de oxigênio e teve que descer de volta ao campo base com um guia.

Cerca de uma hora depois, a 5200 metros, outro participante desistiu. Reunimo-nos e fizemos um pacto que todos iriam subir. Esta parte da caminhada era muito íngreme com muitas pedras soltas e amontoadas, exigindo um grande esforço físico e concentração.

Foi provavelmente a parte que mais exigiu atenção de todo o percurso. A partir desse ponto, estávamos literalmente arrastando os pés, movendo-nos lentamente, com gelo se formando nas sobrancelhas – única parte do corpo exposta. Todos em silencio absoluto. Sentíamos que falar seria um esforço imensurável.

Eu e os outros oito integrantes chegamos por volta de 6h30 ao Gilmans Point, a 5.690 metros de altitude. Foi maravilhoso ver o amanhecer à beira do vulcão, uma paisagem de tirar o folego, ou melhor, dizendo de recuperar o folego.

Após um breve descanso e um chá de gengibre, decidimos seguir em direção à cratera do pico Uhuru. Caminhávamos pela borda da cratera do vulcão com uma esplêndida vista dos glaciares que nos rodeavam. Mas era preciso muito cuidado, pois havia gelo e pedras soltas – o menor deslize poderia nos fazer cair na cratera, com ferimentos certeiros.

A conquista do cume – Por volta das 8h30 chegamos ao Uhuru Point que fica a 5.895 metros. Foi uma emoção única. Emoção de ter superado todos os obstáculos. A paisagem era fascinante e a energia era tanta que nos abraçávamos, pulávamos, riamos e chorávamos. Era uma mistura de exaustão e sensação de objetivo alcançado.

Após 15 minutos de fotos no Uhuru e comemorações começamos a descida. Na realidade nós tínhamos chegado à metade do caminho, pois tínhamos que retornar.

Gastamos cerca de duas horas até Gilmans Point. Deste ponto em diante, normalmente um guia da o braço para dois alpinistas e descem quase que escorregando pela encosta da montanha.

O esforço era muito grande e nos desorientava. Começaram as alucinações devido ao cansaço e ao ar rarefeito. Em uma das paradas, um membro do grupo pediu que eu pegasse uma garrafa de água dentro do frigobar em que eu estava sentado. Foi difícil convencê-lo que era uma pedra e não um frigobar.

kilimanjaro (158)

Alguns minutos mais tarde, outro amigo queria ir até um lago próximo para pegar água, mas na realidade não havia lago algum. Depois, foi minha vez de alucinar. Tive certeza de ver um ônibus que faria nosso transfer ao acampamento.

Chegamos ao acampamento base as 14h30, após 15 horas de caminhada, praticamente sem comer, pois as barras de cereais que levei congelaram no meu bolso.

Fomos recepcionados pela equipe com músicas locais e tratados como verdadeiros heróis – realmente emocionante.

Após um pequeno descanso, alimentação e hidratação, saímos em baixo de uma chuva fina em direção ao campo Horombo (3.720 m) agora pela rota Marangu, que é mais fácil. Foram 3 horas de caminhada para uma distancia de 10 km.

Depois, uma noite de sono e mais 12 horas até Marangu Gate, onde todos ganharam o “Golden Diplom” – o certificado para quem atinge o cume do Kilimanjaro.

Era uma mistura de alegria e exaustão. Graças a minha esposa e filhas, todos os integrantes do grupo receberam “cartinhas” dos familiares parabenizando-os pela conquista. Nesta noite, já no hotel, passei por outro momento emocionante, ao receber parabéns por meu aniversário do chefe da cozinha e sua equipe com um bolo e todos cantando parabéns a você em kiswahili.

Realmente foi um aniversario muito especial, comemorado “nas alturas”, literalmente. Tão especial que decidi repetir a “dose” e ir comemorar o próximo no Everest.

___________________________________________________________________________

539798_465828120147597_735420400_n

Roberto Haro Nedelciu é diretor-executivo da Raidho Tour Operator, operadora de turismo fundada em 1990, especializada em viagens a lugares exóticos e diferenciados, com enfoque na cultura, filosofia e costumes de cada povo.

.

.

.

Desafio da Semana: que lugar é este?

Responda o quiz baseado em fotos tiradas por mim mundo afora…
… e ganhe um brinde se for o primeiro a acertar!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Estamos de volta com o Desafio da Semana! Estas fotos foram tiradas por mim em uma ilha considerada um importante santuário animal do mundo. Ela fica em um país com tradição no rugby – ainda que nela nenhum esporte possa ser praticado, por lei. Algumas das fotos foram tiradas em um hotel cuja diária é de apenas 9oo dólares…

Agora responda as perguntas abaixo na área de comentários!

livropaulo1. Que país é este?

2. Como se chama a ilha?

3. Qual o nome do hotel?

O primeiro a acertar as
respostas ganha um
exemplar do meu livro
A Evolução Humana!

Adventure Sports Fair 2014

Maior feira de esportes de aventura da América Latina começa quinta-feira (dia 15) em São Paulo, com várias opções para viajantes!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Acontece em São Paulo esta semana a 16ª edição da Adventure Sports Fair – o maior evento de esportes e turismo de aventura da América Latina. A feira vai de 15 a 18 de maio no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Ao passado eu visitei a feira e valeu a pena. Havia diversos estandes com atrações para quem gosta de viajar e praticar atividades esportivas ou de natureza.

Este ano, estarão presentes representantes de destinos como Barbados, Seychelles e Noruega. A Adventure Sports Fair terá ainda forte divulgação da Argentina Travel, com um estande oficial do país e outros dedicados exclusivamente às regiões de Cuyo, Mendoza, San Luiz e San Juan.

Não conhece esses lugares? Veja aqui e  nas fotos abaixo um pouco sobre a região de Mendoza.  Aliás, os argentinos terão ainda uma área apenas para os amantes de esqui.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Entre as atrações brasileiras, o público poderá conferir os destaques e opções de viagens para a Amazônia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, além dos municípios de Salvador (BA), Paraty (RJ), Socorro e Mogi das Cruzes (SP).

Adrenalina pura – Os visitantes poderão experimentar um simulador de queda livre, parede de escalada, tanque de mergulho, tanque de remada (para caiaque e standup paddle), pista de test drive de veículo 4×4, circuito de skate, arvorismo, tirolesa, pista de snowboard e esqui, slackline e highline, além de um espaço kids, com áreas de recreação e educação ambiental.

 

Adventure Sports Fair

  • Data: 15 a 18 de maio
  • Local: Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, São Paulo (SP)
  • Horários: Quinta e sexta-feira, das 14h às 21h. Sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 19h.
  • Ingresso: R$ 10,00 para o primeiro dia e R$ 20 para os demais.
  • Informaçõeswww.adventurefair.com.br

.

Valle Nevado: esqui em ritmo de Copa

Pistas maiores, novo restaurante e jogos das Copa do Mundo nos bares vão agitar a estação de esqui chilena na temporada, a partir de 27/6

O Valle Nevado Ski Resort, a maior estação de esqui da América Latina, a 60 km de Santiago, traz diversas novidades para a temporada de neve, que vai de 27 de junho a 26 de setembro.

A estação tem três hotéis, seis prédios de apartamentos, 45 pistas, 15 teleféricos e mais de 10 bares e restaurantes. Em 2013, recebeu 182 mil turistas brasileiros, 150% mais que 2012. Para este ano, a expectativa é superar os 200 mil.

Dentre as novidades, estão a Escola de Neve, que agora oferece agora aulas para adultos e crianças através do método desenvolvido pela marca americana Burton. Para as crianças de três a nove anos, foi criado o Riglet Park, espaço projetado para facilitar o aprendizado infantil.

Nice_View_Valle_nevado_sky_resort_chile_-_panoramio

Já o famoso Snowpark The Gap estará maior nesta temporada, com pistas até a base do teleférico Prado, duplicando de tamanho e ampliando o espaço para novas zonas de salto e áreas de freestyle. Por sinal, a pista mais disputada do complexo, La Diablada, foi aumentada em  em 30%.

Os amantes da gastronomia terão uma opção a mais: o La Leñera, de estilo rústico e culinária sofisticada. Ele conta com música ao vivo e menu americano-chileno, que inclui steaks, saladas, sopas, sanduíches gourmet e petiscos para o apres-ski.

Copa do Mundo na neve – Valle Nevado preparou uma estrutura especial para a Copa do Mundo. Com televisores espalhados pelos bares Lounge, Zero, Puerta del Sol, Tres Puntas e Piscina, o visitante poderá acompanhar o Mundial todos os dias. E terá direito a festa e decoração especial nos dias de jogos das seleções de Brasil, Chile, Argentina e Estados Unidos. O resort promoverá distribuição de souvenirs, concursos e animação no intervalo das partidas.

Fotos: divulgação

Saiba mais: http://www.vallenevado.com/pt

Roland Garros: ainda dá tempo!

Poucos programas são tão agradáveis quanto ver o grand slam jogado na França. Além do tênis de alto nível, há nada menos que Paris para curtir

Este slideshow necessita de JavaScript.

Você nem precisa ser um fanático por tênis para querer ver o torneio de Roland Garros, que se realiza de 25 de maio a 8 de junho. Afinal, quem precisa de motivo para ir a Paris?

Várias operadoras de turismo tiveram essa sacada e criaram pacotes que misturam city tours e jogos de tênis. Confira algumas delas:

.

fabegrg-iocneFaberg Tennis Tours – Tem três programas: para a primeira semana, para os jogos intermediários e para as finais. Incluem ingressos, acesso à área de hospitalidade VIP com comidas leves e open bar, 6 noites e 7 dias de hospedagem em três opções de hotéis com café da manhã e taxas inclusas, “Tennis Day” com participação de profissionais (exceto no programa rodadas iniciais), e entrega dos ingressos no Brasil, entre outras coisas. Preços a partir de 2150 euros (sem aéreo). 

Clique aqui para saber mais

 

mundo-tenis-iconeMundo Tênis – O Hotel escolhido fica a apenas 2 minutos a pé da Torre Eiffel e está pertinho do Trocadéro, da Champs-Elysées e do Arco do Triunfo. Seu restaurante, o Harmonies Mets & Vins, serve jantar tradicional francês e vinhos cuidadosamente selecionados. São 5 diárias e o programa inclui ingressos para 2 dias de Jogos, acompanhamento especializado e serviço de concierge para reservas de shows, espetáculos e restaurantes. Valor do pacote completo por pessoa: R$ 10.677 (em 5x sem juros no cartão ou com 7% de desconto a vista.

Clique aqui para saber mais

 

truistar-iconeTristar operadora – São dois roteiros de 6 dias e 5 noites, cobrindo a primeira ou segunda semana do torneio, com ingressos garantidos para alguns dias na quadra central. Não inclui passeios, mas as opções de hospedagem ficam em Montparnasse, no aminado Quartier Latin, ou ao lado do Arco do Triunfo e da Champs-Elysées. A partir de 1406 euros (sem aéreo). 

Clique aqui para saber mais

 

anatenis-iconeANA Tênis – São dois pacotes. O primeiro abrange a primeira e a segunda rodada. O outro inclui oitavas e quartas de final. Além de dois jogos, inclui visitas guiadas ao Arco do Triúnfo, Champs Elysées, Torre Eiffel, Jardim des Tuleries, Museu Do Louvre, Palais Royal, Place Vendome, Ópera Garnier e Galerias Lafayette, entre outros. Preço sob consulta.

Clique aqui para saber mais

 

biarritz-iconeBiarritz Turismo – Oferece quatro pacotes com opções diversas de datas e de jogos a serem vistos (incluindo finais). Alguns pacotes oferecem a oportunidade única de se hospedar no mesmo hotel de Rafael Nadal e do finalista de 2013, David Ferrer.

Clique aqui para saber mais

________________________________________________________________________

.

Saiba mais: Torneio de Tênis de Roland Garros

.

.

Especial Chile – 7: Patagônia Norte

Ainda pouco explorada pelos viajantes brasileiros, a região de Aysén garante paisagens andinas, glaciares, passeios de barco e a melhor pescaria do país

Glaciar San Rafael
Glaciar San Rafael

Você certamente já ouviu falar muito da Patagônia – o conjunto de terras tão inóspitas quanto belas, localizado na porção mais austral da América do Sul. Não é novidade que nessa região de nosso continente encontram-se algumas das mais inspiradoras paisagens do planeta, destino certo de turistas de todos os continentes. O que nem todos sabem é que existem várias patagônias. Ou melhor, a Patagônia se divide em diversas partes, cada qual com sua peculiaridade.

Cerca de 75% de seu um milhão de quilômetros quadrados estão na Argentina, e 25% no Chile. Neste último, ela ainda se divide em Patagônia Sul e Norte. A porção do sul, famosa pelo Parque Torres del Paine, já entrou faz tempo para o rol de destinos turísticos internacionais. A região norte, por sua vez, muito mais difícil de alcançar, permanece menos conhecida e, por isso mesmo, mais desafiadora. Com cenários que parecem tirados de um filme de ficção científica, a Patagônia Norte, no Chile, será certamente um must entre os viajantes que amam natureza nos próximos anos.

O isolamento garante a preservação das paisagens mais belas: só é possível chegar à Patagônia Norte de avião, no diminuto aeroporto de Balmaceda, na região de Aysén. Mas isso não quer dizer que só exista mato por ali. Há uma cidade com mais de 60 mil habitantes, comércio variado, bons restaurantes, opções de hospedagem e até cassino. E mesmo no meio da natureza, é corriqueiro se deparar com excelentes lodges e hotéis de natureza.

 

O espetáculo do gelo

Clique na foto para ampliar

Glaciar San Rafael
Glaciar San Rafael

A atração mais espantosa desse recanto chileno é o glaciar que se descortina na Laguna San Rafael. Trata-se de uma gigantesca porção do Campo de Gelo Norte que invade uma lagoa em meio aos fiordes típicos da região. Vale lembrar que o Campo de Gelo Norte é a segunda maior calota gelada do mundo fora das regiões polares, assentada por entre os picos da Cordilheira dos Andes, com 120 km de comprimento e 70 km de largura.

Chega-se até o glaciar após um passeio de 5 horas em um agradável catamarã motorizado, o Chaitén, que abriga 100 pessoas e parte da pequena vila de Puerto Chacabuco. O barco cruza fiordes e termina onde um belíssimo fenômeno da natureza acontece: a queda dos gelos milenares do glaciar.

Os espetaculares desprendimentos são acompanhados pelos turistas em botes alçados ao mar desde o catamarã. Por cerca de uma hora pode-se navegar pela borda do glaciar e fotografar a paisagem inconfundível. Depois, no caminho de volta, o staff do hotel serve aos passageiros o “whisky 1012 anos” – 12 da bebida e mil do gelo.

 

Hospedagem de primeira

 Clique na foto para ampliar

Hotel Loberias del Sur
Hotel Loberias del Sur

Pelos fiordes, pode-se apreciar a vida selvagem na forma de santuários de aves, toninhas (um parente do nosso boto) e muitos lobos marinhos preguiçosos, tomando sol nas margens.

Por sinal, esses simpáticos animais deram nome ao principal hotel da região, o Loberias del Sur. É dali que partem os passeios de catamarã para a Laguna San Rafael, assim como diversas outras excursões, como as caminhadas pelo Parque Aysén, uma reserva natural onde se pode conhecer boa parte das espécies vegetais exclusivas da região.

O hotel está a duas horas do pequeno aeroporto de Balmaceda. São 60 quartos duplos e mais 60 individuais, todos amplos, com banheiras, wi-fi gratuito e decorados com madeira nativa da região. Para quem viaja em família, muitos são conectados, sem contar os preparados para portadores de deficiência física.

A gastronomia se destaca, nessa região adorada por pescadores do mundo todo graças aos rios repletos de trutas enormes e braços de mar com outros peixes desafiadores. O Hotel conta com um restaurante de comida internacional, o Chucao, que prepara bons pratos da cozinha patagônica, como cordeiro, peixes e carnes. Sem falar nos frutos do mar (a região de Aysén fica relativamente perto da famosa Ilha de Chiloé) e, claro, da boa carta de vinhos chilenos. Quem está hospedado tem à disposição ainda loja de artesanato, uma ampla academia de ginástica, sauna seca e uma piscina indoor aquecida, com nichos de hidromassagem.

Mas, a despeito do conforto interno, ninguém vai ao Loberias del Sur para ficar dentro de suas instalações. O hotel oferece atividades como visitas à reserva eco-turística Aikén Del Sur, passeios a cavalo, excursões de pesca, rafting, trekking, city tour em Coyhaique e Puerto Aysén, entre outros.

 

Capelas de mármore

Clique na foto para ampliar

 

Puerto Guadal
Puerto Guadal

Se o glaciar encanta, há, por outro lado, atrações que intrigam. É o caso das Capillas de Mármol (Capelas de Mármore). Essas formações rochosas absolutamente incomuns ficam nas margens do Lago General Carrera – o segundo maior da América do Sul.

Chega-se pela água também a essa atração, mas agora em pequenos barcos a motor que partem das imediações de Puerto Rio Tranquilo. Uma vez nas “capelas”, a sensação é de estar em cavernas caprichosamente esculpidas em mármore claro, formando um cenário de ficção científica, conforme elas se despenham pelas entranhas das encostas. Formaram-se durante milhões de anos, devido à erosão glacial e das águas do lago.

Não muito longe dali fica um dos mais agradáveis vilarejos para quem quer relaxar. É Puerto Guadal, nas margens do mesmo Lago General Carrera. Ponto de partida para expedições de pesca e trekking, essa comunidade de 600 habitantes tem restaurantes e bons hotéis, como o Terra Luna Lodge, conduzido por Philippe Reuter, um alpinista francês que se apaixonou pela região e decidiu se estabelecer por ali.

Do Terra Luna partem expedições cheias de adrenalina em lanchas de alta velocidade. Os jet boats, como são chamados, percorrem corredeiras e canais a até 70 km/h, levando os visitantes a pontos de onde se tem visão privilegiada das montanhas que cercam o Campo de Gelo Norte.

 

Pesca privilegiada

Clique na foto para ampliar

 

Lodge no Rio Baker
Lodge no Rio Baker

A Patagônia Norte se tornou na última década um destino top para os fãs da pesca esportiva. É comum se deparar com americanos e europeus pelos rios da região, em busca de trutas, salmões e outras espécies de peixes – sempre enormes.

Na parte mais austral desse território, próxima ao Rio Baker (o maior do Chile em volume d’água) proliferam os lodges com toda a estrutura para quem deseja pescar – dos equipamentos para alugar e vender aos barcos que levam aos melhores pontos.

Mas não pense que se trata somente de alojamentos simplórios a exemplo do que se vê no Brasil. Há opções mais rústicas, mas também outras luxuosas, em que o eventual pescador pode, sem peso na consciência, deixar sua família relaxando junto à natureza.

É o caso do Green Baker, às margens do Rio Baker. Todas as suas cabanas, além de confortáveis e amplas (para famílias), possuem TV por satélite, internet wi-fi, aquecimento a gás e varandas voltadas para o rio.

Para os familiares que não forem nas sessões de pesca, há opções de lazer como passeios de caiaque, jet boat, mountain bike, cavalos, rafting, trekking e tirolesa.

 

Coyhaique e suas delícias

Clique na foto para ampliar

Apesar de boa parte das atrações estarem atreladas aos lagos e braços de mar, há boas estradas locais – inclusive a famosa Carretera Austral –  que permitem viajar entre os principais pontos turísticos.

Imperdível, por exemplo, trilhar a Rota 7 ao sul de Balmaceda, de onde se avista o imponente Cerro Castillo. Ele nem é tão alto: seu cume atinge 2600 metros acima no nível do mar. Mas seus contornos são absolutamente únicos, lembrando um castelo medieval.

É possível alugar carro e desvendar por conta própria todos os recantos da Patagônia Norte. Mas a forma mais confortável e segura, contudo, é contratar uma das operadoras locais – já que nem sempre as atrações são fáceis de achar e ficam muito longe umas das outras. Agências como a Tehuelche Patagônia Tour dispõem de vans confortáveis, que levam os turistas e ainda garantem petiscos e bebidas no caminho – sem contar, claro, o trabalho dos bons guias turísticos. Há, inclusive, passeios específicos para viajantes da terceira idade ou para pescadores experientes.

A base de partida de todos os tours é a cidade de Coyhaique. Com seus 60 mil habitantes, é a principal área urbana da Patagônia Norte. E se trata de um lugarejo surpreendente: bons hotéis, comércio variado, ótimos restaurantes. Até cassino tem: o da rede Dreams, anexo ao hotel de mesmo nome, onde, além de jogar, o turista pode ver shows variados.

O centrinho muito bem arrumado e asseado é repleto de lojinhas de produtos que vão de artesanato indígena a roupas para esqui e equipamentos de pesca – passando por doceiras, cafés charmosos e butiques. E a gastronomia merece ser experimentada. Há restaurantes como o La Casona, de aparência familiar, mas com cozinha de primeira linha. Ele serve delícias como a Palta Cardenal – uma entrada feita com lagostins e molho de abacate. Sem falar nos filés com quase 3 centímetros de espessura, acompanhados de legumes e do famoso molho apimentado chileno aji.

Quanto à hospedagem, há 17 opções, que vão desde hostels simples (mas limpos e charmosos) até o luxuoso Dreams, com seu cassino. Para quem, no entanto, quer ter o conforto da cidade, mas de cara para a natureza, a pedida são as pequenas guesthouses e hospedarias da Carretera Austral, a estrada que leva aos pontos turísticos. Uma dica é o hotel Tehuelche, à beira de um desfiladeiro e com visão inigualável do vale que envolve a cidade. Quase todos os quartos têm vista panorâmica e o ambiente caseiro cria um clima pra lá de hospitaleiro – como, aliás, é regra nesta região tão privilegiada do sul do Chile.

Crédito das fotos: Paulo Mancha / Divulgação- Hotéis

__________________________________________________________________________

Confira as demais reportagens do Especial Chile:

__________________________________________________________________________

Saiba mais: http://chile.travel/pt-br/

Especial Chile – 6: Patagônia Sul

Ela é um dos mais isolados e belos redutos naturais do mundo com suas montanhas, campos e cidades peculiares. Conheça a Patagônia Sul

Este slideshow necessita de JavaScript.

Adaptado da reportagem que fiz para a Revista Viajar pelo Mundo – ed.23

O nome é igual, mas o cenário, bem diverso. Se você acha que não precisa ir à Patagônia chilena porque já conhece a parte argentina, está equivocado. Ambas têm mais diferenças que similaridades. E mais: dentro do próprio Chile, ela se divide em Patagônia Norte e Patagônia Sul – também diferentes.

Começo esta parte do Especial Chile com a mais conhecida: a Patagônia Sul. Ali, em vez das estepes a perder de vista do lado argentino, despontam montanhas, fiordes (os braços de mar que adentram a terra por vales estreitos), geleiras e fazendas.

Patagônia Sul – Ela é a região mais remota do continente sul-americano. Um lugar onde animais raros vivem em função da Cordilheira dos Andes e dos mais impressionantes glaciares do mundo.

O distanciamento geográfico, no entanto, não impediu que essa região se tornasse um dos principais destinos turísticos do Chile. Desde o século 19, navios que trafegavam do Oceano Atlântico para o Pacífico sempre passaram por ela, sobretudo antes da construção do Canal do Panamá, em 1914.

Dessa forma, enriqueceram-se as poucas cidades portuárias e surgiram muitas fazendas de criação de ovelhas, conduzidas por imigrantes, na maior parte alemães. Quando essas atividades perderam o fôlego, na segunda metade do século 20, o turismo entrou com força em seu lugar.

Torres del Paine – O centro das atenções de quem viaja para lá é, indiscutivelmente, o Parque Nacional Torres Del Paine. Declarado reserva da Biosfera pela Unesco, em 2009, ele foi eleito o 6º lugar mais bonito do mundo e o mais belo da América do Sul numa enquete realizada com 400 jornalistas de turismo.

A razão está no cenário incomum, que parece tirado de um quadro surrealista. Torres del Paine abriga glaciares, lagos e formações montanhosas raras, com mais de 3 mil metros de altitude, em alguns casos.

Não são simplesmente picos nevados, como se vê na Cordilheira dos Andes. No Paine, um fenômeno geológico exclusivo coloriu as rochas de uma forma que não se vê no resto do planeta. A lava vulcânica que subiu das camadas internas da Terra há 12 milhões de anos não conseguiu transpassar as rochas da superfície e acabou empurrando-as para o alto gradualmente.

Assim, em lugar dos vulcões (tão comuns no Chile), o que existe ali são picos agudos, com forma e cor muito incomuns. Cada camada de montanha tem uma tonalidade diferente, conforme a época em que surgiu, indo do preto ao laranja. Isso tudo permeado por bosques e lagos.

Hotéis inimagináveis – Quem vai ao parque tem a opção de apreciar a paisagem a partir dos vários hotéis e lodges ali instalados. O mais conhecido, o Explora, foi inaugurado nos anos 90 e desde então virou referência para quem busca hospedagem confortável, mas sem excessos e totalmente voltada para a contemplação da natureza.

O Explora não tem salas de jogos, discotecas ou um restaurante muito luxuoso, em contrapartida, sobram atividades como safáris fotográficos, navegações pelos agitados rios patagônicos e caminhadas monitoradas.

Sistema semelhante tem o novíssimo Tierra Patagonia. De frente para o Lago Sarmiento, ele é um convite à contemplação, com todos os seus quartos voltados às paisagens da região.

O Tierra Patagonia tem um spa caprichado e até mesmo jacuzzis externas, em meio à natureza. Mas que ninguém se engane: a ideia ali não é ficar nas suas dependências, e sim aproveitar as excursões oferecidas, que podem ser a pé, a cavalo, de van ou jipe.

Para os aventureiros – As excursões levam aos prodígios naturais do parque. O maior deles é o Paine Grande, com 3.050 metros de altitude. Apesar de não sertão alto (o monte Aconcágua, por exemplo, tem mais do que o dobro), ele é tão difícil de escalar que até hoje seu cume foi visitado por menos de 15 pessoas.

Ao seu lado, estão as “Torres” propriamente ditas. Elas formam um conjunto de montanhas de granito que contrasta com as outras formações célebres da região, os Cuernos – picos tortuosos, na forma de chifres, moldados pelo movimento das geleiras em épocas imemoriais. As cores impressionam, variando conforme a altura, do rosa ao preto.

Em Torres Del Paine,  as montanhas seduzem. Mas elas não estão sozinhas. Animais simpáticos como os guanacos (um primo da lhama) fazem a alegria das crianças e dos que curtem fotografar. Outros dão mais trabalho para quem quer vê-los, como os pumas e condores – pássaro símbolo dos Andes. Seja como for, ninguém sai sem uma boa imagem na câmera.

As cidades da Patagônia – Há mais do que o Parque Torres Del Paine na Patagônia chilena. Duas cidades e seus arredores merecem uma visita. A primeira é a pequena Puerto Natales,  distante 150 quilômetros do parque.

Com apenas 20 mil habitantes e 100 anos de idade, este antigo centro produtor de carne de carneiro e lã tem cassino, um museu caprichado sobre a herança indígena do sul do Chile, muitas lojinhas de artesanato e hotéis de estirpe.

Um deles, inaugurado em 2011, ocupa as antigas instalações de um frigorífico. Sim, é isso mesmo. O luxuoso The Singular Patagonia foi construído dentro do Puerto Bories, um gigantesco prédio de 1915, declarado Monumento Histórico Nacional pelo governo do Chile.

Com 56 apartamentos, spa, bar e restaurante de primeira linha, ele inclui, claro, um museu privado com máquinas do começo do século passado. Também apresenta aos que por ali se instalam um menu de 20 expedições exclusivas, que combinam caminhadas e navegações aos fiordes e aos incríveis glaciares Balmaceda e Serrano –distantes uma hora de barco.

Gastronomia singular – A sofisticação de Puerto Natales aparece também nos restaurantes. O Angélica’s, por exemplo, figura como “imperdível” nos guias de viagem chilenos, graças a sua proprietária, Angélica Muñoz – ex-chef de grandes resorts na África e no próprio Chile.

Quem vai a Puerto Natales, convém dizer, não pode deixar de explorar as fazendas centenárias da região, todas elas nos sopés dos Andes. Um exemplo é Porto Consuelo, comandada pelos netos do pioneiro Herman Eberhard, um dos primeiros produtores rurais da Patagonia chilena, no fim do século19.

Além dos rebanhos de ovelhas, o que lhes garante hoje a subsistência (e um bom lucro) são os almoços típicos oferecidos aos turistas. Eles também podem desvendar cânions e colinas a cavalo ou remar em caiaque pelo inspirador fiorde Eberhard.

Animais pré-históricos – Outro programa obrigatório é ir à Cova do Milodon, a 30 minutos de carro de Puerto Natales. Trata-se de uma gruta na base do Monte Benitez, com 200 metros de profundidade, 30 metros de altura e 80 metros de largura.

Nesse refúgio natural moraram durante milênios os milodons, uma espécie animal extinta que, segundo dizem os cientistas, lembrava um bicho-preguiça gigante, com mais de 3 metros. Até algumas décadas atrás, os fósseis desses mamíferos podiam ser achados às centenas, ao nível do solo. Ainda hoje, basta cavar um pouco para encontrar pelos e unhas, preservados há 10 mil anos.

A capital patagônica – Com 125.000 habitantes, Punta Arenas é a maior e mais desenvolvida cidade da Região de Magalhães e Antártica Chilena – nome oficial da província patagônica. É também a última escala dos aviões e navios que rumam à Antártica e o ponto de partida para quem deseja conhecer as insólitas colônias de pinguins de Seno Otway e Ilha Magdalena.

Por isso, nessa cidade se sente um clima mais agitado que em qualquer outro ponto da Patagônia chilena. A cada dia, milhares de turistas e aventureiros ali desembarcam, sem imaginar que vão encontrar uma área urbana tão repleta de monumentos e construções históricas.

Marcos do passado, como o Palácio Sarah Brown e o Hotel José Nogueira, foram tombados pelo patrimônio histórico chileno e transformados em restaurante e hotel cinco estrelas, respectivamente.

Um afago pata o paladar – Dezenas de restaurantes de todas as vertentes e preços fazem da capital um agradável destino para fãs da gastronomia apurada e da enologia.

Se a patagônia chilena é um isolado reduto natural, nada como terminar sua jornada selvagem degustando um salmão grelhado em manteiga de alcaparrado Puerto Viejo, considerado por muitos o melhor lugar para comer na província toda.

Ou, ainda, relaxando e se divertindo no mais moderno hotel do extremo sul do Chile, o Dreams. Erguido há três anos na antiga zona portuária, hoje renovada, ele prevalece no cenário a beira mar e enche os olhos com sua arquitetura arrojada. Tem 88 suítes espaçosas, spa, um restaurante de alta gastronomia, boate e o Dreams Casino, que lota aos fins de semana, com gente de todo mundo tentando ganhar nas mesas de carteado, roleta e caça-níqueis.

Hospedar-se por ali e curtir o que esse delicioso fim de mundo tem a oferecer serve tanto de inspiração para quem está chegando à Patagônia quanto de final glorioso para os que estão concluindo a jornada.

 

Crédito das fotos: Paulo Mancha / Divulgação- Hotéis / Wikicommons

__________________________________________________________________________

Confira as demais reportagens do Especial Chile:

__________________________________________________________________________

Saiba mais: http://chile.travel/pt-br/

Especial Chile – 5: De carro em Santiago  

Pretende encarar o roteiro de carro pelos Andes? Então aproveite uns dias na capital chilena, uma metrópole como nenhuma outra na América do Sul

Este slideshow necessita de JavaScript.

Direto ao ponto: Santiago é diferente de tudo o que você está acostumado a ver na América do Sul. Uma metrópole organizada, limpa, bonita e humana. Que me perdoem agentinos, peruanos, cariocas e paulistas…

Para quem, por exemplo, sofre no trânsito caótico das metrópoles brasileiras como Rio e São Paulo, dirigir na capital chilena é para lá de fácil. Isso é perceptível logo que se deixa o aeroporto internacional em direção ao centro. Não faltam vias expressas e avenidas amplas bem sinalizadas – um indício da boa qualidade de vida nessa cidade com mais de seis milhões de habitantes, que aproveita os frutos de uma economia estável há anos.

Sobram praças, parques e monumentos. Vale a pena passar pelo menos dois ou três dias quando você estiver em viagem pelas inúmeras atrações do Chile. Assim você pode curtir lugares de beleza ímpar como o Cerro San Cristóbal, uma montanha que ladeia a área urbana e permite vista panorâmica a 300 metros de altura. Dá para apreciar os bairros antigos, de arquitetura britânica, e as vizinhanças mais recentes, com prédios altos e envidraçados. Além, é claro, dos picos nevados dos Andes.

Parques deliciosos – O Cerro San Cristóbal faz parte do Parque Metropolitano, que ainda abriga o Zoológico Municipal, o enorme Jardim Botânico (célebre por suas espécies raras de plantas, que incluem desde cactos do Atacama até musgos da Patagônia), o Observatório Astronômico da Universidade Católica e a Casa de la Cultura, que oferece espetáculos musicais gratuitos todos os domingos.

Este slideshow necessita de JavaScript.

E, claro, não poderia faltar uma atração ligada aos deliciosos vinhos chilenos. É o Camino Real (também chamado de Enoteca), um misto de bar, restaurante e museu onde se pode degustar e conhecer tudo sobre os melhores tintos, brancos e espumantes produzidos no país.

Aos pés do Parque Metropolitano reluz o ponto mais boêmio de Santiago hoje em dia. É o Barrio Bellavista, com suas centenas de bares, baladas e restaurantes ocupando galpões industriais desativados e casinhas antigas.

Imperdível, por exemplo, curtir a noite no Pátio Bellavista, um shopping a céu aberto com mais de 50 lojinhas e 20 opções gastronômicas e de lazer.

Para comer e amar – Por falar em gastronomia, outra visita obrigatória é ao colorido Mercado Central, a apenas dois quilômetros dali, na rua San Pablo. Não há lugar melhor para experimentar os caranguejos gigantes pescados na costa chilena.

Construído em 1872, todo em ferro fundido, o mercado agrega bancas que vendem ingredientes e temperos e 23 restaurantes. O mais famoso deles é o Donde Augusto, que traz seus frutos do mar em questão de horas dos barcos pesqueiros até suas mesas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Com o paladar satisfeito, a pedida é ir até pontos turísticos capazes de saciar a fome de cultura. Você pode deixar o carro no estacionamento: a Plaza de Armas, marco zero do país, fica a poucos metros do Mercado. Ela ostenta a Catedral Metropolitana, o Museu de Arte Sacra, o Teatro Municipal e dois museus interessantíssimos. O primeiro é o Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana. Seu acervo revela tudo sobre os tempos anteriores à vinda dos europeus; há desde objetos artísticos a múmias de povos dos Andes e da América Central.

O segundo é o Museu Histórico Nacional, que ocupa o antigo Palacio de La Real Audiencia. Ele exibe utensílios que contam a história do país a partir do século 16.

Onde Allende viveu e morreu – Obrigatória também é uma visita ao Palacio de la Moneda, na Plaza de La Libertad, a menos de um quilômetros da Plaza de Armas. Erguida em 1805, a sede do governo foi cenário de episódios dramáticos, como o suicídio do presidente Salvador Allende, em 1973, em meio aos bombardeios feitos pelos militares que tentavam tomar o poder.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Há uma interessante visita guiada gratuita (que deve ser agendada no site gob.cl/la-moneda): ela permite conhecer esse e outros fatos históricos ligados ao palácio – inclusive a lenda de que seu projeto teria sido trocado por engano com o da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, uma vez que ambos foram obras de uma mesma empresa francesa, na mesma época.

Igualmente interessante é La Chascona, sede da fundação Pablo Neruda. Essa casa emblemática foi a residência do poeta chileno, considerado um dos mais representativos da literatura da América Latina e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971.

Hoje estão expostos objetos colecionados por ele durantes suas viagens (Neruda exerceu cargo diplomático por muitos anos), além de obras de arte e manuscritos de seus livros.

Café con piernasUm clássico na capital são os bares conhecidos como Café con piernas, em que garçonetes vestem microvestidos justíssimos. Mas não há nada de errado nisso. Apesar do uniforme incomum, as moças servem cafezinhos – e só! Um dos mais famosos é o Café Haiti, próximo à Plaza de Armas, no Paseo Ahumada, 140. Vale a pena conferir.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Por fim, recomendo desvendar as belezas do Parque O’Higgins, uma área de lazer com lago, palco para espetáculos de música e dança, pista de patinação no gelo (só no inverno), clube hípico, restaurantes e lojas. O parque é um dos destaques turísticos da metrópole, situado a apenas três quilômetros do centro.

Ele não somente agrada os adultos como fascina as crianças, graças ao aquário Aquamundo e à Fantasilandia, o maior parque de diversões do Chile, com mais de 40 brinquedos, em uma área que equivale a um terço do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

__________________________________________________________________________

Confira as demais reportagens do Especial Chile:

__________________________________________________________________________

Saiba mais: http://chile.travel/pt-br/

Especial Chile/Argentina – 4: De carro nos Andes

Poucos trajetos no mundo são tão belos quanto os 370 quilômetros entre Santiago, no Chile, e Mendoza, na Argentina. Uma região onde se misturam estações de esqui, marcos históricos, vinícolas e paisagens inesquecíveis

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fotos: Paulo Mancha / Ciro C. Monc ayo / Divulgação

São somente 370 quilômetros – menos que a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo. Em teoria, daria para trilhar o percurso de carro em cerca de seis horas. Mas ninguém consegue viajar em apenas um dia de Santiago, a capital do Chile, até Mendoza, no extremo oeste da Argentina.

A quantidade de belezas naturais e atrações feitas pelo homem é tamanha que se torna impossível dirigir mais do que 30 ou 40 quilômetros sem querer parar para uma foto ou para desfrutar do cenário por horas – ou dias. São vinhedos, montanhas nevadas, sítios arqueológicos, estações de esqui, recantos históricos e vilazinhas que encantam.

Isso sem contar as próprias Santiago e Mendoza, duas cidades grandes, com centenas de opções de lazer, compras e passeios culturais. Eu fiz esse trajeto em um automóvel alugado na capital chilena e conto, a seguir, tudo de bom que há na deliciosa travessia dos Andes.

Bucolismo no Vale do Aconcágua

Autopista de Los Libertadores. Esse nome cheio de pompa remete à estrada que sai de Santiago rumo ao norte, em direção ao Vale do Aconcágua (o rio, não a famosa montanha). Os primeiros 40 quilômetros podem desapontar quem espera logo ver belas paisagens. Não há absolutamente nada de interessante nesse começo de jornada, só algumas cidades sem lá muito charme da periferia da capital.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

Mas conforme o cenário urbano fica para trás, surge um vale semiárido encravado entre os Andes e a Cadeia da Costa. É a região de Cuenca de Chacabuco, recanto de uma beleza incomum – seca e rochosa. Lugar tão livre de nuvens e chuvas que até mesmo uma estação de rastreamento de satélites foi instalada ali pelos americanos.

Como se fosse um guardião da Cuenca, ergue-se ao lado da estrada o Monumento à Vitória de Chacabuco – uma enorme estátua de um soldado estilizado. É aqui que começam surgir cenários inspiradores.

Paredões de pedra ladeiam a rodovia, que segue rumo à cidadezinha de Los Andes, a 75 quilômetros de Santiago, último ponto em “terras baixas”, antes de subir a cordilheira rumo à Argentina.

Artesanato e Termas

Mas vale a pena fazer um desvio no trajeto e explorar essa região. Há pequenos achados, como o bairro Almendral, em San Felipe. Ali está a Igreja del Almendral, um marco histórico, construída toda em madeira em 1860 e perfeitamente preservada.

O antigo convento franciscano anexo à igreja deu lugar a uma cooperativa que produz algumas das mais admiráveis obras de artesanato chileno. Sem falar na Capela de Santa Teresa de Los Andes, no distrito de Rinconada, palco de romarias e ponto de especial interesse para o turismo religioso.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

O grande atrativo, contudo, fica cerca de 20 quilômetros à frente de Los Andes. No alto de uma colina surge uma das mais bucólicas estâncias hidrominerais do Chile. São as Termas de Jahuel, a 1200 metros de altitude, de cara para o Vale do Aconcágua.

O lugar tem tradição que remonta ao século 19. O cientista inglês Charles Darwin foi um dos primeiros a descobrir esse retiro cheio de calma, beleza e guas termais, que brotam mornas da terra em fontes naturais. Foi lá que Darwin descansou, após suas pesquisas no Chile, em 1834.

Um hotel butique foi construído em volta das fontes geotérmicas – isso em 1912, e até hoje é a vedete dessa parte da província. Trata-se do Termas de Jahuel, encravado numa encosta, cercado por uma pequena floresta, com piscinas de águas tépidas que se projetam na paisagem.

O sossego é absoluto e, por isso, virou refúgio de celebridades e artistas. Os únicos que vêm xeretar por ali são os zorritos, as pequenas e simpáticas raposinhas das colinas. Hospedar-se no Termas de Jahuel não é barato – uma diária para casal sai pelo equivalente a R$ 500 (preço que cai bastante nos pacotes de 3, 4 ou mais dias).

Mas a paz, as piscinas termais, o requintado spa e a visão ímpar do Vale do Aconcágua compensam o valor. E ainda proporcionam um bem-vindo descanso antes de encarar a adrenalina da estradinha que corre Andes acima.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

Um carro a 3 mil metros de altitude

O ápice da viagem é a passagem pela estação de esqui de Portillo. Em todos os sentidos, já que ela fica a quase 3 mil metros de altitude, em plena Cordilheira dos Andes. E tudo conspira para fazer o coração bater mais forte nessa etapa da jornada.

A começar pela própria estrada que leva até lá. De Los Andes a Portillo, são 60 quilômetros, dos quais dez pela célebre “Estrada Caracol”. Seu nome oficial é Ruta 60 e ela vai do seco Vale do Aconcágua até os picos nevados da estação de esqui, quase na divisa com a Argentina.

Nesse trajeto relativamente curto, ocorre uma surpreendente mudança de cenários. Do deserto para os bosques, dos bosques para a neve. A Estrada Caracol revela nada menos que 29 curvas seguidas em forma de ferradura, conforme ela galga a montanha.

É inevitável o frio na barriga ao dirigir por ali. Primeiro, porque a temperatura, de fato, despenca. Segundo, devido aos penhascos e desfiladeiros a poucos metros dos pneus. Terceiro, pelas condições de tempo: no inverno, é obrigatório levar correntes para colocar nas rodas em caso de nevasca e absolutamente recomendável pedir dicas a motoristas mais experientes.

Apesar disso, é uma estrada segura para quem dirige com cautela. E próximo a Portillo dá até para estacionar no acostamento e fazer aquela impressionante foto do “caracol” montanha abaixo.

Uma vez vencida a adrenalina da estradinha de montanha, é vez de se aventurar no gelo. Portillo é um dos mais deliciosos resorts de inverno do mundo. Eu escrevi sobre o lugar neste post. 

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

Entre Chile e Argentina

Depois de curtir Portillo, peguei a estrada de novo, rumo à Argentina. O percurso entre a estação de esqui chilena, nos Andes, e Potreríllos, às margens do Rio Mendoza, já na Argentina, é provavelmente um dos mais belos do mundo para se trilhar de carro.

O lado argentino da cordilheira lembra uma pintura surrealista, com mosaicos de cores, formas e surpresas visuais a cada curva. A fronteira, a 3.200 metros de altitude, é demarcada pelo Túnel internacional Cristo Redentor, com seus quatro quilômetros de extensão.

Inaugurado em 1980, ele substituiu um perigoso trecho de estrada que conduzia os motoristas até sufocantes 3.854 metros de altitude, onde havia a única passagem por entre os altíssimos cumes andinos.

A velha estrada ainda existe e pode ser explorada partindo do povoado de Las Cuevas, na Argentina – mas só quando não há neve na pista de terra. Ela leva à estátua do Cristo Redentor dos Andes – que, vale dizer, é mais antigo que a nossa, do Rio de Janeiro. Foi instalada em 1904 – 27 anos antes da versão carioca.

Em compensação, nem se compara em termos de tamanho: tem somente 8 metros de altura. Viajar até lá pode ser uma dor de cabeça – literalmente: nessa altitude, a quantidade de oxigênio é de apenas dois terços do normal, e isso pode ocasionar fadiga e outros efeitos nas primeiras horas. Ou seja, mais uma precaução para quem dirige.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

Argentina: com o Monte Aconcágua o fundo

Por isso, uma providencial parada de aclimatação é oferecida no Parque Provincial Aconcágua, logo a 12 quilômetros da fronteira pela Ruta 7 (nome da estrada no trecho argentino).

Essa é a porta de entrada para quem deseja escalar ou simplesmente admirar o Monte Aconcágua, ponto culminante das Américas, com seus 6.962 metros. Se você imaginou um lugar inóspito, gelado e de difícil acesso, saiba que é exatamente o contrário.

Há estacionamento, centro de visitantes e tours guiados que levam a mirantes de onde se pode avistar a imponente montanha. Você tem a opção de passar o dia desbravando trilhas com apoio de guias especializados ou fazendo um gostoso piquenique andino.

Praticamente ao lado do Parque Aconcágua fica o posto de imigração e alfândega Los Horcones e, em seguida, um dos pontos altos da Ruta 7: a instigante Puente del Inca. Trata-se de uma mescla de sítio arqueológico, fenômeno natural e marco histórico.

Ao longo de milhares de anos, uma ponte se formou sobre o Rio Mendoza, caprichosamente moldada por geleiras de épocas remotas nas rochas calcárias amarelas. Ela serviu por muito tempo às tribos pré-colombianas como única forma de cruzar o curso de águas geladas e revoltosas, originárias do degelo dos Andes.

Depois, no século 19, ingleses contratados para construir ferrovias ergueram ali, junto à ponte, um pequeno spa, hoje em ruínas e tomado pela coloração amarela do calcário trazido pelo rio. Clique na foto para ampliar e ver a legenda

É desafiador fotografar a Puente del Inca sob os mais variados ângulos, assim como explorar a feira de artesanato e produtos típicos que se instala todos os dias ao lado dela. Há também restaurante, lanchonetes, hostels (bem simplórios, é bom avisar) e até um minimuseu.

Argentina: o incrível Vale do Rio Mendoza

O melhor, porém, ainda está por vir. Dez quilômetros além de Puente del Inca, surgem duas pequenas estações de esqui – Los Penitentes e Los Puquios. E, em seguida, começa a longa descida pelo Vale do Rio Mendoza, onde cânions, falésias e vales rochosos fundem as cores vermelha, amarela e laranja.

Essa verdadeira obra-prima da natureza, cunhada ao longo de milhões de anos, triplica o tempo da viagem, já que ninguém resiste à tentação de parar o carro diversas vezes no acostamento para contemplar e fotografar.

São 70 quilômetros de cenários encantadores até a chegada a Uspallata, a primeira cidade Argentina depois da fronteira. Aí surge outra face desse caminho: a dos esportes de natureza. Pequenas agências levam a cavalgadas e jornadas de mountain bike, quadriciclo, trekking e até parapente pelos campos e colinas no entorno. Elas passam inclusive por ruínas indígenas, minas de prata abandonadas e sítios arqueológicos pré-colombianos.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

Mais adiante, no caminho para a enorme represa de Potrerrillos, multiplicam-se pela beira da estrada as agências de rafting, que aproveitam as águas verdes (e geladas!) do Rio Mendoza.

Apenas 80 quilômetros separam Potrerillos do destino final, Mendoza. Mas também aqui vale a pena pernoitar. Há boas opções de hospedagem, algumas simples, outras bastante charmosas. A exemplo do Pueblo del Rio, um hotel com 20 chalés debruçados sobre as corredeiras límpidas do Rio Mendoza.

Construídos em estilo rústico, com madeira e pedra por fora, são quentes e confortáveis no interior, com cozinha completa e TV. O hotel agracia os hóspedes ainda com piscinas aquecidas, um spa com terapias feitas ao ar livre, um restaurante de receitas andinas à base de carne de ovelha e um salão de há repleto de futons, de frente para as montanhas.

A sensação de introspecção é plena, graças ao isolamento, à vista do vale e ao som da água corrente. Mais relaxante, impossível.

E foi assim, de alma lavada, que cheguei à maior cidade argentina deste lado do país. Mendoza é uma pérola no deserto. Mas isso é outra história, que fica para o “Especial Argentina”, num futuro próximo.

Clique na foto para ampliar e ver a legenda

_______________________________________________________________________________

Dicas para alugar e dirigir

185120_3997792220743_204598689_nO ideal para quem quer fazer a travessia é ir de avião a Santiago e lá alugar um carro. Isso porque viajar por ar até Mendoza sai bem mais caro e exige conexão em Buenos Aires. Uma vez em Santiago, não há grandes segredos para alugar um veículo – isso, claro, se você fosse ficar apenas no Chile. A passagem pela fronteira para a Argentina envolve diversas burocracias que precisam ser providenciadas com antecedência, como pagamento de seguro internacional e de uma permissão especial exigida pelo governo argentino – cerca de US$ 120. Cada locadora trabalha de forma diversa com essas exigências, mas algumas empresas no Brasil providenciam tudo junto com o aluguel, como a Mobility (mobility-online.com.br), de São Paulo, que cuidou da documentação na minha viagem. Uma vez com o carro e a papelada em ordem, tenha em mente algumas coisas. Primeiro, as leis de trânsito são rígidas no Chile e qualquer deslize – mesmo que seja estacionar por uns minutinhos em local proibido – rende multa na certa. Nas estradas, há muitos pedágios, mas que cobram bem pouco. Por isso, ande com dinheiro trocado, e o principal: tanto em pesos chilenos quanto em argentinos, já que depois da fronteira também há pedágios – e quase nenhum lugar para fazer a troca de moedas. A única casa de câmbio da fronteira tem tarifas extorsivas. Por fim, se decidir viajar no inverno, saiba que o porte de correntes para rodas é obrigatório, mas as locadoras raramente as fornecem. É preciso alugá-las (ou comprá-las) nas oficinas de beira de estrada da Ruta 60, a um custo de CLP 7.000 por dia (cerca de R$ 30). E peça para o mecânico lhe ensinar como instalar, para o caso de uma nevasca inesperada. Viajei no inverno e dei sorte de pegar a estrada sem (muita) neve. Mas enquanto eu estava em Mendoza, uma nevasca fechou o caminho e fiquei lá esperando 4 dias até que a estrada fosse liberada de novo ao tráfego. tenha isso em mente, pois pode acontecer com você! De resto, é só ter cautela e abastecer o carro com frequencia, mesmo que o tanque esteja ainda pela metade, já que são grandes os trechos de estrada sem postos de combustíveis, sobretudo no lado argentino.

—————————————————————————————–

Saiba mais: http://chile.travel/pt-br/

Especial Chile – 2: Travessia de Lagos

Cada vez mais brasileiros se aventuram pelos lagos andinos, na incrível travessia que leva de Pucón, no Chile, a San Martin de Los Andes, na Argentina

Texto: Paulo Mancha D’Amaro Fotos: Paulo Mancha/Jaime Borquez/divulgação

Você muito possivelmente já ouviu falar na “Travessia de Lagos”, o roteiro turístico que há muito tempo leva viajantes do Chile para a Argentina – mais especificamente de Puerto Montt a Bariloche. Tudo bem, é um passeio bacana. Assim como bacanas também são essas duas cidades.

Mas se você estava sentindo falta de algo diferente para os lados dos Andes, então pode fazer as malas. Lançado em 2011, o “Nuevo Cruce de Lagos” está deixando as antigas rotas no passado… O segredo está no ineditismo dos pontos de partida e chegada.

A jornada começa em Pucón, cidade chilena às margens do lago Vilarrica e pertinho do vulcão de mesmo nome, indo terminar em San Martin de Los Andes – a “Bariloche do Século 21”, como muitos costumam dizer na Argentina.

Entre as duas cidades, um caminho delicioso, repleto de bosques, lagos, montanhas e pequenos hotéis. O trajeto entre as duas cidades leva cerca de 11 horas, já contando os trechos terrestres, de navegação e as passagens pelas alfândegas – sim, existem postos aduaneiros de ambos os países bem no meio do nada. Ou “quase” nada, já que a divisa fica num bosque cortado por uma trilha de terra.

Mas ninguém viaja para experimentar um passeio de menos de um dia. Além do belo visual proporcionado pela travessia em si, o bacana é curtir as extremidades da jornada.

Por isso, reserve um tempinho para desbravar Pucón, no Chile, e San Martin de Los Andes, na Argentina. Pelo menos uns três dias cada – assim, você terá uma semana completa de emoções na região andina.


PUCÓN – CALMA À BEIRA DO  VULCÃO

Com certa liberdade, pode-se dizer que Pucón é a versão chilena – e menorzinha – de Campos do Jordão, a Meca do inverno em São Paulo. Ou seja, exibe casario em estilo europeu, um centrinho comercial elegante e jovens explorando a noite durante a alta temporada. A diferença é que Pucón tem neve de verdade.

E mais: um vulcão na paisagem, além de estação de esqui, cassino e um grande lago que a envolve. Ok, desculpe, Campos do Jordão…

Nesta cidade de apenas 21 mil habitantes, a primeira tentação é visitar as lojas de artesanato no simpático centrinho. Ali você se depara com os intricados artefatos manufaturados pelos  mapuches, nativos que habitavam as montanhas antes da chegada dos colonizadores espanhóis.

Também há uma boa oferta de lojas de grife, bares descontraídos e restaurantes agradáveis, em que se pode degustar desde mariscos com camarão até avestruz e saborosos grelhados de cordeiro – aliás, o prato típico da região. Um dos melhores para isso é o La Maga, que, apesar de se autointitular um restaurante de “parrilla uruguaia”, serve boas opções da culinária local.

Bem perto fica a estação de esqui, a 18 quilômetros, acessível por uma estrada de montanha com curvas fechadas e belo visual. Situada na encosta do Vulcão Villarrica, seu cume atinge 1480 metros de altitude. Não é uma das mais badaladas em termos esportivos, mas proporciona uma vista inigualável dos lagos da região, sobretudo o Villarrica e o Calafquen.

A região do Vulcão Villarrica inclui outras atrações, como o Parque Nacional Huerquehue — excelente para os fãs de caminhadas na natureza. Uma densa vegetação de montanha é cortada por trilhas com muitos níveis de dificuldade.

Do alto das montanhas desse parque, vê-se o Lago Caburgua – formado há dez mil anos graças ao degelo da Cordilheira dos Andes. Ele tem praias de cinzas vulcânicas, uma vegetação peculiar, baseada nos coigues – árvores com mais de 30 metros de altura – e também nos digüeñes – fungos coloridos que são usados na gastronomia da região.

Mas essa natureza toda não significa ausência de sofisticação. A região do Lago Villarrica tem excelentes opções de hotéis. A começar pelo Vila Rica Park Lake, perto do vulcão. O hotel oferece 70 quartos com uma vista absolutamente encantadora do Lago de mesmo nome. Sem contar o Spa Aquarius, especializado em terapias com água, e do restaurante Águas Verdes, de culinária internacional. Tudo com padrão de serviço digno dos resorts internacionais mais renomados.

Mais intimista, ainda que igualmente excelente nos serviços, é o Hotel y Termas Huife. Ele fica a meia hora da cidade, nas imediações do Parque Nacional Huerqueue e às margens do Rio Liucura. O destaque são as quatro piscinas térmicas, com água de origem vulcânica que chega das profundezas a agradáveis 30 graus. E também as terapias do spa, que incluem até banhos de chocolate.

As acomodações, em forma de simpáticos chalés, também contam com banheiras subterrâneas, que se aproveitam da água termal. Por sinal, os chalés ficam tão debruçados sobre o rio e dorme-se com o bucólico som da correnteza a poucos metros de distância.

O curso d’água emoldura o cenário também para quem está no restaurante, com suas janelas envidraçadas. Nos dias mais frios, vislumbra-se o vapor emanando das piscinas, enevoando a paisagem e conferindo um tom místico que poucos lugares no mundo têm.


TRAVESSIA POR LAGOS E NEVE

Uma vez que você conheceu Pucón, é hora de botar o pé na estrada (e na água) rumo a San Martin de Los Andes, na Argentina. A nova travessia é operada pela empresa In Out Patagônia, e envolve trechos rodoviários e de navegação em lagos.

A viagem começa por terra. Um ônibus rodeia lugares repletos de bosques em Lican Ray e na borda do lago Panquipulli. Uma paradinha para ver Huilo Huilo é providencial. Trata-se de um salto de rara beleza, com águas que caem de mais de 40 metros, explodindo sobre as pedras.

Transformado em “Reserva Biológica” pelo governo chileno, Rufio Mulo é um lugar mágico, com acesso até de crateras de vulcões extintos e lagos de montanha escondidos. Próximo, despontam na mata duas construções absolutamente surpreendentes.

Pairando no alto do bosque esta o hotel Baoba. Feito em madeira, com uma arquitetura sai generis, lembra uma enorme casa na árvore. Ele tem 55 quartos interligados por um corredor em forma de espiral. No térreo, o restaurante Fica sobre um riacho. E, para coroar a inventividade da obra, uma claraboia gigante permite a passagem da luz do Sol e do luar. Por sinal, ele também dá vistas para os vulcões Mocho y Choshuenco.

A outra construção improvável é o Hotel Montanha Encantada, que mais lembra uma casa de conto de fadas. É recoberto de vegetação nativa, com umaa cascata jorrando desde o alto do prédio, escorrendo por entre as janelas dos quartos. A despeito da aparência rústica, oferece spa, piscinas térmicas, jacuzzis, ofurôs, sauna e serviço de massagem.

Tanta atenção quanto esse hotel, só a vizinha fábrica de cervejas artesanais Petermann consegue atrair. Um deleite para a vista e para o paladar.

O mais interessante é que todas essas atrações ficam próximas entre si e podem ser apreciadas de forma rápida. Assim, menos de três horas depois da saída de Pucón chega-se a Puerto Fuy, uma diminuta localidade à beira do Lago Pirihueico, último reduto habitado do Chile nessa jornada.

É daqui que sai o barco em direção à divisa com a Argentina — cerca de 26 quilômetros lago adentro. Mas, antes de navegar, vale a pena pernoitar ou até mesmo gastar alguns dias neste recanto de paz e contemplação.

Neste lugar, fica o delicioso Marina Del Fuy, hotel com 22 quartos com vista para o lago e para as montanhas nevadas. Ele oferece o melhor da gastronomia típica patagônica e uma carta de vinhos que certamente agrada os enólogos. É um dos mais charmosos lodges de todo Chile, 100% construído em madeira e ornado com antiguidades.

E mais: graças à localização, o Marina Del Fuy se especializou em esportes da natureza — do caiaque à cavalgada, passando pelo mountain bike e pelo trekking de altitude. O ferry boat, que faz a primeira parte da travessia, parte da prainha em frente ao Marina Del Fuy.

No percurso de uma hora e meia pelo Lago Pirihueico — o primeiro dessa travessia -, o visitante testemunha as intocadas florestas de carvalho e pinheiros, além de encostas nevadas e animais imponentes — inclusive os condores. Ao chegar em Puerto Pirihueico, um novo trecho motorizado conduz, por uma trilha no meio da floresta, à fronteira entre o Chile e a Argentina.

A fronteira fica no chamado Passo Hua Hum — um dos raríssimos locais de baixa altitude da Cordilheira dos Andes, com apenas 650 metros acima do nível do mar (menos que São Paulo, por exemplo), uma passagem ideal entre os países, mas que quase nunca foi usada devido à dificuldade de alcançá-la por terra.

Enquanto os lagos que a cercam eram considerados “obstáculos”, o Passo Hua Hum ficou esquecido. Agora que eles viraram atração turística, a fronteira tende a se popularizar.

Como nada é perfeito, os postos aduaneiros e de imigração de ambos os países fazem jus ao passado de esquecimento e abandono deste lugar: burocráticos e precários — nem sequer um sanitário decente é oferecido. Coisas da América Latina…

Esse pequeno inconveniente, porém, não empana o brilho da travessia. Fato evidenciado no olhar de agrado dos turistas quando encontram o Muelle Hua Hum, uma hospedaria cravada na borda do Lago Nonthué, já em território argentino.

Esse fiorde florido e idílico parece tirado de um filme, tal a perfeição do cenário. É no píer defronte ao pequeno hotel que se inicia a última parte da travessia. Torna-se a lancha Patagónia I, um barco moderno e rápido, que desliza com maestria pelo Lago Nonthué, até sua ligação com outro maior, o Lacar.

São duas horas de navegação por entre montanhas e ilhas. Uma delas, chamada Santa Teresita, merece uma paradinha: ela abriga uma improvável capela, que intriga a todos. Afinal, este é um dos lugares mais desertos e inacessíveis da América do Sul.

E ninguém sabe ao certo porque o templo ali foi erguido. A navegação termina no pequeno porto de San Martin de Los Andes — a cidade da moda quando se fala em turismo de inverno nas terras de Maradona.


SAN MARTIN DE LOS ANDES: JOVEM GLAMOUR

“A nova Bariloche”. É assim que muitos argentinos definem San Martin de Los Andes, a jovem cidade andina situada na nas margens do Lago Lacar, na província de Neuquén.

Com uma população de 30 mil habitantes, ela é base para atividades ao ar livre: caça e pesca, caminhadas, camping, escalada, rafting e agroturismo.

Também oferece cassino, discotecas e restaurantes de primeira linha. E o mais importante: está a alguns minutos do desafiador vulcão Lanin e do Cerro Chapelco, uma das mais bacanas estações de esqui da América do Sul.

Encravada no fundo de um vale, a cidade é plana e fácil de desbravar. Quase tudo fica nas imediações da rua San Martín, a principal artéria de circulação, que leva ao pequeno porto no Lago Lacar.

Há um centro cívico, agências de turismo e lojas — muitas lojas. Ali se acha desde marcas internacionais de artigos de inverno, como a North Face, até as pequenas lojas de artesanato, como a Artesanias Neuquenas, baseada numa cooperativa de artistas andinos.

Sem falar nas chocolaterias. Obrigatório dar uma passadinha na Abuela Goye. Além dos doces, pode-se provar e comprar as cervejas andinas, inclusive as variedades com mel, cassis, framboesa e, claro, a cerveja achocolatada.

Por falar em doces e bebidas, um passeio imperdível em San Mania é subir a montanha vizinha à cidade até a Casa de Chá Arrayan. Não bastassem as dezenas de variedades de infusões importadas do mundo todo e os bolos e tortas típicos feitos na hora, esse estabelecimento ocupa um local ultraprivilegiado.

A 300 metros acima da cidade, a Arrayan tem vista panorâmica para ela própria e também para o lago Lacar. É tão procurada que acabou virando pousada — uma das mais disputadas, em San Martin de Los Andes.

Seja no alto da montanha ou no sopé, a gastronomia é outro ponto forte. São mais de 20 restaurantes, a maioria especializados em carnes argentinas. Alguns, como a Posta Criolla, exibem logo na entrada o prato típico, chamado de cordero al palo — um churrasco de cordeiro na estaca, assado numa fogueira campestre.

Outros, mais refinados, têm iguarias originárias dos lagos andinos. É o caso do El Regional, com sua truta defumada ao aipo. Por sinal, o El Regional também serve carnes mais exóticas, como javali, e receitas à base dos cogumelos da região.

Para quem gosta de jogar, existe o Cassino Magic, uma filial do cassino integrado ao Hotel Magic, na cidade de Junin de los Andes. Aos fins de semana, lotam-se as quatro mesas de black jack, as duas de poker e as seis roletas – sem contar as 125 caça-níqueis.

Mesmo quem não joga se diverte por ali: o Pub Ases y Reyes serve drinques, petiscos e tem apresentações de música ao vivo quase todos os dias.

Nem tudo de interessante fica na área urbana, contudo. Conforme se toma a principal estrada da região, a Ruta 234, a paisagem montanhosa enche a vista, com a dramaticidade característica dos Andes. Ela culmina em Chapelco – um ski resort, a 19 quilômetros do centro.

No alto da montanha de mesmo nome, esta estação de esqui chega a quase 2000 metros de altitude. Com 22 pistas de vários níveis de dificuldade, é considerado um dos melhores pontos de prática de esportes de neve na América Latina. E mais: oferece uma deslumbrante vista ao lago Lacar, dos bosques e do vulcão Lanin.

Os fãs de esqui adoram Chapelco porque ali existe a possibilidade de praticar modalidades diversas: alpino, de fundo e de travessia. Há também pistas de snowboard, com half pipe, slalom. Sem contar os passeios em snowmobile e, acredite, naqueles simpáticos trenós antigos, puxados por cães da raça husky siberiano.

Com tantas opções de lazer, gastronomia e consumo, San Martin de Los Andes é daqueles lugares que dá pena ir embora. No roteiro da Nova Travessia de Lagos, parte-se dela em direção ao lugar onde a jornada se iniciou: a chilena Pucón. Não são poucos os que, lá chegando, ficam tentados a começar tudo de novo. Faz todo sentido.

Mais informações: www.inoutpatagonia.cl

Especial Chile – 1: Pucón

Esta semana, um especial sobre o Chile. Começo com a cidade de Pucón, na região dos Lagos Andinos, num texto inspirado do amigo Jaime Harrison

 

Texto: Jaime Harrisson – Fotos: Jaime Harrisson/Divulgação

A paisagem não pode ser mais grandiloquente: céu azul, um lago imenso a sua frente, altas montanhas pelo lado esquerdo e um vulcão soltando fumaça às suas costas. Esta é Pucón, cidade turística situada 870 km ao sul de Santiago. Um lugar do Chile que está caindo nas graças dos viajantes brasileiros nos últimos anos.

Como explicar isso? Para começar, vale dizer que o Chile é campeão em quantidade de vulcões. São mais de 500, sendo 60 deles com registro histórico de erupções. Aquele que hipnotiza todos os que visitam Pucón é o Villarrica, cuja forma lembra um cone com a ponta cortada, com um tufo de fumaça saindo eternamente.

Assim como o monte Fuji, no Japão, o Villarrica tem neves eternas em sua parte superior, o que o torna ainda mais cativante. É o cartão postal da região, mas seria uma injustiça dizer que é sua única atração.

Longe disso, Pucón é considerada a capital chilena do turismo outdoor. Não precisamente de esportes extremos, já que a maioria das atividades podem ser realizadas em família –  em praticamente todas as estações do ano. Há rafting, caiaque, arvorismo, caminhadas, trilhas para mountain bike, atividades aéreas como parapente e pára-quedismo, voos panorâmicos, pesca esportiva, golfe e, claro, no inverno, esportes como o esqui e o snowboard. E, por que não, a guerra com bolinhas de neve!

 

Neve democrática – Pucón hoje conta com cerca de 22.000 habitantes. Mas, na temporada de esqui, o número aumenta cerca de 30%. Já no verão triplica com os turistas que ali lotam os hotéis, pousadas e apartamentos para alugar.

As pistas de esqui são para todos os níveis e a temperatura é agradável em dias ensolarados. No entanto, a atividade que produz mais frisson é a subida até a cratera do vulcão. Não precisa ser nenhum grande alpinista ou, neste caso, andinista. Necessário apenas é ir com um bom guia e se assegurar de que a empresa que o está levando tenha um bom equipamento. Desde os essenciais “crampones” (uma espécie de garra que se coloca nos sapatos para não escorregar no gelo) a um bastão de apoio – peças estas que facilitam muito a chegada no topo do vulcão, 2.847 metros acima do nível do mar.

Nesta excursão há uma regra que jamais deve ser desrespeitada: nunca se afaste do grupo e sempre siga o caminho que o guia indica. E nunca fazer esta subida por conta própria em hipótese alguma.

Os experts sempre dizem: a montanha é traiçoeira, não brinque com ela. Tudo isso levado em conta, a experiência de estar na boca da cratera olhando a lava incandescente lá embaixo é única e inesquecível. E, como todo mundo diz ao chegar lá em cima, vale o esforço.

Rafting radical – Outra atividade que rouba as atenções é o rafting no rio Trancura.  Os entendidos dizem que o rio tem grau 2 e 3. Ou seja, um pouco acima da média. A atividade pode ser realizada por pessoas a partir dos doze anos. As paisagens que se tem desde o rio são outro espetáculo à parte, sempre com o vulcão Villarrica como testemunha da emocionante empreitada.

Mas se você não gosta de água e prefere terra firme, uma excursão leve e muito interessante é conhecer as cavernas vulcânicas nas encostas do Villarrica. Lembre-se: o solo que estará pisando é considerado o mais geologicamente ativo do Chile.

Há empresas especializadas nesse passeio. A mais famosa é a Sol y Nieve (www.solynievepucon.cl), também a mais antiga empresa de turismo de aventura em Pucón.

Onde Gisele e DiCaprio descansam – Fora da temporada de verão, a cidade mostra sua tranqüilidade e seu charme. Há um bom comércio, danceterias, bares transados, cafés e restaurantes com lareiras nos convidam a sentir o aconchegante clima da cidade.

Durante o dia um passeio pela zona rural, a pé, a cavalo, de bike ou até mesmo de carro é imperdível, principalmente se for durante o outono. As paisagens bucólicas formadas por extensos campos de vegetação em tons laranja e amarelo são incansáveis de se admirar. Não é à toa que Leonardo Di Caprio e Gisele Bundchen já procuraram este lugar para descansar e fugir dos paparazzi.

Geralmente onde tem atividade vulcânica, tem águas quentinhas, e nos ao redores de Pucon há dezenas de centros termais. Depois de fazer exercício, nada melhor que um bom banho termal: há dos mais simples até os mais chiques, você escolhe segundo seu bolso e vontade.

Um bom ponto para ter contato com a natureza e o Parque Termal Menetue (www.menetue.com). Ele fica na orla da lagoa Ancupulli e tens instalações bem ao estilo patagônico. Está catalogado como o centro termal mais exclusivo de Pucón e possui um SPA de alta tecnologia, que o converte no mais moderno do Chile. Tem 5 piscinas cobertas ao ar livre, e uma exclusiva para adultos, com ambiente climatizado, alem de serviços de sauna, banhos de vapor, jacuzzi, ducha escocesa e variadas aplicações de terapias e massagens.

O seu restaurante, o Fusión, combina a gastronomia mapuche com a patagônica, exagerando em carnes exóticas. E há cabanas equipadas com cozinha, aquecedor a lenha e TV por satélite.

 

Hotéis de primeira – Quem procura uma hospedagem central, discreta e bem especial pode optar pelo Hotel Boutique Patagonia Pucón (www.hotelpatagoniapucon.cl). Focado na sustentabilidade, ele mescla o estilo country e a modernidade. Fica em pleno centro de Pucón, a poucos passos da rua que concentra os mais típicos restaurantes e muito perto do cassino e da praia.

Seu desenho integra detalhes de construção típica da montanha, como a pedra e a madeira, próprios da etnia mapuche, que povoa a parte norte da Patagônia Chilena. O café da manhã artesanal conta com uma gama de produtos típicos da região lacustre. O hotel dispõe de 16 quartos com calefação central, wi-fi, TV full HD, frigobar e outros mimos.

Mas para quem deseja uma estadia em grande estilo, a opção é o Villarrica Park Lake (www.villarricaparklake.com), um hotel que faz parte da famosa cadeia internacional The Luxury Collection. Ele está na estrada entre a cidade de Villarrica e Pucón, debruçado na orla do lago Villarrica. Paisagem que entra majestosamente pelas janelas de todas as habitações.

O requinte da gastronomia internacional se mostra aos visitantes no restaurante Águas Verdes, onde peixes, frutos do mar e carnes chilenas estão sempre presentes. Destaque especial para o entrecot de cordeiro de Lonquimay, originário da cidade de mesmo nome, famosa pela criação de ovinos.

O hotel oferece ainda um SPA com serviços de cosmetologia, cabeleireiro, massagens, tratamentos com pedras quentes e, pasme, chocolate e lama salgada do Mar Morto.

Com tanta mordomia, seria difícil não gostar dessa região – mesmo que ela não tivesse seu belo vulcão, seu lago encantador e suas delícias gastronômicas…

Vem aí a Adventure Sports Fair 2014

O maior evento dedicado aos esportes e ao turismo de aventura na
América Latina acontece em São Paulo, entre 15 e 18 de maio

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anote na sua agenda: a Adventure Sports Fair 2014 acontece entre 15 e 18 de maio no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. É a maior feira de esportes e turismo de aventura do continente, com centenas de expositores e dezenas de atrações interativas.

Para este ano, já estão confirmadas  áreas para a prática de snowboard, escalada, mergulho e skate – haverá um imenso half pipe ao ar livre.

E para os que amam viajar, não faltam novidades. O evento terá a participação da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), que vai divulgar destinos de turismo de aventura no Brasil. Além da presença de celebridades do mundo dos esportes e do turismo de aventura, como Karina Oliani, a médica e apresentadora de TV que se tornou a brasileira mais jovem a chegar ao topo do Everest, e David Schurmann, da família que viajou o mundo em um veleiro.

Adventure Sports Fair

  • Data: 15 a 18 de maio
  • Local: Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, São Paulo (SP)
  • Horários: Quinta e sexta-feira, das 14h às 21h. Sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 19h.
  • Informações: www.adventurefair.com.br