Seguro de viagem: eu usei!

Todo mundo sabe que é bom contratar assistência, mas será que funciona? Eu usei ano passado, em uma viagem à Argentina. Confira a seguir

A_nurse_carryingPor Paulo Mancha – Adaptação da reportagem publicada na ed. 40 da revista Viajar pelo Mundo

Eram 3h30 da madrugada quando uma palavra veio à mente e gelou meus ossos: infarto. Na minha idade, 44 anos, ele costuma ser rápido e fatal. Só então percebi o erro número 1 (de uma série que eu cometeria): fazia uma hora e meia eu me debatia na cama, com uma dor crescente no peito, achando ingenuamente que “logo passaria”.

Mas não passou. E foi assim, com falta de ar e pontadas no peito, que comecei a vasculhar minha bagagem em busca dos papéis do seguro de saúde em viagem – aquela coisa que a gente faz meio contra a vontade, sem dar muita importância.

Pela janela do hotel, situado no centro de Mendoza, na Argentina, eu via a cidade dormindo. Pensei: “Pelo menos não haverá demora para chegar até o pronto-socorro”.

Cadê a papelada?!!! – A demora, porém, era para achar a papelada. Esse foi o erro número 2: na era do smartphone e do tablet, é muito mais inteligente deixar os dados do seguro neles do que em uma folhinha de papel perdida entre roupas, vouchers de hotel, anotações de trabalho ou escondida naquele bolso da mala que você nem lembra que existe.

Finalmente achei a papelada e liguei para o seguro. Aqui um acerto, que me economizou tempo e dinheiro: ter o Skype instalado no celular. Porque a maioria dos seguros exige que você telefone para o Brasil ou para os Estados Unidos. Usar o telefone do hotel, além de custar uma fortuna, pode ser pra lá de estressante – alguém entende todas aquelas instruções de como fazer ligações internacionais? Na hora da emergência, fica mais complicado ainda.

Atendente atenciosa – Meu seguro, contratado junto à Vital Card, funcionou bem nesse momento. Fui prontamente atendido por uma operadora que reuniu os dados e deu início ao processo. Mas aqui surgiu outro problema. Os operadores sempre precisam de alguns minutos para descobrir qual o hospital conveniado mais próximo e confirmar se ele está funcionando e se atende seu tipo de emergência. Comigo, foram mais ou menos 15 minutos.

Eu poderia, é verdade, ter me dirigido a qualquer pronto-socorro e, depois de atendido, pedir um recibo, para depois requerer um reembolso. E aqui surge o erro número 3: eu não havia lido a apólice de seguro e não tinha certeza se essa opção estava disponível no meu caso. Por isso preferi esperar e ser atendido diretamente onde eu não precisasse tirar um tostão do bolso.

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Rumo ao “Hospital Español” – Finalmente, quase às 4h da manhã, recebi a indicação para me dirigir ao Hospital Español, a 4 quilômetros do hotel. Peguei passaporte, uma boa quantia em pesos (para alguma eventualidade) e voei para o táxi. Aqui foi o erro número 4: não avisei ninguém do hotel. Ou seja, se tivesse que ser internado, nenhuma pessoa ficaria sabendo, nem hotel, nem parentes, nem os colegas de trabalho.

Uma vez no hospital, a despeito do aspecto “anos 60”, o atendimento foi exemplar: eletrocardiograma imediato, que afastou a hipótese de ataque cardíaco. E, então, uma bateria de exames complementares, que eliminaram outras doenças graves, deixando como hipóteses problemas que poderiam ser perfeitamente tratados no Brasil, sem tanta urgência, como gastrite ou pedras na vesícula. Saí do hospital às 6h da manhã, bastante aliviado e o que é melhor: sem ter que abrir a carteira. A dor? Passou de repente!

As lições foram várias:

1) Ler atentamente a apólice e tirar as dúvidas antes de sair do Brasil. Eu não fiz isso e perdi minutos que poderiam ter sido preciosos para minha vida.

2) Não esperar o problema piorar para acionar o seguro – pode ser tarde demais.

3) Usar a tecnologia: guardar os vouchers de seguro e demais documentos no smartphone, tablet ou notebook e saber manipular tudo isso com presteza.

4) Avisar a recepção do hotel ou qualquer outra pessoa. E levar sempre consigo documentos e dinheiro.

No mais, não entrar em pânico e saber que esses imprevistos também acontecem com a gente.

8 comentários em “Seguro de viagem: eu usei!”

  1. Um casal amigo meu viajou para a Espanha no ano passado com o devido seguro saude na bagagem. Ele teve um infarto. (de verdade mesmo) Foi operado e na hora H o seguro nao serviu para nada. Tiveram de pagar tudo e tentar o reenbolso no Brasil. Foi so dor de cabeca.

  2. Pois é, Vitor. Como eu disse, é preciso ler bem a apólice. Existe o “seguro puro”, em que vc paga tudo e pede reembolso no Brasil e a “assistência” (meu caso), em que vc vai a um hospital de rede credenciada. E há opções que mesclam ambas as coisas.

  3. De qualquer maneira são boas dicas Paulo, é sempre bom estar atento a estas coisas, nunca se sabe quando precisaremos. Ainda mais quando viajamos bastante para fora, não é?

  4. Tive uma boa experiência usando o serviço de assistência médica do HSBC Platinum, em viagem aos EUA.
    Minha filha de um ano e meio precisou de atendimento médico e fui encaminhado a um hospital a 1,5km do hotel, onde fomos extremamente bem atendidos, ela foi examinada e medicada e tudo sem desembolsar um tostão.
    Fiz a primeira ligação para o serviço no Brasil a cobrar e os outros contatos vieram do escritório da seguradora em Chicago, pelo telefone do hotel.
    Fizeram até um “follow up” nos dias subsequentes, monitorando o estado de saúde da minha filha e pedindo uma avaliação do atendimento no hospital.
    Nota 10. Recomendo.

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