Indianapolis a toda velocidade!

Aqui acontece a mais famosa corrida de carros do mundo. Conheça o palco da competição, uma cidade deliciosa para quem quer fugir dos destinos de férias tradicionais nos EUA

Adaptação em 16/5/2013 da reportagem publicada na ed. 32 da Revista Viajar pelo Mundo

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Todos os anos, num domingo do mês de maio, uma simpática senhora de 78 anos de idade sobe a um palanque em frente a 34 pilotos e 300 mil espectadores e diz uma frase capaz de incendiar a gigantesca plateia: “Cavalheiros, liguem seus motores!”. É assim que, desde 1950, iniciam–se as 500 Milhas de Indianapolis, um dos eventos mais tradicionais do esporte mundial. A honra de inaugurar a competição cabe a Mari Hulman George, a proprietária do icônico autódromo. E saiba que, dentre os competidores, há sempre diversos brasileiros, como Tony Kannan (vencedor da edição 2013), Bia Figueiredo e o tricampeão da prova, Helio Castroneves – uma celebridade por ali. Só isso já seria um bom motivo para visitar a metrópole de um milhão de habitantes – a segunda maior do meio-oeste americano, atrás apenas de Chicago. Mas existem outros atrativos que tornam Indy um destino bacana para quem quer fugir do óbvio em se tratando de Estados Unidos.

No coração da América – Antes de tudo, vale a pena situar a cidade. Capital do estado de Indiana, Indianapolis fica a 290 km ao sul de Chicago e a uma hora e meia de avião de Nova York. Está no chamado “coração da América”, a região plana do centro do país, onde pradarias e bosques de pinheiros dominam a paisagem. Ela ganhou importância durante o século 19 por estar bem na passagem das linhas de trem que começavam a ligar o leste ao oeste. Logo se tornou um importante entreposto comercial e ponto estratégico durante a Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865. A riqueza trouxe a indústria automobilística no começo do século 20 e, consequentemente, as competições sobre rodas: o circuito – oficialmente chamado Indianapolis Motor Speedway – é um dos mais antigos do planeta, inaugurado em 1909. Hoje, além das competições, abriga o maior museu de carros de corrida dos Estados Unidos (confira quadro).

O estádio dos Colts – Mas Indy – como é chamada carinhosamente pelos próprios habitantes – tem mais do que a fumaça dos motores e a adrenalina das largadas e chegadas. Ainda no campo esportivo, ela se consagrou nos últimos 25 anos como um importante centro de eventos – dos Jogos Pan Americanos de 1987 ao Super Bowl (a final do campeonato de futebol americano) de 2011. A cidade é sede das principais confederações esportivas do país e seu estádio, o Lucas Oil Stadium, é um dos mais modernos do mundo, com teto retrátil e nada menos que 140 camarotes de luxo ao redor do campo, além dos 63 mil lugares nas arquibancadas. Detalhe: foi construído em estilo retrô, recoberto de tijolinhos, à moda dos prédios de 100 anos atrás. Afinal, fica no centro da cidade, em meio a monumentos e edifícios centenários. Pode ser visitado diariamente, com direito a tour guiado e, claro, a uma passadinha na loja de suvenires – ninguém sai de lá sem uma camisa dos Colts.

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No entorno do Lucas Oil Stadium se revela outra marca registrada de Indianapolis: os sports bars. São mais de 20 bares, cada um especializado em uma modalidade. Há lugares como o High Velocity, um must para fãs em automobilismo. Ele está dentro do JW Marriott Indy – a maior unidade dessa cadeia de hotéis em todo mundo, com mais de 1000 quartos. Ou o O’Reilly’s Irish Pub, que homenageia os imigrantes irlandeses e, por isso, exibe jogos de rugby e futebol (o nosso). E, ainda, o gigantesco Indianapolis Colts Grille, com capacidade para 800 pessoas, que curtem os jogos do time de futebol americano da cidade, o Colts, em 66 telões espalhados por quatro ambientes. Sem falar no The Slippery Noodle Inn, o mais antigo bar de todo o estado (e um dos dez mais velhos do país). Fundado em 1850, ele garante shows de blues sete noites por semana. Em comum entre todos esses estabelecimentos? As disputadas cervejas artesanais da região, como Upland’s e 3 Floyd’s, feitas com a cevada plantada nas largas planícies do interior de Indiana.

Cidade humanizada – O centro da cidade, por sinal, fascina arquitetos e urbanistas. Sem sacrificar as construções históricas, como o centenário Indiana State Capitol, de 1878, um projeto de revitalização levou para lá arranha-céus moderníssimos. Entre eles estão 12 hotéis interligados por meio de passarelas envidraçadas ao Centro de Convenções, ao estádio e ao Circle Center – o marco-zero da cidade. Ou seja, pode-se caminhar quilômetros entre as atrações do coração da metrópole sem ter que se sujeitar ao frio, ao calor, à chuva ou à neve. Uma ideia genial, que começa a ser copiada por outras cidades.

No verão, porém, outra opção para se locomover no centro agrada os visitantes. É o Indiana Central Canal, um pequeno braço de rio que corta a metrópole por 2,5 km. Repleto de taxis aquáticos e românticas gôndolas, ele se tornou uma das atrações mais procuradas por turistas. Não bastasse o glamour do passeio, há ainda surpresas como ver diversas espécies de tartarugas, peixes e pequenos mamíferos nadando em pleno downtown.

Memorial da Guerra – Dentre os lugares históricos a que se pode atingir numa bucólica jornada pelo Central Canal está o Indiana World War Memorial, um impressionante edifício- -monumento, com 64 metros de altura (quase o dobro da estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro), projetado em 1919 usando como inspiração o Mausoléu de Halicarnasso, construído pelos persas no território onde hoje fica a Turquia. Em seu interior, funciona um museu que conta a história dos soldados americanos desde a Guerra da Independência, no século 18, até os conflitos mais recentes.

Para as crianças – Quem viaja com filhos tem algumas opções de lazer peculiares. É o caso do Children’s Museum of Indianapolis, o maior museu para crianças do mundo. São nada menos que quatro andares totalizando 120 mil artefatos em exposição, em uma área equivalente a seis campos de futebol. E mais: 400 monitores ajudam crianças e adultos a interagir com as exposições – há desde um planetário até uma locomotiva de verdade, tudo isso para ser desfrutado ou manipulado pelos visitantes. E a apenas 15 minutos do museu, fica o Indianapolis Zoo, célebre por ter sido o primeiro do mundo a reproduzir elefantes por inseminação artificial. São mais de 1500 animais, incluindo os marinhos, como golfinhos, focas e até ursos polares. Se você sentiu falta de cultura na terra do automobilismo, saiba que há excelentes alternativas também. A começar pelo Indianapolis Museum of Art, um dos oito maiores e mais importantes museus de arte da América do Norte, notório por sua coleção de pinturas e gravuras do pós-impressionista francês Paul Gauguin. Aliás, mesmo que você não seja um fã de arte, a visita vale a pena: o prédio em si já encanta, com sua arquitetura arrojada e incomum.

Competindo com o museu estão as galerias independentes espalhadas pelo que os habitantes locais chamam de “distritos culturais”. Tratam-se de bairros antes decadentes, que foram revitalizados e transformados em redutos artísticos – de pequenos cafés com música ao vivo a lojinhas descoladas de roupas e acessórios, você só acha coisas exclusivas e vanguardistas ali.

O mais badalado dos cultural districts é Broad Rippl Village. Muitos afirmam ser a versão local do Greenwich Village, de Nova York, ou da Sunset Boulevard, de Hollywood. Os moradores de Indianapolis, porém, são mais rápidos que um Fórmula 1 ao recusar essa comparação. Para eles, sua cidade está muito à frente das grandes metrópoles da costa leste e oeste. Faz sentido, nesse lugar em que velocidade e inovação chegam sempre em primeiro.

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DICAS DO PAULO – INDIANAPOLIS

Fuso HorárioIndianapolis tem duas horas a menos em relação ao horário de Brasília.

ClimaNo verão, entre julho e agosto, pode fazer até 30 ºC. Em dezembro e janeiro, a temperatura chega a cair a 10 ºC negativos, com neve.

Na InternetIndianapolis: http://www.visitindy.com

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Indianapolis Motor Speedway Hall of Fame Museum (16th street 4790 W, www.indianapolismotorspeedway.com) Expõe 75 carros e outros objetos raros de corridas. Diariamente, das 9h às 15h. Entrada: a partir de US$ 5 para maiores de 16 anos, e US$ 3 para pessoas entre 6 e 15 anos.

National Art Museum of Sports (Michigan street 850 W, http://www.namos.iupui.edu) Este museu muito incomum possui uma enorme coleção de obras de arte inspiradas em esportes. São mais de 40 modalidades retratadas nas peças de artistas famosos. Aberto de segunda a sexta, das 8h às 17h. Entrada: gratuita.

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High Velocity Bar & Restaurant (West street 10 S, http://www.highvelocityindy.com) Ponto de encontro de amantes de esportes, tem televisões em toda sua volta com jogos ao vivo e programas esportivos. Serve desde sanduíches até pratos sofisticados como o Teriyaki Grilled Salmon – salmão grelhado com vegetais e gengibre. De segunda a sábado, das 11h à 1h, e domingos, das 10h à 0h.

Indianapolis Colts Grille (110 W. Washington Street, http://www.indianapoliscoltsgrille.com) Sports bar gigantesco, com 66 telas de TV mostrando esportes, DJ e muita música rolando nos altofalantes. Diariamente, das 11h à meia noite. Às sextas e sábados fecha às 2h da manhã.

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Uma opinião sobre “Indianapolis a toda velocidade!”

  1. Excelente matéria que justifica ficar bem mais dias que o final de semana da corrida. Na pista, datas que não se pode perder são sexta e domingo do Memorial Day Weekend, ou último domingo de maio.
    Sábado tem dia de autógrafos e a parada no centro da cidade!

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